Publicado 05 de Abril de 2016 - 20h53

Por Alenita Ramirez

Protesto de taxistas contra o Uber em frente à Prefeitura na última segunda-feira

Dominique Torquato/AAN

Protesto de taxistas contra o Uber em frente à Prefeitura na última segunda-feira

Uma orientação da Empresa Municipal de Desenvolvimento (Emdec) para que taxistas fotografem placas dos carros do Uber acirrou os ânimos entre a categoria e os motoristas que prestam serviços ao aplicativo. Um grupo de ao menos 50 pessoas das duas categorias foi parar no 4º Distrito Policial (DP), do bairro Taquaral, depois de um taxista ter fotografado e seguido um carro do Uber. Houve bate-boca e ameaças. A Polícia Militar (PM) precisou usar spray de pimenta para separar os envolvidos. Ninguém foi preso. A situação só foi resolvida cerca de três horas depois. Foi registrado um boletim de ocorrência não criminal e todos foram dispensados.

O presidente do Sinditáxi, Jorge de França, disse que os taxistas ligaram por mais de dez vezes para a Emdec, pedindo apoio, mas ninguém compareceu no local.

A confusão teria começado por volta das 17h de segunda-feira (5), depois que um taxista de Barão Geraldo flagrou um passageiro entrando em um Nissan Versa. De acordo com França, a orientação da Emdec é para que os taxistas façam imagens da operação do Uber e enviem os documentos por intermédio do aplicativo Colab.

Com esta orientação, o taxista passou a seguir, fotografar a placa do veículo e filmar o Uber até o fim do percurso, na mesma região. Após desembarcar o passageiro e ao perceber que era filmado, o Uber parou o carro foi tirar satisfação com o taxista. Houve um bate-boca e, neste momento, apareceu uma viatura da PM. O Uber chamou os policiais e informou sobre a suposta perseguição. “O taxista explicou para o policial sobre a orientação da Emdec. O Uber não gostou e chamou uns 10 deles no local. Houve bate-boca e a polícia decidiu levar todo mundo para a delegacia”, contou França.

Pelo menos outros 40 Uber teriam ido até ao DP para apoiarem os colegas. O taxista também chamou por WhatsApp, colegas da categoria que compareceram em massa na delegacia. Houve tumulto e durante a discussão, segundo a polícia, alguns homens chegaram ameaçar de morte um ao outro. “Os taxistas estão revoltados. Eles trabalham legalizados, pagam imposto e tudo mais. Com a operação do Uber, os taxistas registraram uma perda de 80% dos serviços. Quem fazia dez corridas na noite, hoje faz no máximo três. Sem contar que os Uber ainda zombam da nossa cara. O poder público tem que tomar providências, antes que essa briga termine em tragédia”, disse o sindicalista.

Depois da confusão, os taxistas chegaram a ameaçar fechar a Rodovia Santos Dumont na manhã de terça-feira (5), mas a sugestão foi desaprovada pelo presidente do sindicato que pediu um tempo até sexta-feira. “Sou contra as paralisações, pois elas atrapalham a vida do trabalhador que não tem nada com tudo isso. Mas se nada for feito pela Prefeitura, vamos ter que partir para o protesto. Pedi uma reunião com o Vandão (o secretário de Relações Institucionais, Wanderley de Almeida) e estou esperando”, falou França. “A Emdec está fiscalizando, mas no período noturno não tem, e é o período em que o aplicativo Uber opera mais”, afirmou. 

Em nota, a Emdec informou que “lamenta o incidente e que é contrária a qualquer tipo de ato que incite a violência e coloque em risco a segurança de passageiros e motoristas, tanto do sistema de táxi como credenciados no Uber”. A empresa ainda disse que apura o caso para identificar se há alguma falha de procedimento e que se for constatada irregularidade, a situação será corrigida.

A assessoria de imprensa do Uber informou através de nota que o “Uber defende que os usuários têm o direito de escolher o modo como desejam se movimentar pela cidade e que os motoristas parceiros têm que ter seus direitos constitucionais de trabalhar (exercício da livre iniciativa e liberdade do exercício profissional) preservados”.

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Alenita Ramirez