Ministro anuncia curso superior de ciências no CNPEM
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Publicado 11/05/2017 - 21h27 - Atualizado 12/05/2017 - 13h31

Por Raquel Valli

Ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, veio ontem ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) lançar o curso

Carlos Sousa Ramos/AAN

Ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, veio ontem ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) lançar o curso

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em Campinas terá um curso superior de ciências que unirá sistemas físicos com sistemas digitais. O anúncio foi feito nesta quinta-feira em Campinas pelo ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, que veio à cidade para assinar o compromisso. A graduação será gerida por meio de uma organização social (OS) — associação privada, de pessoa jurídica, sem fins lucrativos, que recebe subvenção estatal para prestar serviços de interesse público. Entretanto, não foram divulgados detalhes desse curso, nem datas, nem recursos para efetivá-lo. “O que eu posso afirmar é que toda a disposição do governo é apoiar o leque de atuação do CNPEM, que é um centro de pesquisa e de desenvolvimento de reconhecimento internacional, e que precisa ampliar também a sua atuação no campo da graduação”, disse o ministro.
O CNPEM é composto de quatro laboratórios, entre os quais, o Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS). No campus está sendo construído também o prédio que abrigará o novo acelerador de partículas do Brasil, o Sirius. “Faz sentido essa graduação estar conectada com esse campus porque os laboratórios do CNPEM trabalham no desenvolvimento de ciências, física, engenharia, tudo em um mesmo lugar”, afirmou o diretor do LNLS e do Projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva.
“Hoje em dia, de certa forma, o que você precisa é formar pessoas que aprendam a aprender, porque a tecnologia caminha de uma forma muito rápida. Você precisa desenvolver novos modelos de ensino e educação para preparar os jovens brasileiros para o mercado futuro porque é isso que o País precisa”, acrescentou o dirigente.
Sirius
O ministro da Educação visitou também o canteiro de obras do prédio que abrigará o novo acelerador de partículas do CNPEM, o Sirius — uma espécie de microscópio gigante que serve para investigar a estrutura íntima da matéria (escala de átomos). Por meio de análises com esse dispositivo, é possível desenvolver, por exemplo, um aço específico para a indústria aeronáutica, ou sementes com propriedades nutricionais peculiares.
A construção do edifício já está na metade e obedecendo o cronograma. O prédio está previsto para ser inaugurado até o começo do ano que vem, e os equipamentos instalados em meados de 2018. A abertura para os pesquisadores deve ser em 2019 e tudo deve estar pronto até 2020. No total, os investimentos devem chegar a R$ 1,8 bilhão. É um projeto com cerca de 85% de nacionalização, envolvendo empresas de grande, médio e pequeno portes com recursos da União.
“Os desafios vão desde a engenharia civil, porque é um dos prédios mais sofisticados, para não dizer o mais sofisticado já construído no País, passando por tecnologias de mecânica, de tecnologia fina, de estabilidade, de detecção de raio X, e tudo desenvolvido aqui no Brasil”, afirmou Roque da Silva.
O Sirius vai permitir que alguns experimentos sejam feitos pela primeira vez no mundo. Entre eles, por exemplo, tomografias 3D em células humanas.
"Esse acelerador coloca o Brasil em um patamar de liderança no mundo, e isso é muito importante para o desenvolvimento da ciência e conexão direta com a atividade produtiva para que a gente possa agregar valor a nossa produção, gerando empregos e ao mesmo tempo aumentando a renda da produção nacional”, afirmou o ministro.
O acelerador está sendo construído para ser a liderança mundial na Luz Síncroton (a quarta geração), à frente dos Estados Unidos e junto com a Suécia.

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Raquel Valli