Publicado 01 de Agosto de 2017 - 19h38

Por Rafaela Dias

O investimento para o espaço, que foi de cerca de R$ 20 mil, foi feito por empresários da região

Carlos Sousa Ramos

O investimento para o espaço, que foi de cerca de R$ 20 mil, foi feito por empresários da região

O sistema de Parklet que está sendo implantado pela Emdec no Cambuí já divide opiniões entre moradores do bairro e empresários. O local, que deveria ser um espaço público de convivência, segundo comerciantes de alguns estabelecimentos vizinhos, acabou se tornando uma espécie de “puxadinho” em frente ao Cenário Bar e Restaurante, na Rua Coronel Quirino. A extensão da calçada tem 6m de comprimento por 2,20m de largura e vai oferecer mesas, cadeiras, guarda-sol, iluminação interna e floreiras que serão cuidados pelo estabelecimento.

O investimento para o espaço, que foi de cerca de R$ 20 mil, foi feito por empresários da região. De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), o restaurante não está descumprindo o proposto no projeto e o local não tem nenhum vínculo com o comércio no entorno da estrutura.

Mas os proprietários de estabelecimentos do entorno questionam a decisão. “Se você vier aqui no final de semana, vai ver o restaurante servindo os clientes que estão nesse espaço que deveria ser público. O Parklet virou uma extensão do restaurante. É um absurdo. Fica claro que a iniciativa está beneficiando um público específico, usando o espaço que pertence a todos nós. Além disso, já tínhamos problemas com vagas aqui, e a situação piorou”, disse um comerciante.

Outro empresário da rua também criticou o uso. “Também quero uma extensão do meu estabelecimento para poder comercializar algum alimento. Era óbvio que isso ia acontecer. Só não vê quem não quer. Esse espaço nada mais é que um benefício para o restaurante que está ali”, reclamou. “Nossa rua é estreita, os ônibus quando passam quase batem nos carros. Temos pontos de ônibus sem nenhum sentido na rua e diminuímos as chances de os nossos clientes estacionarem perto dos nossos estabelecimentos. Agora mesmo, enquanto conversamos, perdi dois clientes por falta de vagas na rua. Está ficando cada vez mais complicado”, disse.

Secretário

O secretário de Transportes de Campinas, Carlos José Barreiro, nega que o Parklet esteja beneficiando os empresários, que ajudaram na escolha do lugar, já que financiaram o projeto, e rejeita ainda a possibilidade de que o dono do estabelecimento, onde está exatamente instalada a estrutura, esteja tendo qualquer tipo de privilégio. “Foi uma escolha conjunta e poderia ter sido qualquer esquina daquela região. Nosso critério foi devolver à população os espaços públicos e oferecer para ruas verticalizadas uma opção para diminuir o isolamento das pessoas. Não houve um critério específico para sua exata localização”.

Segundo o secretário, a obra, que deveria estar na esquina da Rua Coronel Quirino, poderia estar em qualquer esquina da mesma rua. Mas o Parklet, que não chega até o final da quadra, está ocupando exatamente a frente do Cenário Bar e Restaurante. “Reafirmamos que os estabelecimentos ao redor não possuem nenhuma relação com o espaço”, disse.

Mesmo assim, Barreiro afirmou que vai enviar uma equipe de vistoria até o local, para averiguar a localização exata da obra. “Se estiver inadequada, vamos interromper e fazer as correções necessárias”, prometeu.

“"Esse é um projeto-piloto. Ainda vamos avaliar seu sucesso, vamos ouvir o público da região e então decidir se mais espaços como esse serão implantados”, falou.

Sobre a escolha do material utilizado, que não segue o padrão das calçadas da rua, o secretário afirma que a ideia é tornar o local mais atrativo, por isso o uso da estrutura diferenciada.

Cenário

O proprietário do Cenário Bar e Restaurante, que não se identificou, negou qualquer possibilidade de estar fazendo extensão do seu estabelecimento. “Em São Paulo, a iniciativa é comum e pelas ruas da Itália você vê muitos Parklets. Nosso restaurante não tem nenhum envolvimento nesse projeto e nem sequer estamos colocando recursos nele. Estamos no mercado há muitos anos e não precisamos usar um espaço público para melhorar o nosso atendimento”, disse.

“Não pretendemos nos beneficiar dessa iniciativa. É impressionante como é pequeno o pensamento do campineiro”, completou.

Mas ele confirmou que, se algum cliente que estiver usando o espaço público e solicitar atendimento do bar, ele não deixará de atender.

Um morador do Cambuí que passava pelo Parklet durante a reportagem, comentou que as reclamações fazem parte de uma adaptação do bairro à nova estrutura. “Eu sou a favor. Sempre utilizei esses espaços em São Paulo. Até que o campineiro se acostume, acontecerão conflitos, faz parte. Eu acho o espaço superpositivo, mas de fato o espaço não pode beneficiar ninguém nem nenhum estabelecimento”, disse.

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Rafaela Dias