Publicado 03 de Agosto de 2017 - 21h17

Por Rafaela Dias

Preocupados com a ocupação da Rua Coronel Quirino, moradores ainda não entendem o que pode ou não no espaço do Parklet e seu entorno

Dominique Torquaro/AAN

Preocupados com a ocupação da Rua Coronel Quirino, moradores ainda não entendem o que pode ou não no espaço do Parklet e seu entorno

O projeto-piloto do parklet, lançado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e que tem gerado polêmica na cidade por não conter regras claras, já estava sendo estudado pelo Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, lançado pelo Executivo em 2015. Prevendo a elaboração de uma legislação específica, o que está sendo cobrado pela população e por empresários da cidade, a ideia, porém, nem chegou a sair do papel.

A criação do parklet tem sido questionada por comerciantes da região da Rua Coronel Quirino, que alegam que o formato adotado beneficia apenas o bar e restaurante Cenário, já que a instalação foi feita exatamente na frente do imóvel que ele ocupa. Clientes do estabelecimento financiaram a obra.

Outra iniciativa que tramita na cidade é um projeto de autoria do vereador Vinícius Gratti (PSB). Ele prevê normas para a instalação do espaço. Uma emenda do parlamentar impede a utilização exclusiva do parklet por seu mantenedor. “A norma técnica implantada pela Emdec é desconhecida. Somos a favor de uma legislação que passe pela análise e votação dos vereadores, determinando as normas de tamanho, material e local, além de um projeto que possa atingir a cidade toda e não somente uma rua ou estabelecimento”, disse. “Temos várias áreas em diversos bairros que poderiam se tornar Parklets, beneficiando a população como um todo.”

Para o empresário Fabio Conti, o ideal seria que a prefeitura criasse regras. “Como morador do Cambuí, não vejo problema no trânsito. Como frequentador do comércio local e por já conhecer esse sistema em outras cidades, sou favorável, desde que a Prefeitura crie regras, padrões e faça um planejamento. Vejo até a possibilidade de aumentar a receita do Executivo cobrando aluguel pelo espaço, mas as normas precisam claras”, falou.

A fiscalização é outro ponto levantado por Gratti. “Uma iniciativa como essa precisa ser construída a várias mãos: Emdec, Secretaria de Urbanismo, Setec, Serviços Públicos e Câmara. Quando bem elaborada, permite que o legislativo cumpra ainda a sua função de fiscalizar”, disse.

“Se não sabemos as regras desse espaço no Cambuí, como saberemos da sua eficiência e se, de fato, está sendo usado para o seu propósito central, que é fornecer opções de lazer aos campineiros?” Sobre o projeto de sua autoria, ele confirmou que segue a tramitação normal.

Moradores reclamam

Preocupados com a ocupação da Rua Coronel Quirino, moradores ainda não entendem o que pode ou não no espaço do Parklet e seu entorno. “Moro há 17 anos nessa mesma rua. Saio para caminhar e constantemente tenho que esperar os ‘empresários’ que custearam esse engodo darem lugar para o pedestre passar. Sempre acabo tendo que descer na rua para dar continuidade”, disse a pedagoga Eulanda de Mello Bruno. “Nem com o meu neto no carrinho esse povo dá licença. Imagine agora. Esse espaço terá sofá, poltronas e wifi? Para quem?”, reclama.

A reportagem do Correio Popular entrou em contato com a Serviços Técnicos Gerais (Setec). A autarquia abriu um chamado para averiguar se o uso do solo público está sendo feito conforme legislação, mas afirmou que não pode antecipar nenhuma informação até a ida de um fiscal ao local.

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Rafaela Dias