Políticos jurássicos
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Publicado 11/04/2017 - 20h11 - Atualizado 11/04/2017 - 20h11

Por Marcos Inhauser

A votação feita na semana passada para “regulamentação” do transporte privado alternativo (Uber, 99, Cabify) foi a mais completa exibição da mentalidade retrógrada e notarialista da política brasileira. Quando havia possibilidade de se avançar nas relações de negócio entre dois parceiros (fornecedor e cliente), veio a Câmara e, com a mentalidade dos tempos dos dinossauros, decidiu pelo engessamento, cartorialização, imposição fiscal e encarecimento dos serviços. Os novos tempos trouxeram a novidade de serviços um-a-um. Aí está o comércio eletrônico feito no Facebook, no Mercado Livre e outras plataformas. Aí está o AirBnb e outros que facilitam o aluguel de casas, apartamentos, pousadas para temporadas. Aí está o Submarino Viagens e outros onde se pode comprar passagens, fazer reservas de carro e de hotel. Em todas estas plataformas houve problemas, mas eles foram dirimidos. Não há nada perfeito e nada que os bandidos não tenham uma forma de tirar proveito.
Há o serviço de táxi regular. Para se poder ter um é necessária uma licença e, para obtê-la, ou se compra de alguém que a tenha (a peso de ouro) ou se espera a abertura de novas licenças. Quando se abre, é um deus-nos-acuda para driblar os espertinhos e os que têm seus canais. Com todo este “rigor”, não se entende como uma mesma pessoa pode ter vários carros ou uma frota de táxi. Também não se entende que tipo de fiscalização existe, uma vez que abundam os táxis clandestinos, com problemas mecânicos, etc. Aparece o Uber, 99 Taxi, Cabify e outros. Eles fazem um serviço mais direto, mais rápido, menos complicado. Você liga e em prazo de 2 minutos estão te pegando. Quando você chama já vem uma estimativa de preço, o carro, marca, cor, placa e o nome do motorista, coisa que nunca tive no serviço regular de taxis. Mais: estando cadastrado, o pagamento é feito no débito no cartão, sem necessidade de papel ou assinatura. Em outras palavras: simplicidade, eficiência e transparência.
Aí vem os políticos jurássicos, pressionados pelo cartel dos que nadaram na exclusividade até hoje, que mostraram que alguns são bandidos nos atos de violência contra motoristas alternativos. Por que não desburocratizar a classe dos que mamaram toda a vida e colocá-los nas mesmas condições dos demais? Mas isto traria prejuízo porque tem placa de táxi que vale (valia) um milhão, como me contou um taxista do aeroporto. Para ter um carro ali precisava comprar uma licença. Mais: compram carro com isenção e liberar para atuarem sem caracterização seria perder esta mamata. Os políticos, por sua vez, agradaram os sindicatos da categoria e usarão da capilaridade deles nas suas campanhas políticas.

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Marcos Inhauser