Publicado 17 de Maio de 2015 - 20h34

Por Sarah Brito

Parque ecológico pode se tornar referência no atendimento a animais

Janaína Ribeiro/ ANN

Parque ecológico pode se tornar referência no atendimento a animais

O Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim pode se tornar referência em Campinas e região nos cuidados a animais silvestres. A Prefeitura planeja construir no local um Centro de Recuperação de Animais Selvagens (Cras), unidade que receberia animais atropelados, vítimas de maus-tratos e traficados e os devolveria à natureza. O projeto ainda não foi iniciado, mas é uma exigência após a criação, em 2013, do Departamento de Bem-Estar Animal.

O parque é uma opção por ser um ponto de natureza na cidade. O local que pode receber a unidade fica em frente à portaria 2, que tem acesso direto à Rodovia José Roberto Magalhães Teixeira. “É um lugar isolado no parque, onde é possível entrar tanto pela Avenida Heitor Penteado quanto pela rodovia”, informou o diretor do Departamento de Bem-Estar Animal, Paulo Anselmo.

A área é uma possibilidade, mas a Prefeitura procura alternativas. Na atual sede do departamento, o antigo Centro de Controle de Zoonoses, não há espaço adequado. De acordo com o secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes, a proposta será apresentada quarta-feira ao Conselho Diretor do Fundo de Recuperação, Manutenção e Preservação do Meio Ambiente. Se aprovada, será licitada, e a previsão é que até o final do ano o projeto executivo esteja pronto.

Segundo Menezes, o projeto executivo está orçado em R$ 250 mil, mas o valor pode cair com a concorrência no edital. “Geralmente, o valor do projeto corresponde a 10% do custo da obra. Esperamos que seja um valor menor, de cerca de R$ 1,5 milhão para a construção”, disse. A unidade contaria com uma equipe de seis a oito pessoas e poderia ser construída com verba de compensação ambiental, caso não haja recursos via governo federal ou estadual.

Hoje, quem recebe as ocorrências da Polícia Ambiental é a organização não governamental Associação Mata Ciliar, em Jundiaí. Ano passado, foram dois mil animais resgatados em toda a macrorregião de Campinas, grande parte de Jundiaí. As concessionárias das rodovias do entorno e as Guardas Municipais também encaminham animais ao Cras de Jundiaí.

“O Cras tem o objetivo de reabilitar e dar cuidados emergenciais aos animais. Assim, podem ser soltos na natureza. O cuidado é soltar nas imediações onde eles foram encontrados, para facilitar a adaptação”, explicou a coordenadora de fauna e veterinária da associação, Cristina Harumi Adania.

A Prefeitura também pretende iniciar este ano uma parceria com a ONG. O convênio com seria destinado ao fornecimento de atendimento, destinação e soltura de animais selvagens até a concretização das estruturas municipais. Após a construção do Cras em Campinas, a ideia é trabalhar em conjunto. Outras cidades, entre elas Vinhedo, já têm convênio com a associação.

A Polícia Ambiental de Campinas lida com animais que sofreram maus-tratos e são vítimas de crimes. A polícia não tem convênio com cidades para enviar os animais, que são recebidos por ONGs conveniadas, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para fazer o tratamento e a readaptação ao habitat natural. Em Campinas, um veterinário conveniado ao Ibama auxilia a polícia nos cuidados iniciais.

Situação

Campinas não possui hoje números ou informações sobre animais silvestres encontrados na cidade. Segundo Anselmo, um dos grandes problemas do crescimento do município é o impacto sobre a fauna selvagem, com redução do habitat natural. Entre as ocorrências, tráfico de animais selvagens, atropelamentos e desalojamentos.

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Sarah Brito