Tal pai, tal filho
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Publicado 12/03/2017 - 21h02 - Atualizado 12/03/2017 - 21h02

Por Tadeu Fernandes

Quem diria! Pedrinho, o netinho da Vovó Naná, já completou 15 anos, vovó pensava que as preocupações terminariam, mas concluiu: “doutor agora são outras”.
Pedro Henrique frequentemente sai com os colegas, às vezes o encontro é em casa. Mas não é o som nem a sujeira que eles fazem, que incomodam a vovó, o problema é o que eles consomem de cerveja, e ainda acabam com o estoque do papai Pedrão.
Sim, papai sempre adorou assistir aos jogos de futebol e fazer os churrascos acompanhado da “loira gelada”. Vovó está incomodada com o Pedrinho, ainda adolescente, beber. Tem problema doutor?
Sim! Segundo dados apresentados pela Organização Mundial de Saúde o consumo de álcool excessivo no mundo é responsável por 2,5 milhões de mortes a cada ano. O percentual equivale a 4% de todas as mortes no mundo, o que faz com que o álcool se torne mais letal que Aids e a tuberculose.
O álcool é a substância psicotrópica considerada droga legal mais utilizada por adolescentes no Brasil e no mundo. Seu consumo nesse grupo é preocupante, tanto pela maior tendência à impulsividade e atividades de risco nessa fase da vida, quanto pelo prejuízo ao desenvolvimento cerebral na infância e na adolescência, determinando repercussões durante a vida adulta.
O consumo de bebidas compromete, sobretudo, a região cortical, afetando negativamente o desenvolvimento cognitivo, emocional e social do indivíduo. O uso de álcool na adolescência tende a ocorrer em conjunto com outros comportamentos de risco para a saúde, como o uso de tabaco e de drogas ilícitas, além de comportamentos de risco sexual e maior número de acidentes automobilísticos.
Um estudo revela que 39,2% dos adolescentes experimentaram o álcool em casa pela primeira vez, muitos na idade entre 12 e 13 anos, e referiam o costume de beber principalmente com amigos e familiares.
A precocidade de início do uso de álcool é um dos fatores preditores mais relevantes de problemas futuros. O consumo antes dos 16 anos aumenta o risco de beber em excesso na idade adulta, em ambos os sexos.
Em 2016, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) avaliou 74.589 adolescentes de 1.247 escolas em 124 municípios brasileiros. O ERICA verificou resultados expressivos. Neles, 20% dos adolescentes consumiram bebidas alcoólicas pelo menos uma vez nos últimos 30 dias e, desses, aproximadamente 2/3 o fizeram em uma ou duas ocasiões no período.
Entre os adolescentes que consumiam bebidas alcoólicas, 24,1% beberam pela primeira vez antes de 12 anos. Observou-se prevalência elevada de uso de álcool pelos adolescentes, assim como o início precoce
A família é o alicerce de qualquer indivíduo, uma vez que esta é responsável pela elaboração de relações primárias de convivência e a base de seu desenvolvimento, e quando essa família não está em condições de apoiar, o adolescente procura preencher essa lacuna na rua com amigos próximos e, dependendo da situação vivenciada, pode ser incentivado à experimentação e ao uso de drogas, e tudo começa pelo álcool.
O exemplo vem de casa! Como repreender Pedrinho, se Pedrão idolatra a “loira gelada”? Tal pai, tal filho!

Escrito por:

Tadeu Fernandes