Publicado 18 de Março de 2017 - 9h28

Por Maria Teresa Costa

Ônibus elétrico em circulação em Campinas: além de não poluir, é silencioso e tem autonomia de 250 km

Leandro Torres/AAN

Ônibus elétrico em circulação em Campinas: além de não poluir, é silencioso e tem autonomia de 250 km

Pelo menos 10% da frota do transporte coletivo municipal de Campinas terá que ser formada por ônibus elétrico, segundo o prefeito Jonas Donizette (PSB). Até 2020, o número desses veículos sairá dos atuais 11 para 150. A definição desse percentual será uma das exigências da licitação prevista para este ano, para escolher as empresas que operarão o transporte no novo contrato de concessão. O prefeito disse, no entanto, que não vai esperar a licitação, e que começará cobrar a ampliação da frota de elétricos a partir de agora.

“A população não pode esperar a licitação para obter melhorias no serviço de transporte”, disse o prefeito essa semana, no anúncio do Plano de Metas para o período 2017-2020. Os dois processos — renovação da frota e melhoria no transporte — segundo ele, ocorrerão paralelamente. O processo de renovação é demorado, porque haverá a anulação da concorrência realizada em 2005 que definiu as empresas que operam o sistema e que deverá gerar muitos embates jurídicos, e a melhoria do serviço prestado pelas atuais empresas. “Nós vamos fazer exigências para as empresas que operam o sistema para que haja melhoria no serviço, incluindo a ampliação dos ônibus elétricos na frota.” O Correio não conseguiu contato com a direção do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da RMC (SetCamp) para comentar a exigência.

Os ônibus elétricos existentes na frota da cidade foram adquiridos em 2015 pela empresa Itajaí Transporte Coletivo, que opera na região do Campo Grande e Corredor John Boyd Dunlop. A entrada em operação ocorreu após anuência da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) ao pedido da Itajaí que, naquele ano, precisava, pelo contrato de concessão, fazer a renovação da frota.

Os veículos têm 12 metros de comprimento e piso baixo. Além de não poluir, eles têm autonomia de 250 quilômetros, são mais confortáveis para o usuário e silenciosos, segundo o fabricante, a chinesa BYD, que está produzindo os ônibus elétricos em Campinas.

O veículo, equipado com baterias de fosfato de ferro, leva 80 passageiros, sendo 22 sentados e 58 em pé e, segundo a BYD, gera uma economia de até 78% por quilômetro rodado em relação a um veículo movido a diesel.

O modelo K9 da BYD é o primeiro ônibus 100% elétrico à bateria produzido em escala comercial e o mais vendido em todo o mundo. É também o único movido pelas baterias de fosfato de ferro, a mais limpa e segura tecnologia de baterias existentes no mundo. Isso se traduz em alta eficiência energética e autonomia de 250 km por carga (o tempo para recarga pode durar de 4 a 5 horas). Os motores embutidos nas rodas proporcionam alto desempenho, acessibilidade (piso baixo), manutenção simplificada e emissão zero de poluentes. Além de Campinas, Curitiba e o Distrito Federal já operam com ônibus elétricos.

Hortolândia

Hortolândia começou a testar no início do mês o K9 (a empresa Lira está operando) e segundo a Prefeitura, se os testes tiverem resultados positivos, toda a frota será operada por elétricos. “Embora a adoção da nova tecnologia não represente de imediato redução no preço da tarifa para o consumidor final, são apontados como pontos positivos o fato de o veículo elétrico ser mais silencioso e incluir pessoas com dificuldade de locomoção, uma vez que tem piso baixo, ao nível da calçada”, diz a nota da Prefeitura.

A administração informa que se os testes tiverem resultados positivos, toda a frota municipal pode ser não poluente.

O estudo para implantação do ônibus elétrico é uma das metas da nova gestão. Caso aprovada a nova tecnologia, a ideia é que 100% da frota municipal seja de ônibus elétricos. O veículo vai ser testado por 60 dias em diversas linhas e começou na 3.32-Jd. Amanda-Terminal Metropolitano.

Escrito por:

Maria Teresa Costa