Pokémon GOMessias Martins
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Publicado 22/08/2016 - 20h52 - Atualizado 22/08/2016 - 20h53

Por Messias Martins

Sapeando pelo Facebook deparei-me com esse título: “Igreja Católica quer aproveitar o interesse dos jovens pelos bichinhos virtuais” http://www.paulopes.com.br/. Não sei até que ponto essa afirmação é verídica, pois a internet é uma terra sem regras claras, para afirmar com certeza que algo é de fato real.
O certo é que o conteúdo dizia que a Arquidiocese de São Paulo surpreendeu ao estimular no seu perfil do Facebook os jovens a jogarem o Pokémon GO dentro das Igrejas e em suas imediações, embora “evitando excessos e com orientação positiva”. Eles dão ainda algumas dicas quando forem a caçar dos bichinhos: “Que tal fotografar algo nesta Igreja que você tenha gostado?” Caso esteja havendo uma Missa. “Neste intervalo, que tal participar da celebração?”. O texto ainda afirma que os evangélicos e islâmicos de diferentes países acreditam que o joguinho que se tornou febre mundial é instrumento de Satanás.
A campanha acabou tendo uma recepção mista: de um lado pessoas apontaram que isso faria com que jovens se aproximassem das Igrejas. Já outros seguidores do perfil se mostraram contra, apontando que Igrejas e Cemitérios seriam lugares que demandam “mais respeito”. Será que, o Pokémon GO não seria uma oportunidade de interação entre as paróquias e os jovens que se afastaram das Igrejas? Pois bem, São Paulo na Carta aos Coríntios, 9,22 diz: Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. Paulo disse que ele se torna tudo para todos os homens e usa todos os meios para ganhar alguém. Para aqueles que estão debaixo da lei, ele falava como se estivesse debaixo da lei, para os judeus, ele se fez um judeu. Creio eu, que ao jogador de Pokémon, Paulo se tornaria um jogador de Pokémon... Mas afinal o que podemos concluir?
Bem sabemos que a alma humana precisa de entretenimento, de descanso, assim como o nosso corpo pede repouso após um dia fatigante. São Tomas de Aquino, na Suma Teológica, (II-II, q. 168, a. 2). Relata que um autor espiritual chamado João Cassiano ilustra o caso com um episódio da vida do apóstolo São João. “O bem-aventurado João Evangelista, ao ver que alguns se escandalizavam de o ver jogando com seus discípulos, mandou um deles, que trazia consigo um arco, disparar uma flecha. Depois que ele repetiu isso muitas vezes, o santo perguntou-lhe se poderia fazê-lo continuamente. O outro respondeu que, se assim procedesse, o arco se quebraria. O apóstolo então observou que, da mesma forma, a alma humana se romperia se jamais relaxasse a sua tensão.
Nosso coração se inquieta continuamente, enquanto não repousar em Deus afirma Santo Agostinho. Alguém já afirmou que: É nesta sede insaciável do ser humano que se encontra, de fato, o grande segredo do sucesso de Pokémon GO. “Se dás muito tempo ao jogo”, adverte São Francisco de Sales, “ele já não é um divertimento, mas fica sendo uma ocupação”. Quando passamos a vida diante de uma tela de celular à procura de ínfimas glórias virtuais, o tempo escorre por nossas mãos, esvai-se, e acabamos desperdiçando o dom preciosíssimo da vida que nos foi confiada por Deus.
Mas não vamos nos iludir pois o objetivo de atrair pessoas com o jogo não está apenas nas Igrejas. De acordo com o jornal britânico Financial Times, instituições e empresas irão utilizar o jogo para encorajar jogadores a visitarem lojas e edifícios. Na Alemanha, o clube de futebol Wolfsburg, da 1ª divisão, criou um tour por seu estádio para que jogadores de Pokémon GO capturem os personagens e conheçam as instalações do clube. O tour custará 5 euros.

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Messias Martins