O mistério dos orgasmos femininos
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Publicado 10/02/2017 - 22h41 - Atualizado 10/02/2017 - 22h41

Por Joaquim Motta

Algumas mulheres vivenciam prazeres extraordinários numa relação sexual. Elas podem gozar por mais de 30 segundos (um gozo normal vai de 5 a 10), em uma única sensação muito prolongada, ou através dos famigerados orgasmos múltiplos. São mulheres privilegiadas no âmbito do prazer sexual, que compõem uma minoria, em torno de 10% da população feminina.
Potencialmente, porém, qualquer mulher poderia aprofundar seu conhecimento sobre o próprio corpo e sua afetividade, treinar e aprender algumas técnicas para sentir mais prazer e quem sabe entrar nesse grupo extraordinário.
Por outro lado, cerca de 30% das mulheres têm alguma dificuldade com o orgasmo. Isso pode acontecer por muitas razões. A complexidade da alma feminina é sensivelmente afetada por alterações biológicas, oscilações dos ciclos menstruais, características das diferentes fases e idades, bloqueios do desejo, inibições e isolamentos morais, perfil de timidez, ignorância anatômico-funcional, inadaptação emocional e outros fatores. Isolada ou associadamente, eles perturbam a resposta sexual feminina de modo que a excitação não prossegue até o clímax.
No entanto, não há necessidade de uma mulher desenvolver uma progressão tal que viesse a gozar pela quantidade, fixar meta de chegar aos gozos múltiplos. Ela pode ficar sexualmente muito realizada se, na maioria das suas relações sexuais, tiver um único orgasmo de boa qualidade, no clitóris ou na vagina.
A conexão erótico-afetiva é muito importante de ser avaliada. Há mulheres que jamais alcançam boa excitação se não tiverem um mínimo de ligação afetiva com o parceiro.
Nos tempos atuais, em que o sexo casual é frequente, algumas se adaptam e conseguem uma boa intimidade erótica sem afeto. Na prática, é como se exigissem um preservativo para o pênis do parceiro e uma camisinha para o seu próprio coração, desfrutando do encontro carnal sem participação sentimental.
Na oportunidade da troca casual ou na extensão de um relacionamento mais amplo e profundo, de corpo e alma, o essencial é que a mulher participe com entrega plena e decisiva.
Entregar-se de modo pleno e decisivo implica: 1) muita concentração mental e emocional no sexo - pensamentos, imaginações, devaneios e fantasias eróticas, de toda ordem, de fundo romântico e/ ou pornográfico, ocupando a cabeça à hora sexual; 2) tranquilidade sobre as expectativas de vínculos – no casual, com a camisinha no coração, jamais esperar por um futuro telefonema do parceiro; na relação de corpo e alma, crer na sequência do relacionamento sem uma certeza de fusão, ou seja, de que nunca o casal se separará; 3) aplicar dedicadamente sua energia erótica e escolhas facilitadoras do prazer, ou seja, se curte mais os dedos ou a língua do parceiro massageando a vulva do que o pênis na vagina, conduzir a relação de modo que tenha seu orgasmo clitoriano antes e, depois, oferecer a vagina para ser penetrada e favorecer o orgasmo dele.

Escrito por:

Joaquim Motta