Publicado 09 de Agosto de 2017 - 14h40

Por Inaê Miranda

Foi registrado um boletim de ocorrência de morte suspeita na 2ª Delegacia Seccional de Campinas e as investigações serão feitas pelo 1º Distrito Policial

Divulgação

Foi registrado um boletim de ocorrência de morte suspeita na 2ª Delegacia Seccional de Campinas e as investigações serão feitas pelo 1º Distrito Policial

Um bebê de 4 meses morreu na tarde desta terça-feira (9) em seu primeiro dia em uma escolinha infantil no Centro de Campinas. A criança passava pelo período de adaptação e ficaria apenas duas horas na escola. Quando a mãe foi pegar a menina ela estava com os lábios roxos e já não esboçava nenhuma reação. Segundo a família, a mãe correu com a criança a pé para o Hospital Casa de Saúde, que fica a duas quadras da escola, onde foi confirmada a morte. Foi registrado um boletim de ocorrência de morte suspeita na 2ª Delegacia Seccional de Campinas e as investigações serão feitas pelo 1º Distrito Policial. A Prefeitura adiantou que a unidade não tinha alvará de funcionamento nem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

A criança começaria frequentar a Escola Casinha do Saber na segunda-feira porque terminaria hoje (10) a licença da mãe, Cleide Maciel, de 39 anos. Como queria aproveitar mais tempo com a filha, Cleide decidiu levá-la para o primeiro dia de creche apenas na terça. Deixou Emanuele na escola e foi ao centro da cidade comprar fraldas até completar as duas horas. Nesse intervalo, ela chegou a enviar mensagem para a escola perguntando sobre a filha. A resposta foi que estava tudo bem e que a tia estava fazendo a menina dormir. As monitoras chegaram a enviar fotos da criança no colo da monitora para a mãe.

O tio da criança, Devair Marques Maciel, disse que a mãe chegou às 15h e uma funcionária da escola disse que a criança estava com sono profundo. A mãe chegou a esperar 10 minutos no portão enquanto tentavam acordar. Quando ela entrou viu a criança com os lábios roxos, sem respirar ou esboçar reação. “Estava morta na mão da tia. A mãe começou a gritar. Só aí se deram conta que havia algo errado e tomaram a seguinte conduta: pegaram no colo e balançaram sem fazer as manobras de reanimação cardio-pulmonar (RCP)”, contou. Ainda segundo o tio, a mãe foi para a rua e correu a pé para a Casa de Saúde, porque não tinha nenhum carro na escola. A diretora foi junto.

Maciel afirmou que a criança não tinha nenhum problema de saúde, mas como se tratava do primeiro dia na creche, ele, que trabalha na área da saúde, tomou o cuidado de dar para a mãe um travesseiro anti refluxo. “Toda criança quando pequena pode regurgitar. Sou profissional de enfermagem e dei travesseiro para mãe, no qual criança deitada não corre perigo. A mãe levou e eles não usaram”. O boletim de ocorrência foi feito ontem. O corpo foi para o Instituto Médico Legal e liberado no começo da tarde. O enterro está previsto para a manhã desta quinta no cemitério central de Paulínia.

A escola foi escolhida pela mãe, porque teve boas recomendações e porque ficava a cinco minutos de seu trabalho. Manu, como era chamada, era a primeira filha de Cleide e de José Valdevino Maciel. “Estão arrasados. É muito difícil perder um filho”, disse a amiga Paula Laís, que veio de outra cidade para prestar apoio. “Era a única filha, foi muito esperada. Festejamos muito a chegada da Manu. E estávamos planejando a festinha de um aninho. Por um deslize de alguém ou falta de atenção essa fatalidade aconteceu e cortou pela raiz tudo o que planejamos”.

A escola foi procurada e uma funcionária disse que a unidade está aberta para polícia averiguar e para família, mas até laudo sair não vai se posicionar para a imprensa. O delegado titular do 1º DP, Hamilton Caviolla informou que o laudo com a causa da morte não deve sair antes de 15 dias. Até la, a polícia vai ouvir todos os envolvidos. “Antes da chegada do laudo é difícil falar qualquer hipótese. Temos que trabalhar abrindo o leque da investigação. Pode ter sido acidente, engasgamento, mas o que vai confirmar mesmo é a chegada do laudo”, acrescentou.

Secretaria de Urbanismo informou que a Escola não tem alvará de funcionamento e a pasta encaminharia um fiscal ainda ontem (quarta) para averiguar a situação e tomar medidas necessárias. Uma Escola de Educação Infantil só pode funcionar se tiver o AVCB e alvará de uso expedido pela Secretaria de Urbanismo. E a escolinha não tinha nenhum dos dois, segundo informou a Administração.

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Inaê Miranda