Aposentadoria  sexual
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Publicado 24/03/2017 - 19h45 - Atualizado 24/03/2017 - 19h45

Por Joaquim Motta

No mundo civilizado, aumenta a preocupação com a população idosa, à medida que os mais velhos trabalham até idade bem avançada, intervindo no desemprego dos jovens, e as despesas previdenciárias vão se avolumando nos orçamentos públicos.
As últimas décadas da história política europeia, desde o fim da 2ª Guerra Mundial, revelaram que países que tiveram a esquerda na oposição, forçando o governo a proteger trabalhadores, hoje têm previdência social eficiente. Por outro lado, os que tiveram governo comunista estão com a previdência falida, pois o controle da esquerda sobre a previdência, curiosa e contraditoriamente, não funcionou.
E a situação piora com o incremento da vida média. A evolução de aspectos preventivos e terapêuticos da medicina avança aceleradamente, esticando a saúde de todos.
O processo do envelhecimento, entretanto, tem o seu decurso. A degeneração das funções dos órgãos e sistemas não para. Depois dos 40-50 anos, resumindo essa involução: cai a capacidade de visual, vêm as lentes; a massa muscular se reduz; a acuidade da audição arrefece; há atrofia de neurônios, com prejuízo mental para alguns; diminui a mineralização dos ossos, os dentes escurecem e enfraquecem; as reações de imunidade se complicam, aumentando os tumores; o sistema endócrino escasseia; a pele tem flacidez, manchas e rugas; e o sistemas cardiocirculatório e respiratório vão declinando.
A vida sexual seguiria também essa decadência? Sim, mas é possível tomar providências para manter a libido e o prazer em níveis aproveitáveis, seja qual for a ideologia política e a orientação sexual da pessoa (hetero, bi ou homossexual).
Depois do advento de produtos que facilitam a ereção, homens têm se aproximado dos 65 anos sem muitas limitações eróticas. Dos 70 em diante, aumentam as dificuldades masculinas, mas ainda assim há formas de curtir o prazer. As mulheres, apesar da menopausa, sempre têm mais facilidades na intimidade sexual.
Os pares têm que aprimorar a interação, de forma que conversem, entendam-se e assumam aptidões restantes e limitações incontornáveis.
Para a maioria heterossexual, o essencial é: 1) explorar o corpo todo, não se concentrar nos genitais; 2) abusar das carícias, beijos, aconchego; 3) recorrer a brinquedos e artefatos eróticos – o prazer com vibrador é especial, melhor ainda se o parceiro é que estiver massageando; 4) evitar consumo de facilitadores da ereção sem prescrição médica; 5) focar na qualidade e não na frequência; 6) a frase “enquanto tiver língua e dedo, de mulher não tenho medo”, é divertida mas tola – até o homem jovem não deve se restringir ao pênis; 7) sem reações sexistas, admitir que a mulher pode transar genitalmente até o fim da vida, usando um simples lubrificante, e o homem se adaptar a alternativas independentes da ereção.
O casal deve bem viver o sexo, nunca se aposentando eroticamente. O melhor mesmo é que a aposentadoria sexual seja consumada pela morte.

Escrito por:

Joaquim Motta