Aplicar na Vida
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Publicado 27/01/2017 - 22h14 - Atualizado 27/01/2017 - 22h14

Por Joaquim Motta

Janeiro já está completando a segunda quinzena. Parece que o tempo vai mesmo acelerando rapidamente à medida que amadurecemos. Costumamos dizer que as pessoas maduras são as que sentem verdadeiramente o tempo correr mais depressa. Questionei recentemente um jovem de 19 anos, há poucos dias aprovado no vestibular, sobre isso. Ele me disse que, até os 18 anos, tudo foi muito lento. Agora, sentia uma aceleração incrível!
Os anos vão definindo e ampliando as características das virtudes e dos vícios. Objetivamente, em 2017, todos avançaremos na idade, alguns se submeterão às limitações do corpo, outros vencerão as proibições juvenis, surgirão irmãos mais novos, morrerão doentes crônicos, acidentes ceifarão vidas em formação, déficits circulatórios confirmarão a decrepitude de grandes idosos. O universo concreto ratifica-se na precisão dos limites.
Subjetivamente, os espíritos seguirão voos e mergulhos, reafirmando sua perspectiva adimensional, alternando pessoas ousadas e tímidas em seus devaneios e cuidados, todas elas idealizando, fabricando seus sonhos e fantasias, algumas criando mais expectativas, outras se acautelando nos temores. O mundo abstrato nutre-se do imponderável, das imprecisões.
Há pessoas experientes que se escondem na própria maturidade, inflexibilizam a alma, tendendo a fechar qualquer questão, convencidas de que definitivamente caracterizaram as qualidades e os defeitos de tudo, cada vez mais restringindo os panoramas existenciais a padrões desgastados e empedernidos. Para eles, as ruínas são confirmações das histórias: o passado subsiste, o presente resiste e o futuro não insiste.
Aqueles que armazenam experiência, conservando o espírito aberto às dúvidas, seguem os questionamentos, movimentando-se intelectual e emocionalmente entre a juventude e a maturidade, inclinados a horizontes novos, flexíveis e dinâmicos. Para eles, os escombros são peças de restaurações: o passado persiste, o presente existe e o futuro é um alpiste.
No balancete das retrospectivas das temporadas passadas e das projeções para o ano iniciado, há que se lembrar das ‘verdades inconvenientes’.
No fundo, parece que toda referência verdadeira traz alguma inconveniência, pois nós assistimos ao predomínio da mentira em muitas circunstâncias importantes do cotidiano. A hipocrisia e o cinismo têm se reciclado vigorosamente ao longo dos tempos, apesar dos esforços hercúleos das pessoas virtuosas que se dedicam a combatê-los.
Tais dedicações são muitas vezes apontadas como ingenuidade e não como virtude. Porém, ao menos intencionalmente, insistir na verdade e no amor projeta um decurso favorável para todos os homens, tanto no âmbito objetivo quanto no subjetivo.
Equilibrar o sonho com a realidade, inspirados no amor e na verdade, liberta-nos de nossos piores medos e motiva-nos a viver enfrentando os desafios, com harmonia e prazer.

Escrito por:

Joaquim Motta