Travesti é encontrado morto e gera protesto
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Publicado 25/09/2017 - 22h36 - Atualizado 25/09/2017 - 22h39

Por Jaqueline Harumi

Expedito José da Silva Netto, conhecido como Spencer Netto, foi morto

Reprodução/Facebook

Expedito José da Silva Netto, conhecido como Spencer Netto, foi morto

Homossexual e travesti, o cabeleiro Expedito José da Silva Netto, de 25 anos, foi achado morto com uma perfuração nas costas, um corte profundo no pescoço e sinais de agressão no rosto, anteontem em um terreno próximo à linha do trem no bairro Chácara Boa Vista, em Campinas. Em solidariedade à família de Spencer Netto, como era conhecida a vítima, e à população lésbica, gay, bissexual e transexual (LGBT), amigos organizam uma passeata para o próximo sábado (30) por importantes vias do Centro da cidade.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na 2ª Delegacia Seccional, o corpo foi localizado pela Polícia Militar por volta das 10h ao lado de um canivete, no entanto a identidade da vítima foi confirmada apenas ontem de madrugada, quando a mãe foi comunicada por um amigo sobre o ocorrido e fez a identificação. Conforme amigos, o enterro ocorreu ontem à tarde no Cemitério Parque das Flores.
Ninguém foi preso, porém, a Polícia Civil afirmou nesta segunda-feira (25) que está ouvindo testemunhas e que a investigação está avançada, sem informar detalhes.
Coordenador do Fórum Municipal de Defesa dos Direitos Humanos e coordenador de Direitos Humanos da Associação da Parada do Orgulho LGBT de Campinas, Paulo Mariante trata o assassinato como crime de ódio. “A maioria dos crimes de ódio contra LGBT são produzidos por arma branca, portanto, é óbvio que é a nossa suspeita. Violência é sempre violência e tem que ser repudiada, mas a circunstância do fato é de que tenha sido por LGBTfobia, inclusive considerando também que nós vivemos uma onda de recrudescimento da violência contra as pessoas LGBT”, justificou.
Para a manifestação, marcada para começar às 15h no Largo do Rosário, estavam confirmadas até o fechamento desta edição 61 pessoas e o ato é apoiado pelo Fórum e pela Associação, segundo Mariante. “As pessoas estão muito chocadas, muito tristes. A manifestação que a gente está chamando é para pedir Justiça. Não dá mais para se conformar com centenas de pessoas sendo assassinadas todos os anos simplesmente por serem LGBT. Além de mortes, há ainda as agressões: não tem um dia que a gente não receba esse tipo de notícia”, ressaltou.
A mobilização para o protesto partiu de um amigo de Spencer, o estudante Guilherme Alves, de 24 anos. “Fiquei sem ação porque tinha encontrado com ele na sexta-feira e fui para o ato em São Paulo por uma causa gay, e quando retorno fico sabendo que ele foi assassinado”, comentou. Conforme o estudante, o ato passará pelas avenidas Francisco Glicério, Moraes Salles e Anchieta, devendo ser encerrado na Praça Bento Quirino com uma chuva de pétalas de rosas jogadas de um helicóptero. Está confirmado o acompanhamento da Guarda Municipal.

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Jaqueline Harumi