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MESSIAS MARTINS

Às vezes, separar é 'necessário'?

30/06/2015 - 05h00 - Atualizado em 06/01/2016 - 10h26 | Pe. Messias Martins
igpaulista@rac.com.br

O papa Francisco reconhece que a separação, em alguns casos, “é inevitável” e até mesmo “moralmente necessária”, sobretudo quando há violência na relação entre marido e mulher, em um sinal de abertura do conceito contemporâneo de família.
Na minha experiência de 16 anos como padre, de fato, eu concordo que: existem casos em que a separação é inevitável, às vezes, moralmente necessária, para afastar os filhos da violência e da exploração e até da indiferença ou do isolamento.
Papa terminou sua fala aos peregrinos em sua audiência pedindo ao Senhor que nos dê uma fé capaz de vermos a realidade com os olhos do Senhor.
A mensagem chegou um dia depois de o Vaticano apresentar o documento que guiará, em outubro, o Sínodo dedicado à família, com a presença de bispos de todo o mundo, que se propõe a debater sobre “os divorciados e as famílias com filhos gays”.
O papa falou sobre as “profundas feridas” provocadas pela separação nas crianças.
Não estaremos anestesiados em relação às feridas da alma dos filhos? Quanto mais se tenta compensar com presentes, mais se perde o significado das feridas nas almas — disse Francisco. — Como dar assistência aos casais com problemas?
A reflexão é parte dos debates acalorados que os bispos vêm tendo há mais de um ano sobre como a Igreja católica deve enfrentar os desafios da família contemporânea, especialmente a espinhosa questão de autorizar a comunhão para divorciados que desejam se casar novamente.
A Santa Sé revelou que foi alcançado um “acordo” para propor um “caminho”, sob a autoridade dos bispos, para reintegrar os católicos divorciados que desejam se casar novamente na Igreja Católica, o que tem sido considerado um sinal de abertura.
O próprio Papa Francisco afirmou, em fevereiro, que os casais que fracassaram em manter o matrimônio não devem ser condenados. — Quando o amor fracassa, e fracassa muitas vezes, devemos sentir a dor desse fracasso, acompanhar a pessoa que tenha sentido o fracasso de seu amor — afirmou o Papa durante uma missa no Vaticano, em fevereiro. Não devemos condená-los. É preciso caminhar com eles.
Devemos ficar perto dos irmãos e irmãs que sofreram o fracasso do amor em suas vidas.
O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, afirmou, em entrevista ao Globo, em outubro do ano passado que há uma perspectiva de mudança na discussão do tema.
Há o desejo de simplificar e agilizar os processos de reconhecimento da nulidade matrimonial. A declaração segue a linha do relatório precedente ao debate, apresentada pelo cardeal húngaro Peter Erdo, presidente-delegado do Sínodo do ano passado. No documento, é sugerida a hipótese de que, em certos casos, o próprio bispo diocesano possa formular uma declaração de nulidade matrimonial, em via extrajudicial.
Atualmente, a Igreja considera o casamento indissolúvel, e pessoas divorciadas ou casadas mais de uma vez (exceto em casos de viuvez) não podem receber os sacramentos, como eucaristia e reconciliação.
Bem uma coisa é certa o Santo Padre juntamente com o sínodo dos bispos quererá esclarecer melhor como viver a fé que recebemos dos apóstolos em questões tão significativas como é a família.