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Sinal vermelho dos governantes

19/03/2015 - 16h19 - Atualizado em 19/19/2015 - 16h24 |

Rejeição a um governante é coisa séria. Quando um gestor público tem contra ele uma avaliação muito negativa urge providenciar a ambulância para entrar na UTI da imagem. A rejeição é um fenômeno que deve ser convenientemente analisado.
 
Trata-se de uma predisposição negativa que a pessoa adquire e conserva em relação a determinados perfis. Para compreendê-la melhor, há de se verificar a intensidade da rejeição dentro da consciência dos conjuntos sociais. O que diz a ciência?
 
O processo de conscientização leva em consideração um estado de vigília do córtex cerebral, comandado pelo centro regulador da base do cérebro e, ainda, a presença de um conjunto de lembranças (engramas) ligadas à sensibilidade e integradas à imagem do nosso corpo (imagem do EU), e lembranças perpetuamente evocadas por nossas sensações atuais. Ou seja, a equação aceitação/rejeição se fundamenta na reação emotiva de interesse/desinteresse, simpatia/antipatia. Pavlov se referia a isso como reflexo de orientação.
 
 
A rejeição tem uma intensidade que varia de político para político. Em São Paulo, Paulo Maluf, que sempre teve altos índices de rejeição, administra o fenômeno com muito esforço. Mudou comportamentos e atitudes. Tornou-se menos arrogante e mais humilde, apesar de não ter conseguido alterar a entonação de voz anasalada.
 
Os escândalos recentes e o lamaçal em que se afunda a esfera política também contribuem para atenuar a predisposição negativa contra ele, a ponto de purgar seus pecados pelos pecados mortais dos outros.
 
Certos perfis, mesmo não integrantes de grandes famílias políticas, passam a imagem de antipatia, seja pela arrogância pessoal, seja pelo estilo de fazer política ou pelo oportunismo que suas candidaturas sugerem. Em quase todas as regiões, há altos índices de rejeição a atores políticos, comprovando a tese de que os grupos sociais, incluindo as margens, agem com racionalidade e estão cada vez mais críticos.
 
Analisemos, agora, a rejeição à presidente Dilma. Primeira mulher a assumir o mais alto cargo da Nação, agregava as condições de grande popularidade. Surgiu no embalo do prestígio do carismático Luiz Inácio e do conceito de ética na política, que o PT encarnava há duas décadas. O escopo de assepsia representado pelo lulopetismo desmoronou com os escândalos do mensalão e, agora, do petrolão.
 
O Partido dos Trabalhadores, a partir do seu guia, Luiz Inácio, se empenhou nos últimos anos em separar o Brasil em duas bandas: os pobres e os ricos, as elites brancas e os grupos periféricos, nós e eles. O apartheid acirra os ânimos das duas alas.
 
As classes médias tradicionais repudiam o escopo petista cravado no conflito de classes. No último pleito, o País se dividiu ao meio. E a animosidade se expande na esteira da crise econômica e da crise política.
 
A presidente Dilma possuía um perfil de gestora técnica. Que foi desconstruído. As obras do PAC empacaram. Sua índole a afasta da esfera política. Demonstra não ter apetite para conviver com a real politik brasileira. A nova classe média, formada por grupamentos que ascenderam à classe C, saindo da D, teme perder o que ganhou com a política de redistribuição do lulodilmismo.
 
A carestia ameaça esvaziar o bolso das margens. E o inflamado discurso do PT e da CUT — sob a paisagem de campos e experimentos devastados pelo MST — é lenha grande na fogueira. Não apenas agrupa os habitantes do centro da pirâmide. Conta com uma parcela (menor) das margens. E a razão é: a equação BO+BA+CO+CA (Bolso cheio, Barriga satisfeita, Coração agradecido, Cabeça decidida a apoiar o governante) já não se sustenta. E assim se explica a rejeição à presidente.
 
Pode ser revertida? Sim, a depender da economia, que é a locomotiva que puxa a vontade (boa, má) do povo. Neste momento, não adianta tergiversar. O discurso da presidente no Dia Internacional da Mulher foi um desastre. Urge trabalhar com a verdade. Mudar posturas. A rejeição à Dilma começa com mudança de atitudes. Dela mesma.






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