Plano prevê radar e sensores para previsão de tempestades Campinas e RMC
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Publicado 01/07/2016 - 21h45 - Atualizado 01/07/2016 - 21h49

Por Gustavo Abdel

Destroços no Colégio São José, no Taquaral, um dos lugares mais atingidos pelo temporal do início de junho

Leandro Ferreira/6jun2016/AAN

Destroços no Colégio São José, no Taquaral, um dos lugares mais atingidos pelo temporal do início de junho

O Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) espera colocar em funcionamento, em agosto, um radar meteorológico de dupla polarização, capaz de detectar com até seis horas de antecedência eventos climáticos severos e inesperados, como o que o do início de junho, arrasando parte da cidade.
Além do radar, que será instalado no campus da universidade, sensores de raio com capacidade de captar a formação de descargas elétricas dentro das nuvens em até 20 quilômetros serão colocados em Indaiatuba, Itatiba, Americana, Santo Antônio de Posse, Tuiuti e Campinas (Unicamp), para acompanhamento e formação de nuvens, tais como as que possuem potencial para formarem fenômenos intensos.
O projeto denominado de SOS Chuva foi aprovado no final do ano passado e recebeu R$ 3,5 milhões de financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Segundo a diretora do Cepagri, Ana Ávila, além do radar e dos sensores, serão espalhados detectores de granizo, quatro estações hidrológicas completas (duas em Campinas, e outras em Limeira e Piracicaba) — com transmissão de dados em tempo real e até fotografia dos rios —, 30 pluviômetros automáticos e um anemômetro sônico para estudar ventos intensos na área urbana, que será instalado no próprio radar.
“O SOS Chuva contará com a parte de modelagem de previsão de tempo a curto prazo, com previsão de até seis horas de antecedência. Também teremos a parte de integração com satélites meteorológicos. Esperamos que até o final de agosto tudo esteja funcionando e operacionalizado”, disse a diretora do centro. O projeto foi realizado em parceria com a Universidade de São Paulo e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A intenção é instalar um canal de interatividade com a população, onde aqueles que se cadastrarem terão a possibilidade de mandar fotos e vídeos, através do site do Cepagri. A duração de coleta dos dados com o radar de será de dois anos. Ana Ávila reforçou a importância de adquirir um equipamento similar depois desse prazo, para continuar captando com precisão e antecedência grandes eventos atmosféricos. “Esse é um sistema inovador no Brasil, a integração de todos esses sensores que serão instalados aqui na Unicamp. Esse projeto vai de encontro com todas as agendas internacionais.”
Fenômeno
A pesquisadora Ana Ávila defende que o fenômeno que abateu parte de Campinas foi uma microexplosão (fortes chuvas que espalham ventos por um perímetro). Durante um debate realizado na manhã desta sexta-feira (1º), no Salão Azul da Prefeitura, organizado pelo deputado federal Luiz Lauro Filho (PSB), Ana mostrou imagens de satélite que mostraram o deslocamento do fenômeno, em uma extensão de 25km. De acordo com os dados, o ápice do evento aconteceu entre meia-noite e vinte minutos e meia-noite e meia. “Tivemos até 60 raios por minuto, eu um espaço de tempo de 20 minutos.”
Por outro lado, a geógrafa e professora do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luci Hidalgo Nunes disse que certificou-se de que se tratava de um tornado há dois dias, após ver imagens de radares onde mostram, entre outros elementos técnicos, uma célula com mais de 16km de extensão com rotação, ou seja, um forte indicativo de tornado. Segundo ela, as torções em galhos de árvores e o arremesso de objetos são características desse fenômeno.

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Gustavo Abdel