Publicado 06 de Outubro de 2017 - 10h36

Por Letícia Guimarães

Tecnologia e inovação em debate

César Rodrigues

Tecnologia e inovação em debate

Alguns dos principais institutos de pesquisa do Brasil se reuniram na manhã de ontem no Instituto Eldorado, em Campinas, para discutir temas de cooperação internacional e oportunidades em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Ao todo, foram 34 instituições representadas no evento da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que fomenta a inovação e faz uma ponte entre os pesquisadores e as indústrias, que utilizam as novas tecnologias.

Segundo o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimarães, o encontro é importante para que os institutos troquem informações, e também há uma espécie de balanço geral dos setores que mais se destacaram durante o ano passado, os investimentos feitos e os projetos já concretizados.

A Embrapii é uma Organização Social (OS) que é contratada como gestora pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), tendo o Ministério da Educação (MEC) como interveniente. A verba parte do MCTIC para a Embrapii, que por sua vez destina os valores necessários para as instituições cadastradas para realizarem os projetos. A Empresa fornece 33% do valor do projeto que será desenvolvido pelo centro de pesquisa, a indústria que deseja o resultado entra com 47%, e a instituição fornece sua infraestrutura, funcionários, equipamentos, o que representa 20% do custo.

“Dessa maneira, conseguimos incentivar que as indústrias invistam em P&D, porque ter um centro de pesquisa próprio é muito caro, já que o projeto tem que ser custeado em 100%”, diz Guimarães.

Ele conta que como o valor dos projetos é alto, e existe a resistência das indústrias em montar seus próprios laboratórios, as empresas acabam copiando patentes e tecnologias. “Se não faz inovação, não faz patente, e se não faz patente, não se investe em inovação.”

Projetos

Quando um instituto de pesquisa se filia à Embrapii, ele se torna uma unidade da Empresa, e tem que estipular quantos e quais projetos realizará dentro do período de seis anos, além de especificar metas e prazos. A indústria interessada em ‘contratar’ uma pesquisa ou desenvolvimento de projeto entra em contato diretamente com o instituto para acertar os detalhes, e a Embrapii, além de entrar com 33% do valor, monitora prazos. O caminho também pode ser invertido, quando os próprios pesquisadores que já tem programas em andamento, oferecem o serviço às indústrias.

“É um processo nada burocrático, porque a intenção é mesmo atrair as indústrias para investirem em novas tecnologias, que é um setor crescente, e só colocamos o nosso dinheiro quando a indústria coloca o dela”, afirma o diretor.

Atualmente, são 42 unidades filiadas à Empresa, 39 a mais do que quando as operações tiveram início, em 2015. A maioria dos projetos desenvolvidos é na área de eletroeletrônica e informática, que representam 25% do total. Mas, em termos de dinheiro, é o setor de petróleo e gás que leva a maior parte dos investimentos, cerca de um terço do valor total que a Embrapii destinou aos institutos de pesquisa em 2016. O valor corresponde a cerca de R$ 170 milhões.

Dos 10 centros que ficam em SP, 4 são de Campinas

Dos 42 centros de pesquisa filiados à Embrapii, dez estão no Estado de São Paulo, sendo quatro sediados em Campinas. “É um pólo de produção de conhecimento e novas tecnologias muito importante”, afirma o diretor-presidente Jorge Almeida Guimarães.

As instituições campineiras que fazem parte da Empresa são o Centro de Química Medicinal de Inovação Aberta (CQMed), especializada em biofármacos e fármacos; Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CpqD), que atua no ramo de comunicação óptica; Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde pesquisadores buscam o conhecimento das propriedades físicas, biológicas e químicas de materiais sólidos, líquidos e gasoso, e o Instituto Eldorado, que é credenciado para desenvolver projetos na área de internet e computação móvel.

Segundo o engenheiro eletrônico e executivo de tecnologia de produtos do Eldorado, José Eduardo Bertuzzo, um dos setores que merece destaque no instituto é o de projetos que envolvem o tema Cidade Inteligente. “Pensamos na internet das coisas, como medidores de água ou de luz que sejam conectados, ou semáforos, por exemplo, que ao invés de fios tenham sensores para trabalharem em sintonia. Se um semáforo tiver alguma alteração, os outros funcionariam de forma a liberar o tráfego de forma ordenada”, explica. Segundo ele, a gestão da cidade inteligente seria a união de sensores adequados a cada objeto ou local, aliado ao baixo consumo de energia.

Um dos projetos que está sendo desenvolvido no local para uma empresa de São José dos Campos é um rádio digital para conectar um ponto de internet a outro local distante, mas Bertuzzo não pode dar mais detalhes por razões contratuais. “A intenção é ampliar os limites da conectividade com produtos competitivos no mercado.”

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Letícia Guimarães