Publicado 07 de Maio de 2016 - 19h53

Por Maria Teresa Costa

Ilustração em 3D mostra como seria a fachada do Teatro de Ópera

Cedoc/RAC

Ilustração em 3D mostra como seria a fachada do Teatro de Ópera

A Prefeitura de Campinas adiou pela quarta vez a concorrência para a escolha da empresa que construirá o Teatro de Ópera Carlos Gomes, no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim. A abertura das propostas, que estava marcada para dentro de um mês, foi suspensa por causa de questionamentos de empresas interessadas em tocar a obra, conforme publicação no Diário Oficial da última sexta-feira. Com os adiamentos, o teatro só deverá ser concluído em 2018, se não houver novas interrupções.

A resposta a um dos questionamentos deverá levar à revisão da planilha de custos e a um possível encarecimento da obra, segundo o secretário de Administração, Silvio Bernardin. Uma das empresas questionou o preço do aço na planilha de custo. Desde março do ano passado, a Prefeitura tenta levar adiante o certame, período em que chegou a anular o processo porque foram constatados problemas no projeto básico e na planilha orçamentária. Não há prazo para a retomada da licitação.

A Prefeitura anulou a concorrência em setembro do ano passado e abriu nova licitação em março, prevendo a abertura das propostas para o dia 25 de abril, mas acabou alterando o edital e fixou nova data para 7 de junho, que agora está suspensa. Nesses adiamentos e alterações houve necessidade de atualizar a planilha de custos e assim, a obra e os equipamentos, que custariam R$ 83 milhões, passaram para R$ 89,7 milhões. Desse total, R$ 80 milhões virão do governo do Estado e o restante virá de recursos de termos de ajustamento de condutas (TAC) que serão direcionados para compor o orçamento da obra. Quando o contrato for assinado, o prazo de execução será de 22 meses.

Mudanças feitas no projeto original reduziram o custo da obra, que estava estimada em 2014 em R$ 80 milhões para R$ 73 milhões — a diferença será utilizada para melhor equipar a sala e suprir eventuais atualizações inflacionárias no período. A Prefeitura redimensionouo projeto e mesmo com uma redução de 3 mil metros quadrados, a capacidade da sala de espetáculo foi aumentada de 1.200 para 1.250 lugares. A alteração foi necessária para a adaptação do projeto aos recursos que serão disponibilizados pelo governo do Estado. Com a retirada dos 3 mil metros quadrados, o teatro passará a ter 9 mil metros quadrados. Para isso foram reduzidos espaços nas áreas de circulação e no foyer — área externa dos auditórios, definido por ser o local ideal para pequenas exposições e coquetéis.

Assim, o projeto da edificação é o mesmo, só com tamanho mais reduzido e com a preservação do tamanho da sala de espetáculo. Ela também sofreu mudanças internas para ganhar melhorias acústicas e de qualidade técnica. Havia muitas cadeiras mortas na plateia (locais em que o expectador não teria uma visão completa do palco). No projeto original, o palco tinha estilo elizabetano — em que o público o circunda por três lados — e foi alterado para estilo italiano, com ganho de profundidade.

O projeto arquitetônico foi elaborado pelo arquiteto Carlos Bratke, que fez as adaptações pedidas pela Secretaria Municipal de Cultura. A edificação contará com camarins, coxia, cabines para imprensa, camarotes, sanitários, saídas de emergência e estacionamento, além de uma acústica especial para a apresentação de óperas. O palco, de aproximadamente 310 metros quadrados, terá dois espaços abertos em sua parte inferior. O projeto ainda possui outros seis pavimentos: quatro superiores e dois pisos técnicos. O local escolhido para construir o teatro fica em frente ao estacionamento do parque e será complementado com um paisagismo seguindo o projeto de Burle Marx.

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Maria Teresa Costa