Natal será só consumismo?
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Publicado 05/12/2016 - 22h20 - Atualizado 05/12/2016 - 22h21

Por Messias Martins

Então é Natal. A data cristã celebrada por grande parte dos brasileiros costuma, na teoria, propagar o espírito natalino carregado de solidariedade e senso de comunhão. Porém, outro espírito permeia cada vez mais essa época do ano: o consumismo.
Será que quando se tornarem adultas as crianças de hoje irão se lembrar dos momentos em reunião com familiares e amigos ou apenas do brinquedo que ganharam ou deixaram de ganhar? O Natal perdeu sua essência? Afinal, qual é o verdadeiro significado dessa data?
Para muitos cristãos, não somente para os católicos, vivemos o Tempo do Advento da espera do Senhor, que vem para nos amar e nos redimir. É tempo da graça. É tempo do Kairós divino. Mais esse tempo de “graça” não é tão de graça assim, pois é um período em que somos motivados pelas propagandas a consumir mais e mais. Desde o Black Friday até depois do Natal.
Somos levados a buscar a felicidade no consumo de coisas que passam, e não como reza a oração, nas coisas que não passam. O Papa em uma entrevista do dia 11 de novembro passado disse que: “Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não”. O Papa ainda almeja, que os movimentos populares espalhados pelo mundo entrem na política, “mas não no político, nas lutas de poder, no egoísmo, na demagogia, no dinheiro, mas na política criativa e de grandes visões”. O comunismo, tal como o cristianismo, prega a plena igualdade entre todos os membros do grupo.
Frei Betto, um dos responsáveis pela disseminação da teologia da libertação no Brasil, escreve: “a história do Cristianismo primitivo tem notáveis pontos de semelhanças com o movimento moderno da classe operária. Como este, o Cristianismo foi em suas origens um movimento de homens oprimidos: no princípio apareceu como religião dos escravos e dos libertos, dos pobres despojados de todos os seus direitos, dos povos subjugados ou dispersados por Roma.
Certa vez, ouvi no rádio uma propaganda de um shopping que dizia que esse era o momento de transformar os nossos sentimentos em presentes. E, na verdade, deveríamos fazer exatamente o oposto, deixar um pouco de lado a superficialidade dos presentes para entrarmos verdadeiramente em contato com nossos familiares num ritual com maior significado.
No Natal, devemos nos preocupar mais com estar presente do que dar presente.

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Messias Martins