Publicado 15 de Setembro de 2015 - 20h31

Por Inaê Miranda

Instituto Agronômico de Campinas (IAC) passa por dificuldades e Herbário corre risco de transferência

Camila Moreira/ AAN

Instituto Agronômico de Campinas (IAC) passa por dificuldades e Herbário corre risco de transferência

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo ignora o apelo de pesquisadores pela manutenção dos acervos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) na cidade.

A coleção entomológica com mais de 8,5 mil amostras de insetos e pragas foi transferida para São Paulo há duas semanas. Nos próximos dias, o IAC deve perder a coleção de plantas com mais de 56 mil amostras. O material irá para o Instituto de Botânica, na Capital. Além das transferências, o IAC também sofre com a defasagem de pesquisadores e funcionários.

A situação de decadência do Instituto que fez história no País em seus 128 anos de idade, denunciada por pesquisadores e mostrada em reportagens do Correio, provocou reação da comunidade científica.

A ausência de uma resposta do Estado também preocupa as pessoas que fizeram parte do IAC e que viram a história do Instituto sendo construída.

"Não é um acervo, é um patrimônio agronômico que pertence à Instituição. Não foi feito há um mês ou dois. Foi feito ao longo de 80 anos. Vejo isso com muita tristeza. Dói até na alma" , afirmou Nelson Sabino, que dirigiu o IAC entre 1983 e 1988.

Ele conta que durante sua gestão eram 300 pesquisadores e 2 mil funcionários. Atualmente são 158 pesquisadores científicos. "Tínhamos equipe e produção de pesquisa agronômica fantásticas", conta.

Sabino considera grave a transferência dos acervos, assim como foi a do Centro de Fitossanidade do IAC - que identificava pragas e moléstias das plantas - nos anos 2000.

"Foi totalmente desgastado (o centro de fitossanidade) e hoje praticamente não tem ninguém trabalhando nele. Depois que perdemos esse centro, outros estão indo embora também", lamentou.

Sueli dos Santos Freitas foi pesquisadora no IAC por 32 anos e conta que ficou assustada com o desmonte da instituição.

"O IAC é uma instituição sem par no Brasil: reúne pesquisadores em áreas tão diversas, que têm produzido incontáveis benefícios para a agricultura paulista e nacional. Orgulho-me do IAC e de ter feito parte dele. Lamento profundamente que pessoas sem visão e sem compromisso com o povo estejam perpetrando esse tipo de loucura".

"A partir do momento em que se começa esse desmonte, esse repasse de coisas, você não sabe até onde isso vai", acrescentou.

Teólogo e agrônomo, José Antônio Jorge ressaltou o prestígio internacional do IAC pela qualidade e quantidade das pesquisas. "Causa indignação a atitude de nossos governantes em despojar o Instituto Agronômico do herbário e de seu acervo entomológico. O IAC merece mais respeito dos órgãos públicos que em vez de colaborar com maior apoio aos trabalhos deste Instituto mais que centenário, estão dilapidando seu patrimônio", afirmou.

Pesquisador Científico aposentado do IAC, o engenheiro Agrônomo Maurilo Monteiro Terra, disse que o desmonte do IAC vem ocorrendo ao longo dos últimos 20 anos, culminando com a transferência dos acervos históricos para São Paulo. Segundo Terra, o Instituto Biológico não tem estrutura para receber o acervo entomológico, o que pode levar ao "desmonte da ciência e tecnologia do Estado.

"Solicito a interferência do Prefeito Jonas Donizete junto ao Governador Geraldo Alckmin para estancar esse desmonte de um patrimônio da nossa cidade de Campinas", disse.

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Inaê Miranda