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MESSIAS MARTINS

Virou moda atacar o papa

03/02/2015 - 05h00 - Atualizado em 17/17/2015 - 17h35 | Messias Martins
igpaulista@rac.com.br

No final de dezembro passado, escrevi um artigo, "Retrospectiva 2014", que por motivos alheios não foi publicado. Resumidamente, falava da intervenção do papa Francisco entre a pequena Cuba e o gigante EUA e a outra parte do texto sobre a troca de bons votos de Natal para os que trabalham na Cúria Romana.
Lá, o papa elencava os 15 pecados da cúria romana, sem diminuir a Igreja na qual ele é o líder máximo. Pois bem, o ano nem começou direito, pois como dizem alguns o ano só começa mesmo, aqui no Brasil, depois do Carnaval, e o papa volta de novo a ser destaque na impressa: jornais, internet e televisão.
Isso ocorreu depois que o papa Francisco decidiu condenar o ataque ao Charlie Hebdo, defendendo também que religiões não sejam insultadas. Ele virou alvo da ira “santa” de colunistas como Reinaldo Azevedo e Ricardo Noblat; agora, quem se junta ao time é Guilherme Fiúza, que classifica o papa Francisco como “demagogo”.
Vou tentar ser fiel ao que ouvi falar na minha simples reflexão. Penso que o colunista Guilherme Fiúza não quis entender na frase “liberdade de expressão tem limite” é que o limite é o respeito aos limites do próximo. Como alguém diria: perde-se a piada, mas não se perde o respeito. É sempre bom, evitar uma piada que possa causar um constrangimento maior. Qualquer pessoa que conte piadas sabe que algumas não devem ser ditas em determinados ambientes ou para determinadas pessoas. 
Por exemplo: imagine que o sr. Guilherme Fiúza foi chamado para um jantar com a família do seu amigo Diogo Mainard. As famílias todas reunida. Várias gerações. De repente, durante o papo, o sr. Fiúza lembra-se de uma ótima piada, segundo seu critério, envolvendo crianças com paralisia cerebral — o filho de Mainard tem paralisia cerebral. O que faz o sr. Fiúza? Tenho minhas dúvidas. Mas qualquer pessoa de bom senso daria um gole no vinho e contaria uma piada de salão.
A questão é associar o comentário do papa e a barbárie ocorrida na França. É bom pensar que, porque o papa tenta entender ou explicar uma circunstância ou situação, não quer dizer necessariamente que concorde com elas ou as defenda? Eis o pensamento claro dele, que deve servir como parâmetro para interpretações mais acertadas quanto às suas intenções em falas: “Que ninguém pense que pode proteger-se em Deus quando projeta e realiza atos de violência e abusos. Que ninguém use a religião como pretexto para as próprias ações contrárias à dignidade do homem e seus direitos fundamentais. Quanto aos grupos extremistas, eles ‘desnaturalizam o autêntico sentido religioso, distorcem e instrumentalizam’ as diferenças entre as diversas confissões e as transforma em um ‘fator perigoso de conflito e violência.” Papa Francisco.