Publicado 21 de Abril de 2015 - 5h00

Por Da Agência Anhanguera de Notícias

Sírius terá uma fonte de luz síncrotron de terceira geração

Reprodução

Sírius terá uma fonte de luz síncrotron de terceira geração

Numa tentativa de sustentar seu orçamento, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deverá pedir empréstimos em linhas internacionais de financiamento à pesquisa e a inclusão de obras no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), entre elas a do Sirius, o novo acelerador de partículas que está sendo construído no Laboratório Nacional Luz Síncrotron, em Campinas, com investimento de R$ 1,3 bilhão. Incluir a obra do laboratório no PAC, para o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), pode significar segurança no investimento em época de cortes e ajustes no governo federal.

Segundo o ministro Aldo Rebelo, a pasta não foi contemplada com obras do PAC. Com o ajuste fiscal do governo da presidente Dilma Rousseff, houve grandes cortes de recursos no setor. “O ministério não tem uma obra sequer no PAC. Obras de infraestrutura como a do Sirius são investimentos que podem ser naturalmente vinculados ao PAC”, disse Rebelo.

Corporativismo

Segundo o ministro, o MCTI tentará também recuperar fundos provenientes do pré-sal, já que a regulamentação da partilha dos royalties deixou de fora o setor. “Se não tivéssemos perdido os recursos dos fundos do petróleo, teríamos R$ 1,6 bilhão a mais. Eu não entendo por que a regulamentação do pré-sal incluiu Educação e Saúde e excluiu ciência, tecnologia e inovação. Só o corporativismo explica isso um corporativismo muito pequeno na comunidade científica e muito grande nas outras", disse Rebelo.

De acordo com ele, o ministério terá como prioridade reverter o contingenciamento na área. "Temos razões para lutar por isso. Contingenciar a ciência é contingenciar o desenvolvimento. O avanço da saúde só é possível com investimentos em pesquisa", discursou.

Recursos no Exterior

O ministério também deverá pela primeira vez buscar recursos fora do Brasil, de acordo com o ministro. "Esse é o único ministério que não tem empréstimos em linhas internacionais de financiamento. Vamos buscar esses recursos. Também vamos estimular os governos estaduais a não contingenciar seus recursos para ciência, oferecendo a eles investimentos federais com contrapartidas", declarou.

Garantias

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB) esteve semana passada com o ministro e afirmou que ao final do encontro, Rebelo deixou claro que o laboratório é prioridade e terá seu empenho para a consolidação do projeto. "A construção do laboratório contou com uma parceria do município, com a aprovação de todo o processo em 60 dias, tivemos a doação da área do governo do Estado e investimento do governo federal. O ministro assumiu esse compromisso num projeto que tem relevância nacional", afirmou o prefeito.

Bom sinal

Segundo Jonas, a inclusão da obra do novo laboratório no PAC é uma sinalização de que o ministério pretende garantir os recursos para o Sirius, caso haja qualquer tipo de problema com o orçamento da pasta. O prefeito afirmou que é esperado para os próximos dias anúncios de cortes severos nos gastos em Brasília, o que poderia afetar alguns investimentos.

"Eu interpreto as colocações do ministro como um esforço para garantir que a construção do laboratório não passe por nenhum problema. Só precisamos acompanhar a forma como isso será feito em Brasília e quais serão as garantias para que o cronograma não atrase ou a mudança afete a obra", disse Jonas.

Sirius

O prédio do Sírius está entre as obras civis mais sofisticadas já construídas no País, com exigência de estabilidade mecânica e térmica sem precedentes. O equipamento construído será composto, em sua maioria, por tecnologia brasileira e instalado próximo à primeira e única fonte de luz síncrotron brasileira, que opera desde 1997.

A instituição promove pesquisa em física, biologia e nanotecnologia e desenvolve, desde a década de 90, projetos nas áreas de física, química, engenharia, meio ambiente e ciências da vida. Mas o Sírius será um acelerador de partículas de 4ª geração e um dos primeiros do mundo. Ou seja, quando pronto, produzirá luz de altíssimo brilho e o feixe de luz será capaz de penetrar materiais densos, com impacto determinante para a nanotecnologia e biotecnologia. Igual a ele, somente o MAX IV, que está sendo construído na Suécia, terá brilho semelhante no mundo.

Investimentos

Localização

O Laboratório de Luz Síncrotron - Projeto Sírius - será construído em um terreno onde está instalado o Polo II de Alta Tecnologia. O prédio terá 68 mil. Sua infraestrutura poderá ser usada por pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e permitirá o avanço de áreas estratégicas para o País, como agricultura, saúde e energia.

O primeiro laboratório, hoje em atividade, foi projetado em 1983. O projeto é considerado um dos maiores e mais complexos da ciência brasileira sob responsabilidade Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

(Com informações da Agência Estado)

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