Artista Egas Francisco realiza pinturas ao vivoEntretenimento
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Publicado 25/01/2016 - 22h22 - Atualizado 26/01/2016 - 11h25

Por Delma Medeiros

O artista plástico Egas Francisco em casa, onde também funciona seu ateliê:

Leandro Ferreira/AAN

O artista plástico Egas Francisco em casa, onde também funciona seu ateliê: "Na aquarela quem manda é a água, a fluidez, a transparência"

O artista plástico Egas Francisco comanda nesta terça-feira (26) a primeira de uma série de sessões da performance 'Pintura e Movimento', promovida pelo Sesc Campinas e que reúne três linguagens distintas: a pintura, a música e a dança. Egas vai criar ao vivo uma série de aquarelas com participação do cantor campineiro Guga Costa e da bailarina Hellen Audrey. O músico e a bailarina vão acompanhar o processo criativo do pintor, com improvisações baseadas na imprevisibilidade da água, elemento predominante na técnica de aquarelas.
Outras duas sessões estão previstas para fevereiro e março. “A performance será feita no teatro de arena do Sesc, um local com boa visibilidade, em que as pessoas podem observar tudo de cima. Hellen vai participar com o movimento da dança e expressão corporal e Guga se encarrega da sonoridade. Ele faz sons de água com perfeição, e esse elemento está no centro do processo. A água e a tinta são as protagonistas desse trabalho”, afirma Egas. 
Esta é primeira vez que o artista sai de seu ateliê desde 2013, quando realizou uma exposição no Museu de Arte Contemporânea de Campinas José Pancetti (MACC). Nesse tempo, recebeu as pessoas em sua casa-ateliê no Jardim Chapadão, mas se manteve praticamente recluso. “Não faço projetos que exijam de mim um tempo prolongado porque sei que não me resta tanto tempo. Hoje olho para frente e não vejo muito tempo”, diz o pintor.
De acordo com Cássio Quitério, responsável pelo Projeto Performance do Sesc Campinas, na área de artes visuais a ideia da instituição é aproximar os artistas plásticos de Campinas e região da população. “A ideia surgiu a partir da intenção do Sesc Campinas de apresentar ao público os processos de artistas que trabalham e produzem na região, criando uma atmosfera de criação e discussão sobre as artes visuais dentro do cenário artístico local”, explica. Ele cita que há tempos o Sesc pretendia desenvolver um trabalho com o Egas, e o Guga Costa, que conhecia o artista, fez a ponte. “Fizemos a proposta, o Egas topou e disse que achava interessante cruzar seu processo criativo com outras formas de expressão. As três sessões vão completar o processo”, comenta Quitério.
Egas conheceu Guga Costa quando fez o encarte para o primeiro CD do cantor — 'Delírico, o Mundoceano' (2012). “A maioria dos meus trabalhos tem uma dimensão muito grande a então achei que era a hora de não fazer mais uma exposição e voltar a fazer performances. Já fiz muitas performances na minha carreira”, explica. Uma delas foi a obra em óleo sobre tela 'Yerma', uma homenagem ao poeta espanhol Federico García Lorca que pertence ao acervo do MACC. “Pintei esse tela ao vivo, protegido por um cordão de isolamento. É uma das peças mais importantes do acervo do MACC e em tamanho a maior delas, de quase 3 metros de comprimento”, informa o pintor, citando que já pintou até em terreiro de candomblé.
Na performance, além de pedaços menores de papel para os esboços, Egas vai utilizar um rolo de papel de 1 x 5 metros. “Acho interessante integrar as três formas de expressão: o Guga cantando sons ininteligíveis e a Hellen como dançarina se comunicando comigo. Eu com o gestual da pintura e ela com o gestual corporal, da dinâmica da dança, em uma coreografia imaginária, porque tudo é surpresa no espetáculo. Mesmo porque ele é conduzido pelo sentido da aquarela, em que a água dá a sugestão do caminho a ser seguido. É ela que revela a obra nas entrelinhas. Eu a persigo e sou engolido e devorado por ela. É como uma cópula. Nós somos cúmplices e dessa cumplicidade nasce a imagem que acaba se projetando, se apresentando como artes plásticas”, afirma Egas. Além do papel, ele adianta que vai pintar também o corpo da bailarina, que usará um vestido branco colante.
O pintor salienta que o resultado da pintura é imprevisível. “Diferente da pintura a óleo, em que a forma é um dos principais elementos e motivo da criação, na aquarela quem manda é a água, a fluidez, a transparência, o escorrer, o pingar, o respingar, a respiração e o estado ofegante do artista diante da água e da tinta, que são as protagonistas. E ele tem que atender às imposições desses elementos”.
Serviço
O quê: performance 'Pintura e Movimento', com Egas Francisco
Quando: nesta terça-feira (26) e dias 23/2 e 22/3, às 19h30
Onde: Sesc Campinas (Rua D. José I, 270, Bonfim, fone: 3737-1500)
Quanto: entrada franca

Escrito por:

Delma Medeiros