Um box para chamar de seuMetrópole
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Publicado 11/06/2016 - 18h42 - Atualizado 13/06/2016 - 15h49

Por Thaís Jorge

César Rodrigues

"Muitas pessoas com um tanto de coisas acumuladas em casa, sem lugar para guardar, não sabem que existe um lugar que oferece o aluguel de boxes de uma maneira tão segura e profissional." - Patrícia Queiroz, da Guarde Sempre

A palavra estampada na fachada pode confundir alguns não muito familiarizados com termos estrangeiros, mas a funcionalidade escondida no significado dela é praticamente universal. Quem, afinal, já ouviu falar em self storage? Ao pé da letra, seria algo como um autosserviço de armazenagem. E a levada vai exatamente por aí. São móveis, ferramentas, documentos, brinquedos, roupas e o que mais a imaginação e a necessidade permitirem entrando nos galpões de armazenamento personalizados, que se espalham cada vez mais rápido pelas grandes cidades.
Foto: Divulgação
"Grande parte da evolução que temos hoje no setor veio após a criação da associação, em 2013, inclusive com a abertura de novas marcas. A falta de conhecimento sobre a atividade é um dos nossos maiores desafios." - Flávio Del Soldato Júnior, presidente da asbrass
"Grande parte da evolução que temos hoje no setor veio após a criação da associação, em 2013, inclusive com a abertura de novas marcas. A falta de conhecimento sobre a atividade é um dos nossos maiores desafios." - Flávio Del Soldato Júnior, presidente da asbrass
A praticidade dita as regras para quem aposta em utilizar os serviços oferecidos por esse tipo de operação, já considerada uma atividade imobiliária classificada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que conta com 150 empresas no Brasil. A informação é do presidente da Associação Brasileira de Self Storage (Asbrass), Flávio Del Soldato Júnior. “Grande parte da evolução que temos hoje no setor veio após a criação da Asbrass em 2013, inclusive com a abertura de novas marcas. A falta de conhecimento sobre a atividade, no entanto, ainda é um dos nossos maiores desafios”, observa. Ele conta que a atividade de self storage iniciou seu desenvolvimento nos Estados Unidos na década de 60, chegando ao Brasil em 1993, mais especificamente em São Paulo.
Foi exatamente por ouvir falar da experiência norte-americana no ramo que o empresário Carlos Eduardo Queiroz, de Campinas, conheceu a atividade. Ele e a filha, Patrícia Queiroz, administram desde o final do ano passado a Guarde Sempre, no Centro da cidade. Na opinião de Patrícia, esse é um mercado ainda novo no País, especialmente na região. “Muitas pessoas com um tanto de coisas acumuladas em casa, sem lugar para guardar, não sabem que existe um lugar que oferece o aluguel de boxes de uma maneira tão segura e profissional”, diz. “O nome, às vezes, ainda afasta as pessoas, por não saberem o que significa. Porém, quem já descobriu, não troca o serviço de armazenamento por nada”, pontua. Segundo ela, os boxes da empresa são cobertos, para que não haja poeira entrando em frestas, garantindo a boa conservação da mercadoria.
Mas, como funciona, afinal? É simples. Apenas portando um documento como comprovante, é possível alugar um ou mais boxes dentro de um galpão com segurança 24 horas. Neles podem ser guardados aqueles móveis que não cabem na casa temporária, a pilha de documentos do escritório, os objetos antigos mas ainda úteis que aparecem a torto e a direito no meio de uma reforma, roupas da estação passada, brinquedos e mais uma porção de coisas. A empresária revela, aliás, que a necessidade de acabar com o quartinho da bagunça na própria família foi um dos motivadores para o início da empreitada. “Minha mãe tinha móveis em casa que não estavam mais sendo usados e não havia mais onde colocar. E eram coisas familiares, que tinham uma história. Ela não queria se desfazer delas, simplesmente. Então pensamos na self storage e a ideia amadureceu até inaugurarmos aqui. Hoje, ela tem um box com as coisas dela, inclusive”, brinca.
Foto: Família Coelho Studio
    "Não é preciso se comprometer com prazo. Assim que o box for desocupado, a locação se extingue. Temos clientes que estão conosco há dez anos e outros que o utilizam apenas por alguns dias." - José Mário Oliva Filho, sócio da Guarda Tudo
"Não é preciso se comprometer com prazo. Assim que o box for desocupado, a locação se extingue. Temos clientes que estão conosco há dez anos e outros que o utilizam apenas por alguns dias." - José Mário Oliva Filho, sócio da Guarda Tudo
Para o coordenador de produtos Alex Cuellas, primeiro cliente da Guarde Sempre, a descoberta do lugar foi ao encontro do que ele buscava. “Eu conheci esse serviço pesquisando um mês antes de eles inaugurarem. Morava em uma casa, mas tinha muitas coisas no apartamento da minha mãe. Eram ferramentas, maletas com furadeiras, materiais de encanamento etc. E são objetos que você não vai jogar fora, mas também não vai usar sempre. Aí passei em frente à loja e vi que era guarda volume. Não tive dúvidas em alugar um box. Foi a melhor coisa que fiz porque ao mesmo tempo em que guardei, deixei tudo organizado e em um lugar seguro”, diz.
“Grande parte da evolução que temos hoje no setor veio após a criação da associação, em 2013, inclusive com a abertura de novas marcas. A falta de conhecimento sobre a atividade é um dos nossos maiores desafios.”
Foto: ISTOCK
Empresas especializadas em guarda personalizada facilitam a rotina dos clientes
Empresas especializadas em guarda personalizada facilitam a rotina dos clientes
 Do empresário ao estudante
A diversidade de necessidades atendidas pela atividade de self storage é um dos pontos fortes do mercado. Pelo menos essa é a visão de Januário de Pardo Mêo Neto, sócio da Extra Espaço, também de Campinas. Segundo ele, o serviço é procurado tanto por pessoas físicas quanto jurídicas e atrai desde estudantes – que armazenam livros, móveis e objetos para poderem, por exemplo, morar em quitinetes menores e gastarem menos – até noivos, que optam por locar o espaço para armazenar a infinidade de presentes de casamento que ganharão ou móveis que estão adquirindo para o futuro lar, e casais que guardam móveis durante períodos de reforma nas residências.
Entre as pessoas jurídicas, a variedade também é grande. “Temos desde grandes empresas que utilizam os boxes como estoques regionais de mercadorias a contadores e advogados que possuem uma imensidão de papéis e documentos que precisam ser guardados por longos períodos, clínicas, escritórios e profissionais autônomos”, informa Neto. “É uma versão mais atual e prática dos guarda-móveis, onde o cliente deixa os móveis com a empresa, que armazena como e onde querem e os clientes não possuem acesso livre. Nos self storages, os espaços são privativos e protegidos, o cliente escolhe o tamanho que precisar e ele mesmo tranca. Só ele fica com a chave”, explica.
Foto: Marcio Fernandes
"Uma pessoa guardava um sofá furado, que era da casa do avô, mas não abria mão porque tinha sido responsável, quando criança, pelo furo." - Allan Paiotti, CEO da Guarque Aqui
"Uma pessoa guardava um sofá furado, que era da casa do avô, mas não abria mão porque tinha sido responsável, quando criança, pelo furo." - Allan Paiotti, CEO da Guarque Aqui
De acordo com Allan Paiotti, CEO da Guarde Aqui, uma das maiores empresas do ramo no País, a atividade é procurada também por gente que vai passar uma temporada no Exterior. Fora os casos mais comuns, há situações peculiares que ficam guardadas na memória. “Teve o caso de uma pessoa que guardava um sofá furado, que era da casa do avô, mas que ele não abria mão porque tinha sido responsável, quando criança, pelo furo. Há pessoas que guardam triciclos e berços dos filhos, por questões afetivas. Também é curioso um episódio de um cliente que era colecionador de livros e, um belo dia, diante da falta de espaço na residência, a esposa determinou que ou a biblioteca saía de casa ou ela colocava o marido com a biblioteca para fora. Ele optou por transferir os livros para um box do Guarde Aqui”, conta.
A empresa, que teve sua primeira unidade no Brasil na cidade de São Paulo, foi aberta por um empresário cubano em parceria com um fundo de investimentos de Miami, em 2005. A primeira unidade foi instalada no bairro da Lapa. Em 2011, a Equity International, fundo de investimento imobiliário liderado pelo investidor Sam Zell (ex-controlador da Gafisa), adquiriu o controle do Guarde Aqui e decidiu levar adiante o plano de profissionalização da empresa e de expansão dos negócios, prevendo até 2019/2020 atingir um total de 50 unidades em operação – isso deve consumir investimentos da ordem de R$ 1 bilhão.
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', 'cd_tetag': '21', 'cd_midia_w': '600', 'cd_midia_h': '390', 'align': 'Left'}O grande desafio, para Paiotti, é a divulgação da atividade. “Como se trata de um conceito bastante novo, o desafio está em tornar o self storage mais conhecido entre os consumidores e fazer com que eles considerem essa opção para resolver o problema de falta de espaço. Quando a pessoa conhece o grau de segurança envolvido, a facilidade e a flexibilidade da contratação e, principalmente, a privacidade ele se torna um consumidor”, opina. “É importante lembrar que existem regras sobre o que pode ser guardado: é proibido guardar inflamáveis, seres vivos e produtos ilícitos”, frisa o CEO da empresa.
 
Sem perrengue e com segurança
Para José Mário Oliva Filho, sócio da unidade campineira da Guarda Tudo, a segurança e a privacidade oferecidas pelo self storage são as principais vantagens do serviço, que atrai os mais diversos clientes. “São empresas arquivando documentos, representantes comerciais utilizando seu box como centro de distribuição, lojistas armazenando estoques sazonais e mais uma porção de casos”, conta.
Ele afirma que a segurança no local é feita com câmeras de monitoramento, gravação remota de imagens, sistemas de alarme, cerca eletrificada e controle eletrônico de acesso de pessoas, além do contrato de seguro, disponível para cada box individualmente. Segundo Filho, outro ponto positivo da atividade é que não é preciso que o cliente se comprometa com prazos. “Assim que o box for desocupado, a locação se extingue. Temos clientes que estão conosco há dez anos e outros que o utilizam apenas por alguns dias”, pontua.
Além de facilitar a rotina, já houve até ocasião em que os boxes salvaram o cliente de um perrengue. “Lembro de uma pessoa que estacionou seu caminhão de mudanças vindo do Rio de Janeiro em frente ao nosso estabelecimento e, num estado de desespero, disse que havia sido transferido pra cá por sua empresa”, conta. Na hora de descarregar tudo em seu novo apartamento, o rapaz foi impedido por um problema na documentação do negócio do imóvel. E pior: naquela noite ele precisava viajar para o Exterior. “Foi quando o motorista da transportadora que o atendia sugeriu nossa empresa. Em poucos minutos, toda a mudaça estava armazenada em segurança em um box, por ele mesmo trancado”, lembra Filho.
 

Escrito por:

Thaís Jorge