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Publicado 23/10/2015 - Atualizado 23/10/2015 - 19h58

Por Maria Teresa Costa

Inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto San Martin

Maria Teresa Costa/AAN

Inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto San Martin

Com a inauguração, nesta sexta-feira (23), da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) San Martin e com o início das ligações de esgoto a ETE Nova América amanhã, Campinas passa a ter 95% de seu esgoto tratado.
É o maior índice do País entre as cidades com mais de um milhão de habitantes, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis). Entre as 17 cidades brasileiras com essa população, das quais 14 são capitais, a que tem o melhor indicador é Curitiba, que trata 88,4% do esgoto coletado.
É um percentual importante, especialmente porque, no Brasil, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, com base em dados do Snis, apenas 39% dos esgotos foram tratados em 2013, ano do último levantamento, divulgado no mês passado. Isso significa que mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgotos in natura foram jogadas por dia na natureza.
Campinas chegará 100% de esgoto tratado, disse o prefeito Jonas Donizette (PSB) no próximo ano, quando entrar em operação a ETE Boa Vista — a ordem de serviço para o início das obras será assinada nos próximos dias.
Essa estação terá capacidade para tratar 180 litros de efluentes por segundo e, assim como a Estação de Produção de Água de Reúso (EPAR) Capivari I, o esgoto tratado por esta estação resultará em água de reúso que poderá ser usada para abastecimento industrial. A obra beneficiará uma população de 77.6 mil moradores de 30 bairros.
As três estações atendem ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) com o Ministério Público (MP) em 2012, para ter capacidade de tratar todo o esgoto coletado até 2016. Há dez anos, Campinas tratava apenas 14% de seu esgoto.
População
A estação inaugurada, a San Martin, vai atender 10,6 mil habitantes dos bairros Vila San Martin, vila Olímpia, Parque Cidade de Campinas, Campo Florido e o Terminal Intermodal de Cargas, informou o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo.
Ela tem capacidade para tratar 35 litros de efluentes por segundo e o esgoto tratado será despejado no Ribeirão Quilombo, afluente do Rio Piracicaba. O investimento na obra é de R$ 14,1 milhões, sendo R$ 3 milhões de repasses federais.
O esgoto receberá tratamento secundário — o efluente passa por peneiras e caixas de areia que removem os sólidos finos e depois segue para tratamento biológico, que consiste em tanques de aeração onde é introduzido oxigênio para que as bactérias responsáveis pelo tratamento possam se desenvolver.
Depois o lodo é separado e a água resultante passa por desinfecção para poder ser lançada no Ribeirão Quilombo. O lodo é desidratado e levado para o aterro sanitário.
A ETE Nova América está operando em fase de teste, e amanhã começará a ligação da rede de esgoto que permitirá a operação comercial da estação na região do Campo Belo, beneficiando 35,3 mil habitantes de 20 bairros na região do Aeroporto Internacional de Viracopos.
Com investimento da ordem de R$ 43,1 milhões, o projeto compreende 106 quilômetros de redes que já foram instaladas nos bairros, além de cinco estações elevatórias de esgoto e a ETE Nova América.
Esgoto tratado nas maiores cidades em porcentagem
Campinas: 95
Curitiba: 88,4
Salvador: 77,7
Brasília: 69,1
Belo Horizonte: 67,3
Goiânia: 63,4
São Paulo: 51,4
Fortaleza: 48,5
Rio de Janeiro: 47,1
Maceió: 37,3
Recife: 36,3
Guarulhos: 25,1
Porto Alegre: 15,5
São Luiz: 8,4
Belém: 1,8
São Gonçalo: 17,6
Manaus: 8,8
Melhorar água dos rios exige R$ 4 bi
Os municípios da região de Campinas, situados nas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) estimam que serão necessários R$ 4,4 bilhões em saneamento até 2020 para melhorar a qualidade das águas dos rios da região e garantir condições de desenvolvimento e de competitividade da economia regional.
Atualmente, dos 2,11 mil quilômetros de rios das bacias PCJ, apenas 831 quilômetros, ou seja, 39%, têm a qualidade que deveriam possuir para atender as necessidades das comunidades.
Com esse investimento, segundo o Plano de Bacias, será possível chegar a 2020 com 62% dos rios com a mesma qualidade que tinham em 1977, quando o governo estadual enquadrou os cursos de água em classes de 1 a 4.
O Plano de Bacias prevê investimentos de R$ 79,2 milhões em monitoramento dos lançamentos de efluentes domésticos e regularização das outorgas, mais R$ 19,4 milhões em gerenciamento dos recursos hídricos, R$ 886,6 milhões na recuperação da qualidade dos cursos d’água, R$ 383,4 milhões em conservação e proteção da água, além de R$ 1,03 bilhão em promoção do uso racional dos recursos hídricos, R$ 179 milhões em aproveitamento múltiplos dos recursos, R$ 138, 5 milhões em prevenção e defesa contra eventos hidrológicos extremos, mais R$ 30 milhões em capacitação técnica e educação ambiental e mais R$ 1,6 bilhão em programas múltiplos de drenagem, coleta de resíduos sólidos, vigilância sanitária, entre outros. 

Escrito por:

Maria Teresa Costa