Publicado 01 de Dezembro de 2015 - 7h31

Suspeito morto na sexta-feira pela PM tinha acabado de roubar a bolsa de uma tesoureira que chegava para trabalhar no Campinas Shopping

Cedoc/ RAC

Suspeito morto na sexta-feira pela PM tinha acabado de roubar a bolsa de uma tesoureira que chegava para trabalhar no Campinas Shopping

Com informações de Milene Moreto, Bruno Bachetti e Raquel Valli 

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e policiais do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep) deflagraram na manhã desta terça-feira (1) uma megaoperação para desarticular as principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Campinas.

Com 12 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, foram presas dez pessoas em Campinas, Americana, Hortolândia, Sumaré, Ubatuba e Presidente Epitácio. Os promotores investigam as tentativas do PCC de financiar políticos da região. 

Outros dois suspeitos ainda não foram localizados. Os policiais apreenderam, na ação, pelo menos R$ 7 mil em dinheiro, 1,5kg de maconha e uma arma, além de pequenas porções de maconha e cocaína.

Os presos na região de Campinas foram para o 1º Distrito Policial da cidade para serem ouvidos e depois encaminhados para a cadeia anexa ao 2º Distrito Policial, antes de irem para Centros de Detenção Provisória (CDP) do Estado. A reportagem não teve acesso aos nomes de todos os presos.

Entre os presos suspeitos de manter ligação com a facção criminosa está o funcionário comissionado da Prefeitura de Campinas, Alexandre Corá Francisco, conhecido como Xandão. Ele estava nomeado para atuar no gabinete do prefeito desde o dia 10 de janeiro de 2013, com salário de R$ 7 mil.

Xandão foi preso em sua casa, na Vila Padre Anchieta, no início da manhã. Depois de efetuada a prisão, o servidor foi levado por policiais e promotores do Gaeco até a Prefeitura, onde apreenderam computador, pen drive e documentos na sala utilizada por Xandão.

Segundo o promotor, a investigação das atividades criminosas começou em abril e durante as trabalhos foram identificados em escutas os nomes dos presos ontem. "Após meses de investigação foi possível identificar diversos integrantes dessa organização que ocupavam cargos de liderança e exerciam funções que abrangiam toda a atividade do PCC no interior de SP" , afirmou Silveira Filho.

Os promotores suspeitam que a facção criminosa tentou se infiltrar no meio político para financiar campanhas da região. "Isso não dá para falar ainda porque é a parte sigilosa (indício de uso de dinheiro da facção em campanhas eleitorais) da investigação. Quando se investiga as atividades do PCC na região é investigado também o trânsito de dinheiro que vem do tráfico e que é usado em outras finalidades. A gente vai tentar identificar agora se parte desse dinheiro pode ter sido, ou não, utilizada em campanhas políticas", acrescentou o promotor.

Silveira Filho disse que a prisão do servidor de Campinas não tem nenhuma relação com o prefeito Jonas Donizette (PSB). "É muito importante deixar claro que não há qualquer indicativo de envolvimento do prefeito. Se houvesse, a investigação já estaria na Procuradoria-Geral de Justiça", afirmou o promotor.

O coronel Nelson Coelho, do Baep, disse que foi preciso arrombar o portão do acusado para efetuar a prisão e que Xandão nega ter envolvimento com o PCC. "Tínhamos ordem de mandado e prisão e busca. Chegando ao local ele se recusou a fazer a abertura da residência dele. Como a lei estabelece foi usado a força física para abrir o portão par que se chegasse até ele. Depois não reagiu. Ele (Xandão) nega, é óbvio, mas a investigação vai continuar" , enfatizou.

Prefeitura exonera comissionado preso durante operação

O secretário de Relações Institucionais Wanderley Almeida acompanhou a ação dos promotores e da polícia no quarto andar da Prefeitura. O secretário afirmou que os agentes realizaram um pente-fino no computador que era utilizado pelo assessor.

Sobre a informação de que o Gaeco apura tentativas de o PCC financiar políticos da região, Wandão afirmou que se o assessor tomou alguma atitude que possa ligar a Prefeitura a qualquer tipo de articulação com o crime organizado, o fez sem conhecimento ou autorização dos integrantes do governo. "Ele não tinha autonomia para isso. Para falar em meu nome ou de qualquer outro integrante da administração", garantiu o secretário.

Wandão disse ainda que a exoneração do servidor será publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (2). Segundo o secretário, Xandão é formado em gestão pública, teve relação com o transporte alternativo e foi candidato a vereador em Hortolândia pelo PTB em 2012 (não eleito). Atualmente está filiado ao PSB. Entre as funções de Xandão na Prefeitura, uma era fazer a articulação de demandas junto às comunidades na periferia.

 

 

Prefeitura

Em nota, a Prefeitura afirmou que a administração não tem nenhuma relação com a operação realizada ontem e disse que vai colaborar com as investigações. "A Prefeitura de Campinas esclarece que a operação do Gaeco, ocorrida na manhã desta terça-feira, não tem qualquer relação com a gestão municipal.

O promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco, já declarou publicamente que as investigações dizem respeito exclusivamente ao indivíduo Alexandre Corá Francisco. O motivo pelo qual os promotores estiveram na sede da Prefeitura foi apenas para recolher o computador que era utilizado pelo investigado.

No comunicado, a Administração informa que exonerou o funcionário e o decreto será publicado nesta quarta-feira (2) no Diário Oficial. "Além disso, a Administração Municipal está à disposição para quaisquer esclarecimentos e irá colaborar com o Gaeco em tudo que for necessário."

Jonas

O prefeito Jonas Donizette (PSB) disse no final da tarde de terça lamentar a denúncia de envolvimento de um assessor da Prefeitura com o PCC e que está tranquilo em relação aos desdobramentos da operação do trabalho do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) porque os promotores já declararam publicamente que as investigações dizem respeito exclusivamente a Alexandre Corá Francisco.

“Ele terá que se explicar à polícia, à Justiça. No meu governo não há espaço para qualquer sombra de dúvida sobre a lisura de nossas ações”, disse.

Jonas afirmou que Francisco apresentou atestados de bons antecedentes quando foi contratado. Antes, os atestados eram exigidos apenas dos secretários, informou o prefeito, mas em seu mandato a exigência foi estendida a todos os cargos em comissão.

“Pedi hoje um levantamento da ficha funcional desse assessor à área de recursos humanos e ele apresentou os três atestados de antecedência exigidos — da Polícia Federal, da Polícia Civil e da Justiça Eleitoral.

Segundo o prefeito, esse assessor não tinha influência alguma em seu gabinete. “Ele não era secretário, não era meu assessor direto, não era ordenador de despesas. Ele era um assessor político. A Prefeitura não está envolvida em nada. Ele foi exonerado e é importante que a população saiba que essa pessoa que está sendo investigada era um assessor que trabalhava nos bairros e não tinha nenhum poder de decisão no governo”, afirmou.

 

A operação

Ao todo estão foram cumpridos 10 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão em Campinas, Sumaré, Hortolândia, Americana, Ubatuba e Presidente Epitácio. Pelo menos 10 pessoas ligadas à liderança do PCC foram presas na operação, que contou com o apoio do helicóptero Águia.

Os policiais apreenderam, na ação, pelo menos R$ 7 mil em dinheiro e 1,5kg de drogas. Dois suspeitos que tiveram mandado de prisão expedidos não foram localizados e a polícia continua atrás deles.

Duas mulheres, que não eram alvo da operação, acabaram presas porque estavam com drogas. Eles foram encaminhados para o plantão do 1º Distrito Policial, no Botafogo.

Segundo o promotor do Gaeco Amauri Silveira Filho todos os integrantes do PCC presos pela manhã exerciam funções diferentes dentro da facção, como gerenciamento do tráfico ou contabilidade, por exemplo, e todos se conheciam.

Os presos só serão ouvidos na próxima semana.

Prisão

As prisões dos dez suspeitos de integrarem a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) começaram na madrugada e mobilizaram dezenas de policiais militares de três companhias do Batalhão de Operações Especiais (Baep), inclusive com a participação de policiais do Vale do Paraíba e de Presidente Epitácio, município localizado a mais de 600 quilômetros de Campinas, no extremo oeste do Estado de São Paulo.

O servidor da Prefeitura de Campinas, Alexandre Corá Francisco, o Xandão, foi preso em sua casa, na Vila Anchieta, perto das 6h, sendo necessário força física para entrar na casa do suspeito. Por volta das 8h da manhã, o helicóptero água da Polícia Militar sobrevoou a Prefeitura e logo depois, pelo menos de dez viaturas do Baep chegaram ao Paço Municipal e fecharam parcialmente a rua Barreto Leme, entrada lateral da Prefeitura.

Além dos policiais e de promotores do Ministério Público, em uma das viaturas estava Xandão.

A ação causou grande alvoroço em frente à Prefeitura e muita curiosidade por parte da população que circulava pelo local. Até mesmo funcionários da Administração municipal questionavam o que estava acontecendo e deixaram seus gabinetes para acompanhar a movimentação policial.

Munidos de faixas e gritos de ordem, estudantes que ocupam a Escola Estadual Carlos Gomes, a poucos metros da Prefeitura, aproveitaram a oportunidade e fizeram um protesto contra a reorganização escolar.

Enquanto isso, policiais e promotores realizaram busca e apreensão na sala utilizada por Xandão no quarto andar da Prefeitura - o mesmo onde está localizado o gabinete do prefeito Jonas Donizette (PSB).

Depois de aproximadamente duas horas, Xandão deixou as dependências do Paço Municipal em uma viatura do Baep e seguiu diretamente para o 1º Distrito Policial, onde passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

O servidor foi encaminhado para a cadeia anexa ao 2º Distrito Policial.

Defesa

O assessor disse rapidamente à reportagem, ao sair do 1º Distrito Policial (DP) para fazer exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML), que não tem envolvimento com o PCC e não pediu ajuda à facção para financiamento de campanhas políticas.

Na rápida caminhada entre o 1º DP e o prédio do IML, Xandão foi abordado pela imprensa, mas disse pouco. Uma mulher seguiu atrás do assessor, algemada e disse não saber por que havia sido presa. Ela se recusou a se identificar.

Por volta das 15h, uma procuradora chegou ao distrito, mas também se recusou a dizer o motivo da visita.

No DP, foram registradas as prisões, mas os suspeitos não tiveram que dar depoimentos. As oitivas ocorrerão nos próximos dias. Depois de passar pelo exame, Xandão seguiu para o 2º DP, onde ficará preso preventivamente por pelo menos 30 dias, com os demais detidos.

As duas mulheres presas em flagrantes da operação ficarão detidas também por um mês na Cadeia Feminina de Paulínia.

O advogado do assessor, José Pedro Said Junior, contou que conversou rapidamente com Xandão e que ele negou o envolvimento com o grupo criminoso. “Ele afirmou categoricamente que não tem envolvimento algum com o PCC e que está ocorrendo algum equívoco”, explicou.

Said fez cópia ontem do processo, que corre em sigilo, na Cidade Judiciária. O advogado disse que é a primeira vez que representa o assessor e que não tinha conhecimento de processos criminais existentes contra Xandão. "Ele falou comigo bem rápido, estava tranquilo".

O processo envolvendo Xandão é de quebra de sigilo de dados e telefônico.

Ficha criminal 

O assessor parlamentar Alexandre Corá Francisco, o Xandão, de 46 anos, tem em sua ficha criminal acusações como porte ilegal de arma (2), estelionato e tentativa de homicídio, segundo apurou o Correio. Em um dos casos ele foi condenado à pena de quatro anos e seis meses de reclusão.

De acordo com a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SAP), Xandão esteve preso na Penitenciária II de Hortolândia de 28 de setembro 1998 a 24 de agosto de 1999 e no Centro de Progressão Penitenciária de Campinas de 24 de agosto de 1999 a 17 de maio de 2000, quando saiu em virtude do benefício de prisão-albergue domiciliar.

Segundo a Polícia Militar (PM), o assessor respondeu neste período pelo crime de receptação. Entretanto, esta informação não foi confirmada pela SAP.

Em 1999, o advogado de Corá pediu revisão criminal da prisão, mas o pedido foi indeferido em 10 de outubro de 2002. No período de transição do pedido, Xandão foi denunciado pela prática de homicídio doloso. O único processo pendente, que consta na primeira instância do Fórum de Campinas, é referente a flagrante de porte ilegal de arma, datado de 1998, que aguarda, desde março de 2012, “provocação”.

Um ex-advogado de Xandão, cujo nome foi preservado, confirma que já defendeu o assessor por várias vezes, há cerca de 20 anos, mas não sabia dizer em quais processos e também se houve alguma condenação. “Todas as pessoas que vão entrar na Prefeitura têm que apresentar o atestado de antecedente criminal. E quando ele (Xandão) apresentou não tinha antecedentes criminais”, disse ontem o prefeito Jonas Donizete.

"Esse assessor não era uma pessoa que trabalhava ligada diretamente a mim. Temos 25 mil funcionários na Prefeitura. Eu tenho contato com todos os funcionários, no dia-a-dia, devido a eventos e outros trabalhos. Alguns conheço pelos nomes e outros não. Ele era assessor de um secretário. Existem casos que a gente tem que tomar atitudes depois que fica sabendo. Fiquei sabendo das acusações hoje (terça) e neste caso já pedi a exoneração dele”, disse o prefeito.

O secretário de Comunicação da Prefeitura, Luiz Guilherme Fabrini, informou que quando Xandão foi contratado para o cargo comissionado ele apresentou dois atestados de órgãos criminais, sendo um da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e outro da Polícia Federal e estavam negativados.

Segundo a polícia, os crimes relacionados a uma pessoa só aparecem no atestado de antecedentes se ela é condenada e também se cumpre pena. Quando o acusado já cumpriu a pena, após cinco anos, a informações saem do sistema da SSP. Entretanto, os dados permanece no sistema Prodesp, que é exclusivo da Polícia Civil. 

Alto escalão do PCC

Os suspeitos que foram presos na operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e policiais do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep), na manhã desta terça, são do alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O promotor do Gaeco Amauri Silveira Filho afirmou que todos os integrantes do PCC presos exerciam funções diferentes dentro da facção, como gerenciamento do tráfico ou contabilidade, por exemplo, e todos os dez presos em seis cidades diferentes se conheciam.

Os presos serão ouvidos somente na próxima semana, mas documentos e computadores apreendidos na operação com o servidor da Prefeitura de Campinas, Alexandre Corá Francisco, o Xandão, darão subsídios à investigação e da possível relação da ficção criminosa com o financiamento de campanhas eleitorais da região.

"A prisão temporária dele e as buscas nas dependências da Prefeitura tem por finalidade trazer mais elementos para que o Ministério Público possa formar convicção sobre qual realmente a ligação desse servidor com essa organização criminosa na região de Campinas e outros detalhes do funcionamento dessa organização no que diz respeito nas atividades políticas da região" , afirmou o promotor do Gaeco.

Para o coronel Nelson Coelho, do Baep, as prisões efetuadas ontem representam um duro golpe para as ações da facção criminosa na região. "Eles ocupam alguns cargos dentro do PCC de gerência, não operacionais. Diria que foram presos pessoas de relevância dentro da facção e desarticula uma parte do planejamento delas O material apreendido poderá corroborar com as investigações do MP" , disse o coronel. 

Golpe

Este é o segundo duro golpe sofrido pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) neste ano. Em março, uma operação conjunta entre o Ministério Público (MP) e o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Baep) resultou na prisão de 16 pessoas e na apreensão de carros, motos, drogas e armas, inclusive uma de origem turca.

A ação ocorreu nas cidades de Campinas, Hortolândia, Itatiba, Atibaia, Itapira e Sacramento, no Sul de Minas Gerais, e também visava lideranças do grupo criminoso.

Em Sacramento (MG), a operação foi feita pela polícia mineira e um suspeito foi preso.

Em Campinas foram cumpridos seis mandados nos bairros São Fernando, Vida Nova e Jardim Itatinga, com seis presos.

Em Hortolândia, houve um preso e um revólver calibre 38 apreendido. Também houve uma prisão em Itatiba e outra em Atibaia.

Em Itapira foram quatro detidos decorrentes de mandados e outros dois homens em flagrante por tráfico de drogas. Foram apreendidos ainda à época R$ 48 mil entre dinheiro e cheques, sendo que deste montante, R$ 33 mil só em Itapira.

Entre os carros apreendidos estavam um Corsa produto de furto, três picapes e duas motos XT660 dos presos, além de seis revólveres calibre 38 e duas pistolas, 348 pinos de cocaína, um quilo de pasta-base de cocaína, meio quilo de maconha e dois vasilhames de éter, além de cadernos de contabilidade do crime.

Na ocasião, o promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Amauri Silveira Filho, afirmou que a operação era continuação de um trabalho que teve início em 2012. Naquele ano foram presas 29 pessoas acusadas de integrar a facção, especialmente em Campinas. No final do mesmo ano, outras 12 pessoas foram presas. Os alvos eram sempre os suspeitos com cargos de chefia.

Segundo o promotor, a nova leva de prisões feitas em março ocorreu porque os cargos vagos são preenchidos rapidamente com novas lideranças na facção e, por isso, o Gaeco mantinha o mapeamento e identificação desses criminosos. 

Um mês depois, a Polícia Militar de Campinas prendeu em flagrante sete homens acusados de integrar o PCC que faziam o “julgamento” de um suposto estuprador em uma chácara no Jardim Icaraí. No imóvel, a polícia apreendeu 86 porções de cocaína, maconha, duas balanças de precisão, uma pistola 380 com 19 munições, quatro veículos além de um documento falso, um documento do suposto “réu”, US$ 5,00, R$ 1,2 mil em dinheiro e um caderno com anotações sobre o crime de estupro. O réu conseguiu fugir.