Publicado 23 de Agosto de 2015 - 8h37

Quinze passarelas foram construídas e quatro reformadas pela Rota das Bandeiras desde o início da concessão: menos atropelamentos

Leandro Ferreira/ AAN

Quinze passarelas foram construídas e quatro reformadas pela Rota das Bandeiras desde o início da concessão: menos atropelamentos

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) é cortada pelas três rodovias que estão no topo das melhores do País em estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT): Bandeirantes, Anhanguera e D. Pedro I. Atingir os primeiros lugares na lista nacional é resultado de um forte fluxo de investimentos. Dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Artesp) mostram que as principais estradas da região receberam mais de R$ 1,43 bilhão em obras de janeiro de 2011 a julho de 2015.

A melhoria da infraestrutura tem impacto na redução de acidentes e mortes nas estradas da região. De acordo com a Artesp, os investimentos provocaram quedas ininterruptas no número de acidente desde 2012. O volume de acidentes caiu 10,17% nos trechos que cortam a região em dez rodovias entre 2011 e 2014. A quantidade baixou de 4.188 para 3.762. A segurança viária é uma das áreas que concentra um grande volume de recursos no planejamento das concessionárias.

No Corredor Dom Pedro, administrado pela concessionária Rota das Bandeiras, a quantidade de mortes caiu drasticamente. A redução foi de 64%, passando de 58 óbitos para 21 no comparativo do segundo semestre de 2009 e o primeiro semestre de 2015. O número de acidentes teve redução de 30%. Conforme dados da empresa, o volume caiu de 1.553 para 1.045. O número de feriados diminuiu de 550 para 426 – declínio de 23%. A quantidade de acidentes também teve diminuição, passando de 16 para 8 no comparativo.

Foto: César Rodrigues

Centro de Controle da Rota das Bandeiras, que administra o Corredor Dom Pedro: avaliação constante

Centro de Controle da Rota das Bandeiras, que administra o Corredor Dom Pedro: avaliação constante

O diretor-presidente da Rota das Bandeiras, Júlio Perdigão, afirma que a redução das mortes nas rodovias do Corredor Dom Pedro é uma das metas da empresa. “A busca pela queda contínua do número de acidentes norteia nossas ações desde o início da concessão. Trabalhamos diariamente para que esses números sejam cada vez menores porque o sentido de nossa existência, a razão de nosso trabalho, é cuidar da vida das pessoas que viajam por nossas rodovias”, comenta.

Ações

O gerente de Tráfego da Rota das Bandeiras, José Carlos Guimarães, afirma que as melhorias em infraestrutura e nos dispositivos de segurança viária resultaram na queda de acidentes e de mortes no Corredor Dom Pedro. “A redução significativa no número de acidentes e de mortes tem uma série de fatores. A concessionária investe na infraestrutura das rodovias, em equipamentos de segurança, em treinamentos de equipes, na educação de trânsito e implantamos a GIA (Gestão Inteligente de Acidentes)”, diz. Ele afirma que a ferramenta de gestão permite uma análise minuciosa dos acidentes com vítimas fatais, graves e locais com grande incidência de ocorrências que acontecem na área do Corredor e, a partir desses dados, a concessionária realiza ações para reduzir a possibilidade de novos incidentes no mesmo trecho. “O grupo se reúne a cada dois meses e faz a análise dos resultados da perícia realizada por técnicos especializados”, salienta.

Foto: Divulgação

Atendimento a vítimas de acidentes exige preparação específica

Atendimento a vítimas de acidentes exige preparação específica

Guimarães observa que para realizar a avaliação do acidente são utilizadas várias ferramentas como verificar os vestígios no local. “Os peritos coletam o máximo de informações para a elaboração do relatório técnico. O trabalho já dá resultado e melhorias que fizemos ajudaram a eliminar os riscos de acidentes em locais que foram analisados pelo grupo e onde foram implementadas ações. As medidas vão desde melhoria na sinalização a correções no pavimento”, pontua.

Tecnologia

O sócio-proprietário da Magalhães Serviços Técnicos e consultor, Erasmo Dias, comenta que os grupos de gestão dos riscos de acidentes usam tecnologia avançada e são uma ferramenta relevante para garantir mais segurança no trânsito nas estradas. “Todo acidente gera uma gama grande de informações e é preciso processá-las para que sejam estabelecidas ações para que não aconteçam novos incidentes”, diz.

O consultor, que atua em parceria com a Rota das Bandeiras, afirma que o processamento das informações gera um relatório que pauta as medidas que serão tomadas. “A avaliação do relatório envolve vários setores como jurídico, engenharia, segurança do trabalho e mídia”, pontua. 

Censo 

Uma preocupação constante de gestores de rodovias e usuários é com a presença de animais na estrada. Encontrar um boi ou cavalo no meio da pista é sempre um grande perigo. As administradoras das estradas que passam pela Região Metropolitana de Campinas (RMC) têm programas específicos para prevenção de acidentes com animais. Na área do Corredor Dom Pedro, a Rota das Bandeiras realiza um censo para identificar as propriedades rurais lindeiras às rodovias e alertar sobre a necessidade de evitar a fuga dos bichos. 

Foto: Divulgação

Concessionária tem projeto em escolas para formação consciente

Concessionária tem projeto em escolas para formação consciente

Dados da empresa mostram que no primeiro semestre deste ano, foram apreendidos 39 animais nas rodovias que formam o Corredor. No mesmo período do ano passado, a quantidade foi de 30 apreensões. Em todo o ano de 2013, foram registradas 55 apreensões e no ano passado foram 61. Os bichos que conseguem ser laçados pelas equipes da Rota das Bandeiras vão para um rancho na cidade de Louveira.

“O Censo Animal tem como objetivo identificar as propriedades que estão às margens das rodovias e realizar um trabalho de conscientização com os proprietários rurais para que evitem a fuga de bichos como equinos, bovinos e caprinos. Com as informações em mãos, podemos, em caso de apreensão de animal ou atropelamento, ir até as propriedades localizadas no trecho do incidente e falar com os proprietários”, diz o gerente de Tráfego da Rota das Bandeiras, José Carlos Guimarães.

Ele comenta que os resultados do censo são positivos e a varredura foi importante para abrir um diálogo com os proprietários rurais. “O censo será contínuo porque sempre há novas propriedades. Também verificamos que muitas vezes não há propriedades rurais tão próximas da pista, mas há registros de animais soltos no trecho. Muitos bichos escapam de sítios e fazendas mais distantes e acabam chegando nas rodovias”, diz.

Guimarães afirma que existem trechos com maior incidência de surgimento de animais de grande porte nas pistas, como a área entre a Avenida Mackenzie e o Galleria Shopping, em Campinas. Outras regiões com vários casos são Bom Jesus dos Perdões e Atibaia. “O trabalho de prevenção e conscientização é constante. Dialogamos muito com os produtores rurais para conscientizá-los sobre os riscos dos animais nas rodovias e de prevenção às fugas”, salienta. Ele aponta que as propriedades cadastradas no censo somam juntas mais de 5 mil animais.

O gerente diz que ao identificar um animal na pista a ação imediata é tentar apreendê-lo, mas em muitos casos o bicho consegue fugir. “Os animais capturados são levados para um rancho em Louveira com o qual temos uma parceria. O animal é tratado no local durante uma semana. Se o dono não aparecer, ele vai para leilão. O dinheiro é dividido entre a entidade e a Prefeitura de Louveira”, explica.

Foto: Divulgação

Funcionários da Rota das Bandeiras passam por treinamento para recolher animais em rancho em Louveira para onde os bichos são levados

Funcionários da Rota das Bandeiras passam por treinamento para recolher animais em rancho em Louveira para onde os bichos são levados

Pequeno porte e silvestres

A concessionária e os motoristas também devem se preocupar com os animais de pequeno porte como cachorros e gatos, e com os silvestres, caso de capivaras e onças. “No caso de animais de pequenos porte, a prevenção depende da educação da população e da conscientização de que os bichos não podem ficar pelas ruas. Infelizmente, ainda existem pessoas que abandonam animais nas rodovias. Já encontramos várias ninhadas de animais domésticos jogados no canteiro central. Eles acabam morrendo atropelados antes que sejam resgatados”, diz.

Guimarães afirma que também é difícil capturar animais silvestres que chegam até as rodovias. “Nós tentamos afugentá-las para que voltem para um local seguro. Mas, em geral, já os encontramos atropelados. Na área do Corredor, tivemos quatro casos de onças que acabaram morrendo atropeladas”, comenta o gerente de Tráfego da concessionária.

Censo

O produtor rural de Valinhos, Paulo Castro de Pádua, afirma que o trabalho realizado no censo animal é importante para a conscientização dos agricultores e criadores. “Minha propriedade fica em uma área próxima da Rodovia D. Pedro I e recebi a visita dos técnicos da Rota das Bandeiras. Nunca tive problema com a fuga de animais. Crio cavalos e também tenho duas vacas. Minha propriedade tem um alambrado e tem uma cerca”, diz. Ele comenta que muitos animais que acabam nas estradas saem de propriedades que estão mais afastadas das pistas. 

Usuários relatam benefícios

Na madrugada do dia 14 de dezembro de 2013, o professor de Educação Física, Homero de Souza Garcia, de 54 anos, voltava com a família de Guaratinguetá, onde havia ido buscar o filho Gabriel, na época com 20 anos, para passar as férias escolares com os pais em Atibaia. O rapaz estava celebrando o vigésimo ano de vida naquele dia. Quando trafegava pela Rodovia D. Pedro I, na altura de Igaratá, Garcia percebeu que havia um animal parado no meio da pista.

“Tentei desviar do bicho, que parecia um lobo-guará, e perdi o controle do carro. Quase capotei e acabei batendo em um barranco. Foi horrível. Meu filho estava no banco de trás sem cinto e foi jogado de um lado para o outro”, afirma.

Ele diz que um caminhoneiro que passou pelo local e viu o acidente acionou o resgate da Rota das Bandeiras, que chegou rapidamente até o carro. “Mais do que a prestação de atendimento médico, a ajuda psicológica que os resgatistas prestaram foi muito importante. Estávamos nervosos e minha família abalada com o acidente. Os profissionais nos acalmaram”, comenta.

O professor diz que o filho e a esposa foram levados a um hospital em Jacareí. “O acidente não foi grave, mas os socorristas insistiram para que meu filho passasse por exames médicos. Graças a Deus ninguém se feriu”, afirma. Garcia salienta que nunca havia sofrido um acidente de trânsito. “A agilidade, a gentileza e o comprometimento dos funcionários do resgate foram importantes naquele momento”, ressalta.

A arquiteta Cláudia Maria de Carvalho Delgado, de 61 anos, também passou por um susto na estrada neste ano e contou com o apoio do resgate. “Eu, meu marido e meus dois netos estávamos seguindo de Indaiatuba para viagem em direção ao Litoral Norte de São Paulo, quando um dos pneus da caminhonete estourou. Meu marido conseguiu segurar o carro, andou mais um trecho e parou um pouco mais a frente no acostamento. Nós estávamos na altura de Igaratá e foi um susto tremendo. Ainda mais com duas crianças no veículo.”

Ela afirma que ia ligar para pedir o socorro da concessionária, mas a viatura chegou sem que a família entrasse em contato. “A viatura do resgate chegou rapidamente. Foi impressionante. Um detalhe muito importante foi a preocupação dos socorristas em nos acalmar e cuidar das crianças”, conta. 

Motoristas e pedestres também devem contribuir

Os investimentos na infraestrutura das rodovias e em dispositivos de segurança são relevantes para a segurança viária, mas um fator é determinante para a redução dos acidentes: a educação dos motoristas e pedestres. Especialistas afirmam que os investimentos em infraestrutura viária e em ferramentas para reduzir a possibilidade de acidentes são fundamentais, mas o motorista e o pedestre são os principais agentes da mudança dos tristes números de mortes nas estradas nacionais. As rodovias que cortam Campinas e região são exceções em qualidade e número de acidentes no País.

O presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, José Aurélio Ramalho, afirma que as estradas da região de Campinas apresentam números significativos de redução de mortes e acidentes. “Todas as grandes rodovias da região cortam importantes centros urbanos e a atenção deve ser redobrada. As concessionárias estão investindo em infraestrutura e segurança viária. Na área da Rota das Bandeiras, as mortes em acidentes caíram mais de 60%”, aponta.

Ele ressalta que a região tem as melhores rodovias do País e existem inúmeros programas de educação para o trânsito. “A boa formação dos motoristas e dos pedestres é fundamental para evitar mortes e acidentes nas estradas. É necessário unir todos os agentes que atuam com trânsito, principalmente governo e autoescolas para uma melhor formação dos condutores”, pontua.

O gerente de Tráfego da Rota das Bandeiras, José Carlos Guimarães, afirma que a concessionária tem vários projetos para educação no trânsito. A empresa tem o Rota da Educação que atua com os futuros motoristas nas escolas. “Outra ação é a realização de palestras nas empresas”, diz. Segundo a Rota das Bandeiras, a concessionária promove, em média, quatro palestras sobre segurança viária em empresas instaladas às margens da D. Pedro I.

Para os pedestres, a concessionária tem o programa Por Cima do Risco que busca conscientizar os moradores das regiões que margeiam as rodovias sobre a importância de atravessar as estradas nas passarelas. O projeto Parada Legal é focado em atender motociclistas, condutores de automóveis e caminhoneiros. A iniciativa oferece uma série de ações como testes de saúde e check-up completo do veículo.