Publicado 19 de Fevereiro de 2016 - 21h20

Por Maria Teresa Costa

Ave machucada (à esq.); durante o procedimento; e já com o bico feito pela impressora 3D (à dir.)

Roberto Facchio

Ave machucada (à esq.); durante o procedimento; e já com o bico feito pela impressora 3D (à dir.)

A tecnologia de impressão 3D do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) de Campinas salvou a vida de uma arara-canindé, que não conseguia mais se alimentar sozinha, por causa de uma deformidade no bico. Os pesquisadores do CTI imprimiram um bico em titânio que foi implantado na última quinta-feira (18) por especialistas em odontologia veterinária da Universidade de São Paulo (USP), com sucesso. A arara, informou o veterinário Roberto Fecchio, que fez o procedimento, já está se alimentando sozinha.

O titânio foi escolhido, segundo o chefe da Divisão de Tecnologias Tridimensionais do CTI, Jorge Vicente Lopes da Silva, por ser um metal leve e resistente e de uso médico. “A vantagem é que não oxida e é mais resistente que o próprio bico da ave”, disse. Para fazer a impressão 3D com o pó de metal, o CTI utilizou um molde digital feito pelo designer designer 3D e especialista em reconstrução facial, Cícero Moraes, do Paraná.

Moraes contou que recebeu fotos do molde do bico da ave feito pelo dentista Paulo Miamoto e, com a ajuda de um programa, converteu as fotos em um modelo 3D, criando assim um bico digital. Esse foi o molde digital foi utilizado no CTI para a impressão do bico em titânio. “Foi um sucesso e vai permitir que a ave sobreviva e se alimente sem ajuda”, disse o designer, que vem se especializando na reconstrução facial.

Foto: Roberto Facchio

Bico de titânio foi impresso no CTI de Campinas

Bico de titânio foi impresso no CTI de Campinas

A cirurgia foi feita na quinta-feira, na Animal Care, no bairro do Ipiranga em São Paulo. O veterinário Roberto Facchio informou que a prótese foi cimentada com adesivo ósseo e fixada com parafusos ortopédicos no bico original. É a primeira vez que a equipe de veterinários utiliza titânio para substituir partes perdidas de animais, embora a reconstrução com tecnologia 3D utilizando outros materiais já venha ocorrendo, como com um casco de jaboti e um bico de tucano.

Essa arara, segundo Facchio, vivia em cativeiro em Cubatão e foi resgatada pela Policia Ambiental e levada ao Centro de Triagem do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte) de Santos. A ave chegou com uma deformidade no bico. “É um animal forte, que quebra sementes com o bico e precisávamos de um material leve e ao mesmo tempo resistente. Por isso optamos pelo titânio”, disse.

A ave ficará aguardando um destino, mas não será liberada na natureza porque será difícil sobreviver, porque vivia em cativeiro. Facchio disse que será preciso ser resolvida a questão jurídica da pessoa que mantinha a ave ilegalmente, mas é muito provável que a arara-canindé seja levada ao algum zoológico.

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Maria Teresa Costa