Tecnologia para nós e para todosE Braille
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Publicado 19/03/2017 - 12h47 - Atualizado 19/03/2017 - 12h47

Por Fabiana Bonilha

São muito diversificados os recursos voltados ao uso de pessoas cegas, assim como são variados os modos de utilizá-los. Existem, por exemplo, algumas possibilidades quanto aos formatos de livros acessíveis: os títulos podem estar em Braille, ser gravados em áudio ou ser digitalizados. Cada pessoa, a partir de sua trajetória como leitora, tem maior predileção por um deles. Eu, particularmente, por ter sido alfabetizada em Braille, e por ter especial apreço por este sistema, prefiro ler neste formato, embora a maior portabilidade dos demais meios me faça também usufruir de seus ganhos. Mas outras pessoas cegas, para quem o Braille tenha um papel secundário, podem fazer uso prioritário dos livros em áudio ou digitais, de acordo com os recursos tecnológicos de que dispõem e conforme seus temas de interesse na literatura.
O mesmo ocorre com os leitores de tela, softwares de voz utilizados para acessar o computador. Existem algumas opções disponíveis, tanto gratuitas como comerciais. Geralmente, escolhemos um programa que seja de nossa preferência, mas no dia-a-dia utilizamos mais de um software alternadamente, conforme a ocasião em que cada leitor nos seja funcional.
Além destes programas, utilizamos tambémcomo meio de acesso ao computador a linha Braille, dispositivo que nos permite ler um texto de modo mais detalhado e preciso.
Em certas ocasiões, abrimos mão de um determinado recurso que não nos seja útil ou que possa vir a nos causar algum prejuízo. Eu, por exemplo, nunca quis fazer uso de teclados de computador com a identificação das teclas em Braille. Embora este dispositivo exista, eu me obriguei a aprender a digitar sem esta identificação , por considerar que a dependência de um recurso específico me deixaria limitada quanto ao uso de teclados comuns.
Em geral, buscamos ferramentas cuja abrangência seja a mais universal possível. Quanto menos "especial" o produto, maior a chance de ser amplo o seu uso.
Hoje em dia, nós que temos alguma deficiência felizmente estamos melhor inseridos no mundo tecnológico "comum", ao utilizarmos equipamentos disponíveis para qualquer pessoa. Alguns deles, inclusive, possuem recursos de acessibilidade, ainda que não tenham sido concebidos especificamente para nós. O acesso a aplicativos e a dispositivos comuns nos torna menos dependentes de algo que tenha sido planejado estritamente para um determinado público.
Na verdade, queremos caminhar rumo a esta universalização, fazendo com que possamos encontrar os recursos de que precisamos em locais comuns a todos.
É nosso interesse que a Tecnologia Assistiva pertença ao amplo universo tecnológico, trivial à maioria das pessoas. É importante que estes não sejam recursos especiais, segregados, disponíveis em locais restritos e a uma pequena parcela da população.
Precisamos difundir estas ferramentas, torná-las usuais e conhecidas entre pessoas com e sem deficiência.
Livros falados, celulares com softwares de voz, vídeos com audiodescrição ou rótulos em Braille necessitam sair da categoria de "coisas especiais" e passarem a ser recursos normais, encontrados em quaisquer ambientes.
Definitivamente, pessoas cegas ou com qualquer tipo de deficiência não precisam de recursos especiais nem de adaptações. Precisam, sim, de ferramentas de acesso, de equiparação de oportunidades e de igualdade na apropriação das informações.

Escrito por:

Fabiana Bonilha