Publicado 09 de Junho de 2016 - 19h56

Confusão durante visita da presidente afasta na cidade

Edu Fortes/AAN

Confusão durante visita da presidente afasta na cidade

O clima de rivalidade entre apoiadores de Dilma Roussef e grupos contrários ao PT marcou a visita da presidente afastada a Campinas nesta quinta-feira (9). Dilma chegou na cidade pela manhã para visitar o Projeto Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e depois seguiu para um encontro com intelectuais em um condomínio fechado na região do Gramado. Manifestantes contra e a favor da petista fizeram plantão no local e houve tumulto.

O PT fretou um jato particular para a viagem de Dilma — a petista teve pedido de usar o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) negado pelo governo interino de Michel Temer (PMDB).

Manifestantes contra e a favor da  presidente afastada Dilma Rousseff (PT) aguardam chegada em condomínio

Dilma não discursou durante a visita ao projeto, nem falou com a imprensa. A presidente afastada, porém, ficou à vontade no almoço feito em sua homenagem na casa do físico e diretor do CNPEM, Rogério Cezar de Cerqueira Leite. “Nós temos que recuperar não só o meu mandato, mas reconstruir a democracia neste País. O partido que era de centro virou de direita. Ele se transformou em um partido de direita em sua hegemonia”, disse Dilma, se referindo ao PMDB.

“E a hegemonia dele (PMDB) está nas mãos de um ser chamado Eduardo Cunha (presidente afastado da Câmara), que tem pauta própria. E a pauta dele é conservadora para mais de metro”, continuou. O Conselho de Ética da Câmara deve analisar na próxima terça-feira o relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que recomenda a cassação do mandato de Cunha. Dilma disse ainda que “há um golpe no Brasil”. “O golpe foi dado por vários motivos, mas dois são muito claros. Um deles foi estancar a sangria e impedir que as investigações (da Operação Lava Jato) chegassem nele. O outro foi para implantar um projeto que não teve votos.”

Nos vídeos feitos por pessoas que participaram do almoço, Dilma não comentou as declarações do lobista Zwi Skornicki. Ele falou a investigadores da Lava Jato que foram pagos R$ 4,5 milhões em propinas ao publicitário João Santana para caixa 2 da campanha presidencial petista de 2014.

O almoço começou às 13h e Dilma ficou no local até as 15h30. O evento teve a presença de intelectuais como o jornalista e escritor Fernando Morais, o compositor e poeta Paulo Sérgio Pinheiro, o diretor e ator José Celso Martinez Corrêa, o jornalista Juca Kfouri, e lideranças campineiras do PT, como Márcio Pochmann, cotado para ser o candidato da legenda na corrida municipal, e o presidente do diretório local, Casemiro Reis.

Buzinaço

Dentro do condomínio, a maioria dos moradores fez buzinaço e bateu panelas contra Dilma em frente à casa de Cerqueira Leite. Os manifestantes pediam para a presidente afastada, que sofre processo de impeachment, renunciar. Uma das manifestantes anti-PT, Camila Ferreira Alves, disse que ela e sua mãe foram agredidas verbalmente por ativistas pró-Dilma. “Xingaram a minha mãe de tudo quanto é nome. Ela (Dilma) não tem vergonha na cara. Tenho certeza que é um almoço pago com o nosso dinheiro. Ela tem que renunciar.” A aposentada Dagmar Canguçu, de 90 anos, também moradora do condomínio, foi a única no local que estava na porta de Cerqueira Leite para apoiar Dilma. “Ela não roubou nada dos cofres públicos. É uma mulher como eu, que não merece ser castigada desse jeito. Eu a considero uma pessoa muito humana.”

Sirius

Dilma chegou ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que integra o CNPEM, às 11h, onde visitou o Sirius. O projeto de fonte de luz síncrotron, de quarta geração, que será a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no País, começou a ser construído no final do primeiro mandato de Dilma, mas ela nunca havia visitado as obras.

Alguns dos pesquisadores receberam a presidente com rosas vermelhas, mas outros não a cumprimentaram. O diretor do LNLS, Antônio José Roque da Silva, disse parte do investimento bilionário do projeto já está garantido, e que não há razões para crer que ele será paralisado pelo governo interino Michel Temer (PMDB). “O projeto tem empenhado um terço do seu recurso, mas o resto deve ser negociado ano a ano. Mas ele já está no PPA (plano plurianual do Ministério da Ciência e Tecnologia), no valor de R$ 1,3 bilhão, que cobre até 2019. E deve cobrir todo o projeto.” A previsão é que a fonte de luz síncrotron comece a funcionar em 2018.