Publicado 21 de Setembro de 2015 - 19h56

Por Maria Teresa Costa

Autoridades e representantes de instituições de pesquisa fazem conferência com franceses durante a primeira reunião do Agropolo Campinas

Dominique Torquato/ AAN

Autoridades e representantes de instituições de pesquisa fazem conferência com franceses durante a primeira reunião do Agropolo Campinas

De porta de entrada para o Interior na produção agrícola, Campinas quer se tornar líder na produção do conhecimento científico e tecnológico para o setor agrícola e agropecuário a partir da criação do Agropolo Campinas — polo que envolve empresas, institutos de pesquisa e universidades que atuam nas áreas de agricultura, alimentação, biotecnologia, biodiversidade e bioenergia, visando o desenvolvimento e a inovação tecnológica.

Na primeira reunião do conselho administrativo do Agropolo Campinas nesta segunda-feira (21), em que o prefeito Jonas Donizette (PSB) foi eleito presidente, foram dados os primeiros passos para a integração do setor.

A região de Campinas, segundo o secretário estadual de Agricultura, Arnaldo Jardim, tem 7.360 unidades produtivas agrícolas, sendo que 6,5 mil são de pequenos proprietários.

“Isso mostra o perfil que temos aqui. Mas ao mesmo tempo temos no Estado 13 mil empresas da agroindústria, de processamento de alimentos comportando uma pauta de integração das unidades de pesquisa que temos aqui”, afirmou.

Uma série de unidades de pesquisa passará a trabalhar em conjunto no desenvolvimento de uma pauta para alavancar a inovação.

Entre as unidades estão a Embrapa Monitoramento por Satélite, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Inova Unicamp, e o setor empresarial.

A Prefeitura participa do acordo por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo.

“São Paulo não é mais o centro da produção agropecuária do País, mas nós queremos que o Estado seja um centro da produção do conhecimento do setor, tanto pelas culturas que ainda temos quanto pelas instituições pelo setor industrial que atuam com insumos, logística e processamento na área de alimentos”, disse Jardim.

O polo é inspirado em modelo semelhante instalado na cidade de Montpellie, na França, que criou em 1986, por iniciativa dos ministérios da Pesquisa, da Cooperação e da Agricultura, a Associação Agropolis International.

Ela agrupa os estabelecimentos agronômicos de pesquisa, de ensino superior e as universidades que trabalham nas áreas da agricultura, alimentação e meio ambiente.

Com sete campi equipados, 2.200 pesquisadores e docentes e mais de 7 mil estudantes e estagiários, essa comunidade científica e de formação constitui, nas áreas da agronomia, do desenvolvimento sustentável e do meio ambiente, uma das maiores concentrações mundiais de especialistas em desenvolvimento econômico das regiões mediterrâneas e tropicais.

Essa reunião de recursos e de qualificações atraiu equipes internacionais que reforçam a capacidade de pesquisa.

Cooperação francesa

O acordo de cooperação visa estabelecer intercâmbio entre as partes por meio de projetos de cooperação técnica nas áreas de agricultura, alimentação, biodiversidade, bioenergia, química verde e desenvolvimento sustentável.

Conforme consta no documento, essas atividades devem envolver pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, com extensão a outras instituições de pesquisa e empresas que atuem nesses segmentos e estejam sediadas no entorno de Campinas e de Montpellier. Esta região francesa reúne propriedades agrícolas, onde é feito o cultivo de videiras e o engarrafamento de vinhos, no mesmo local.

A parceria cria também a possibilidade de intercâmbio entre os participantes na formação de recursos humanos. Montpellier tem universidades bem avaliadas.

Campinas oferece a excelência do ensino da Unicamp e os cursos de pós-graduação existentes no Instituto Agronômico e Instituto Biológico e Instituto de Tecnologia de Alimentos.

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Maria Teresa Costa