Publicado 05 de Agosto de 2017 - 21h05

Parklet de Campinas no CambuÍ inaugurado hoje ainda causa polemica entre os comerciantes da região

Dominique Torquato

Parklet de Campinas no CambuÍ inaugurado hoje ainda causa polemica entre os comerciantes da região

Além de dividir opiniões sobre a ocupação do solo público, o parklet construído na Rua Coronel Quirino, no Cambuí, tem gerado preocupação a moradores do entorno quanto à segurança. Perigo de acidente na extensão da calçada ou aumento de riscos de alagamento na área são fatores apontados.

O advogado Fernando Mathias Marcondes Silveira, de 48 anos, lembra que em temporadas de chuva contínua, geralmente nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, a via sofre com o acúmulo de água, dando prejuízo, inclusive, para os comerciantes, que correm risco de perder materiais. Com a instalação do parklet, a situação tende a piorar, segundo ele.

“A rua não tem desnível de água, então alaga normalmente. O bar do seo Manoel ficou algumas meses cheio de água. E essa construção está fazendo uma barragem. Por enquanto não haverá problema, mas quando as chuvas começarem será um transtorno”, afirma. “Mais do que ilegal e imoral, sendo um projeto de privilégio para poucos, prejudica as pessoas”, completa.

Outra apreensão relatada por quem circula pelo bairro refere-se à pouca sinalização na área recém-inaugurada. “Eles colocaram algumas luzes, mas à noite a visibilidade é péssima. Temo por acidentes, motoristas que não conseguem ver essa extensão em tempo. E se tiver gente no local? Pode causar sérios acidentes”, diz o estudante Erich Mattos, de 35 anos.

O primeiro parklet de Campinas foi aberto na última semana. Equipado com as cervejas que trouxe de casa, o representante comercial Marcelo Nogueira, de 54 anos, aprova a novidade. “Acho que as pessoas não veem o parklet com bons olhos por falta de informação. Tem aqueles que reclamam da piora do trânsito, mas aqui já é complicado, não será uma vaga a mais que resolverá. Outros dizem que é lugar para um bando de velhos. Isso é discriminatório. Venho aqui com minha família, trago o que quero consumir, quem quiser pode comprar comida e bebida no restaurante, no bar, na frutaria, enfim, é um espaço de convívio para todo. O bom senso sempre reina”, afirma.

Ainda de acordo com os defensores da proposta, é inverdade dizer que o processo de construção não passou por estudos e análises de especialistas. “Houve dezenas de projetos executivos, arquitetônicos, hidráulicos, elétricos, entre outros. Foram feitos todos os estudos necessários e existe um manual sim. A obra é um avanço para cidade, algo que tem no mundo inteiro”, avalia Rui Marot, um dos empresários que investiram na criação do ambiente.

Trata-se de uma extensão da calçada com 6 metros de cumprimento por 2,20m de largura, cuja proposta é de transformar uma ou duas vagas de estacionamento em um espaço público para o lazer e convivência das pessoas. No espaço são oferecidas mesas, cadeiras e guarda-sol. No caso, é localizado em frente ao restaurante Cenário Bar e Restaurante.

De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), o restaurante não está descumprindo o proposto no projeto e o local não tem nenhum vínculo com o comércio. Proprietários de estabelecimentos do entorno questionam a decisão.

A iniciativa provem de empresários da região, que investiram cerca de R$ 20 mil. A Emdec informou que a iniciativa não interfere na circulação das pessoas pela calçada e que denúncias sobre o possível uso irregular de calçadas devem ser feitas pela população pelo telefone 156.

O conceito parklet foi criado no Estados Unidos e existem projetos regularizados em cidades como Madri, Londres e Nova York. No Brasil, o projeto já foi implantado, por exemplo, em Jundiaí e São Paulo.

Avaliação

Sem dinheiro público envolvido, a Prefeitura Municipal, por meio de seus departamentos competentes, explica que este é um projeto-piloto a ser avaliado durante seis meses. Ao término do prazo, haverá a criação de um regulamento para que a ideia seja replicada em novos locais com a aprovação da Administração. Entre os locais que têm a possibilidade de receber o espaço estão a região central e os distritos do Ouro Verde e Campo Grande.