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Publicado 10/01/2016 - 10h31 - Atualizado 10/01/2016 - 10h32

Por Inaê Miranda

Paulina Santimaria tem 79 anos atua como voluntária e também como aluna do Projeto Gente Nova

Leandro Ferreira

Paulina Santimaria tem 79 anos atua como voluntária e também como aluna do Projeto Gente Nova

Quando o assunto é madeira, o aposentado Jesus Afonso, de 71 anos, é considerado um mestre. A experiência ele acumula desde a infância, quando pegava as facas e tesouras da mãe para fazer os próprios carrinhos e para desenhar os móveis da casa em papelão. Aos 13 anos, foi trabalhar em uma marcenaria e seguiu por quase cinco décadas na área — sempre com dedicação e destreza. Em 2005, porém, um susto o fez pendurar as ferramentas. Um problema cardíaco o levou a implantar três pontes de safena. A recomendação, após a cirurgia, era para que deixasse a marcenaria em razão do peso. Seu Jesus decidiu seguir a recomendação, mas como ficar parado nunca foi a sua “praia”, tratou logo de encontrar alguma coisa para fazer.
“Estava em ponto de ficar doido em casa, só vendo TV. A pessoa que é acostumada a trabalhar desde novo e depois é obrigada a parar não é fácil”, diz. No posto de saúde do bairro tomou conhecimento do projeto Gente Nova (Progen), que oferece uma série de atividades. “Fui, gostei demais e desde 2006 nunca mais saí”, conta. Lá ele participa da aula de ginástica, de dança, recital de poemas e contação de piadas, além de excursões. As atividades fazem bem não apenas para a saúde do corpo, mas para a alma, segundo ele. “É muito bom. Deixa a gente mais animado. Graças a Deus estou ótimo e muito contente. Lá a gente passeia. Não faz nem um mês que fomos a Aparecida. Estou muito bem de saúde e a ponte está boa para passar”, brinca.
O marceneiro Jesus Afonso teve de abandonar a profissão e encontrou conforto nas aulas do Gente Nova
Aos 79 anos, a aposentada Paulina Trevisan Santimaria mantém a força e o engajamento que trouxe da juventude, quando participava de lutas e movimentos populares para melhorias no bairro. Uma delas foi por creche. Também participava dos movimentos da igreja. Eventualmente, ainda faz caminhadas com a finalidade de chamar a atenção para alguma causa social. No bairro, Paulina faz parte de um projeto multigeracional como aluna das aulas de ginástica e de artesanato e como voluntária da entidade que oferece o serviço. “Sempre gostei de trabalhar com a comunidade. A idade vai aumentando e a gente vai reduzindo o ritmo, mas parar jamais. Enquanto tiver perna boa a gente está na atividade. Faz bem para minha saúde”, afirma.
Desafio para o futuro
Jesus e Paulina fazem parte de uma população — acima de 60 anos — que vem crescendo consideravelmente e de forma gradativa. E que coloca para o poder público o desafio de pensar e implementar políticas públicas que garantam mais qualidade de vida e um envelhecimento com saúde e dignidade. Em Campinas, as políticas públicas são direcionadas para três grupos distintos da população maior de 60 anos: o idoso institucionalizado, o idoso com os direitos violados e o idoso em plena atividade. E experiência tem demonstrado que, além de proporcionar a esperada qualidade de vida, o trabalho preventivo que consiste em manter o idoso ativo e com os direitos garantidos significa ainda redução de gastos no futuro.
Sandra Zampola, coordenadora técnica do Progen da Vila Castello Branco, explica que o idoso ativo que acessa o serviço do Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos Inclusivos Intergeracionais, muitas vezes, está em situação de vulnerabilidade social. “São idosos com vivências de isolamento por ausência de acesso a serviços e oportunidades de convívio familiar e comunitário, e cujas necessidades, interesses e disponibilidade indiquem a inclusão nos serviços”, afirma. Esse grupo desenvolve atividades em espaços existentes em sua comunidade ou em outras regiões.
Segundo Sandra, a busca por desenvolver atividades contribui no processo de envelhecimento saudável, no desenvolvimento da autonomia e de sociabilidades, possibilitando o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e na prevenção de situações de risco social. “A intervenção social deve ser pautada nas características, interesses e demandas desta faixa etária e considerar que a vivência em grupo, as experimentações artísticas, culturais, esportivas e de lazer constituem formas privilegiadas de expressão, interação e proteção social.” Ou seja, devem incluir vivências que valorizam as experiências do idoso e que estimulem e potencializem a condição dele escolher e decidir.

Escrito por:

Inaê Miranda