O pós-Páscoa
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Publicado 16/04/2017 - 18h05 - Atualizado 16/04/2017 - 18h05

Por Tadeu Fernandes

Domingo de Páscoa, renascimento! Na casa da vovó Naná foi dia de muita festa, teve churrasco feito pelo papai Pedrão, maionese da vovó, pavê da tia Cotinha. As crianças se esbaldaram no chocolate, diga-se de passagem, sob uma temperatura de mais de 30 graus. Era um mergulho na piscina armada no quintal, um pedacinho de linguiça do churrasco, uma pitada da maionese da vovó e para arrematar tome chocolate.
As secretárias lá da clínica já sabem, toda segunda-feira pós-Páscoa é o dia da diarreia (apelido dado por elas). E o pior, esses ovos vão durar a semana inteira. Durante o período de exposição das crianças à guloseima mais querida, os pais não devem descuidar da alimentação normal e adequada. Por isso, é preciso separar a porção de chocolate para consumo e não deixar o ovo à disposição para a criança comer o quanto quiser. Menores de 2 anos não devem consumir açúcares e doces. A partir dessa idade, a quantidade recomendada é de uma porção de 55kcal por dia. Considerando apenas o consumo de chocolates como doces, se a criança ganhar um ovo de páscoa de 100g (560kcal) e consumir uma porção por dia, este ovo deverá durar 10 dias. Mas a teoria, na prática, às vezes não funciona muito bem.
Vamos ver o lado positivo do chocolate, benefícios ligados ao teor de cacau, é recomendável procurar um chocolate com maior porcentagem desse ingrediente. Embora não existam muitas pesquisas sobre o seu benefício para crianças, estudos em adultos demonstram o consumo regular do fruto associado à diminuição do risco de doenças cardiovasculares e problemas de memórias, já que o cacau contém compostos responsáveis por atividade antioxidante, anti-inflamatória, vasodilatadora e combate à obstrução arterial. Mas a Belinha queria o ovo da Princesa. Não importam a marca e a qualidade, ela queria a princesa! E aí mora o perigo, esses ovos de baixa qualidade utilizam o chocolate com muita gordura trans, péssima para saúde, o cacau passa longe desses ovos.
Vamos às dicas:
1- Optar pelos chocolates amargos ou meio amargos: o teor de cacau e os compostos fenólicos, são responsáveis pelo amargor. O chocolate amargo é o ideal e, em segundo lugar, o meio amargo. Apesar da opção ao leite ser a preferida das crianças, ela contém menos cacau e mais açúcar. O branco não é recomendável por não conter cacau. Os recheados podem conter maior quantidade de açúcares e gorduras.
2- Ensinar a criança a saborear os alimentos: quando a criança comer o chocolate é importante que esteja em ambiente agradável e não tenha distrações (como televisão ou computador). Sentir o aroma e consumir devagar, deixando o alimento derreter na boca, permitirá que a criança se satisfaça com pequenas quantidades. Além disso, vale lembrar que chocolate não é lanche e sim sobremesa.
3- Mito: reações ao chocolate. A reação alérgica ao cacau é rara. As reações, em geral, estão associadas a outros componentes presentes nos chocolates como leite, amendoim ou castanhas. O consumo em excesso de qualquer alimento rico em gordura e açúcar deve ser evitado, pelo poder em desencadear dores abdominais, diarreia, náuseas e vômito.
Pronto! E vamos trabalhar, porque já estão chegando as primeiras vítimas com vômitos e diarreia. Esta segunda feira vai ser difícil para os pediatras, mas faz parte do ofício.

Escrito por:

Tadeu Fernandes