As férias e ...as brigas
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Publicado 22/01/2017 - 20h41 - Atualizado 22/01/2017 - 20h42

Por Fábio Toledo

 Durante as férias escolares muitos pais se veem aflitos com os filhos em casa e, com o passar dos dias, parece que os atritos se tornam cada vez mais frequentes, tirando a paz familiar. E mesmo que seja possível alguma viagem, não raras vezes as brigas parecem ser bem mais frequentes e intensas nessas ocasiões do que durante os meses de aulas e trabalho.
De certo modo, algo de semelhante, ainda que com outras proporções, pudemos verificar nas comemorações de final de ano. Não raras vezes, aquilo que deveria ser uma festiva e alegre celebração, converte-se em fonte de intrigas e maledicências. É o caso da cunhada de quem se diz que não ajuda na preparação da ceia, é o cunhado, o tio ou o irmão que bebe demais e incomoda os outros. Diante disso, essas épocas podem acabar se convertendo num pesadelo.
Não convém fazer grandes tragédias, talvez pensando que somente acontece nas nossas famílias. Na verdade, não é assim. Com maior ou menor intensidade, quase todas enfrentam problemas semelhantes.
Quando se intensifica o tempo de convivência, aumenta-se a zona de atrito. Isso é natural. Durante os meses de aulas e trabalhos, há uma rotina que reduz a convivência familiar. Com os filhos em casa – ou, como dizíamos, nos dias de festa – aumenta-se o tempo que se passa juntos, de modo que é comum que se depare com comportamentos dos outros que nos aborrecem.
Mas se isso é natural, há atitudes que podem ser tomadas para reduzir os conflitos. Mais ainda, que façam com que eles sejam oportunidades educativas para os filhos e que reforcem os vínculos familiares.
Para isso é necessário que sejamos muito sinceros. Infelizmente, nós brasileiros somos em geral suscetíveis. Há que se medir as palavras para não magoar, de modo que não raras vezes deixamos de falar aos nossos parentes, amigos e filhos o que não está bem no comportamento deles. E, lamentavelmente, criticamos pelas costas os seus defeitos.
No entanto, haveríamos de fazer o contrário. Se algo não está bem nessas pessoas com quem convivemos, deveríamos corrigi-las, com delicadeza, no momento oportuno e com retidão de intenção, ou seja, buscando o bem delas e não simplesmente que não nos incomodem. Por outro lado, o respeito à honra e à dignidade dessas pessoas impõe-nos que jamais as critiquemos pelas costas. Essa atitude mexeriqueira e maledicente é um veneno que mata a paz e a harmonia nas relações humanas, em especial no ambiente familiar.
Em algumas famílias, os pais, talvez com o propósito de evitar atritos, evitam os jogos coletivos ou mesmo que brinquem juntos, e permitem que cada filho fique no seu smartphone, que cada um tenha a própria TV e videogame no quarto. E então se criam várias ilhas dentro da própria casa, onde não se convive, mas simplesmente se coabita. Com isso, porém, criamos pessoas egoístas, incapazes de se sacrificar pelos demais, destreinados para os necessários embates com que se depararão no convívio social.
Conta-se de um comerciante de canela, que comprava o produto em ramos e, graças a um moinho de pedras, as reduzia a um finíssimo pó. Um dia, porém, o moinho parou de funcionar. As pedras haviam se desgastado e era preciso importar outras da Alemanha. Passou o tempo e a encomenda não chegava. Um amigo, vendo-o triste, aconselhou-o que fosse a uma montanha buscar umas pedras, que as encaixasse no moinho e que durante vários dias, as fizesse girar e girar sem colocar ainda a canela. Assim o fez e, ao final de quinze dias, comprovou que as rochas, de tanto se chocar umas com as outras, adquiriram o formato ideal, tornando-se aptas a exercer a sua função.
O mesmo pode se dar com os embates que surgem no convívio familiar. Podemos utilizá-los para forjar as virtudes nos nossos filhos, formando neles uma personalidade forte e madura, apta a desempenhar a sublime missão que lhes foi confiada.

Escrito por:

Fábio Toledo