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MESSIAS MARTINS

Desafios da Igreja atual

25/11/2014 - 05h00 - Atualizado em 17/17/2015 - 17h35 |

Cerca de 80 pessoas, entre bispos, padres, religiosos e leigos participaram da 13ª Assembleia Pastoral do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ocorrida nos dias 21 e 22 de novembro, com a finalidade de refletir sobre os desafios e esperanças da Igreja nos dias atuais. Durante o encontro, o professor do departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, padre Waldecir Gonzaga, falou sobre os desafios da Igreja.
Segundo Waldecir, dentre os inúmeros desafios apresentados pela sociedade atual, destacam-se a resposta à missão, proposta por Jesus à Igreja, e o mundo dos pobres e excluídos. “Lembrando São João Paulo II, o papa Francisco indica-nos que a atividade missionária ainda hoje representa o máximo desafio para a Igreja. Por isso, a causa missionária deve ser a primeira de todas as causas. Francisco também nos exorta que desafios existem para serem superados. Pede-nos para sejamos realistas, sem perder a alegria, a audácia e a dedicação. Uma nova evangelização, com alegria, disse padre Waldecir.
 
A Igreja é por natureza missionária (AG 2). Ela existe para evangelizar (EN 14). Ela foi desde o início, enviada para a missão por Jesus Cristo (Mc 16,15 ). E Ele acompanha a missão pelo seu Espírito que permanece com a Igreja (Mct. 28,20).
 
Após a primeira conferência, os participantes, divididos em grupos, debateram os objetivos, as urgências e as iniciativas de evangelização nas comunidades, tendo em vista a promoção da vida e a chegada da ação da Igreja a todos, especialmente aos pobres e excluídos. Para o bispo de Duque de Caxias (RJ), d. Tarcísio Nascentes dos Santos, diante do quadro apresentado, permanece no coração de cada um a certeza de que Deus caminha com a Igreja.
 
“É o senhor que nos faz Igreja missionária”. É preciso, como nos diz o papa Francisco, ser uma Igreja em saída, assumir os desafios e as dificuldades como motivações para vivermos cada vez mais a fidelidade ao Evangelho e buscar iniciativas que possam nos ajudar como dioceses do Regional Leste 1, a viver esse caminho na unidade e na diversidade”, pontuou.
 
Já o bispo de Campos (RJ), dom Roberto Ferrería Paz, ressalta que, dentre os desafios apresentados, a formação do laicato deve ser uma das mais importantes preocupações para a Igreja hoje. “Temos que formar, organizar e mobilizar o laicato, porque são os principais protagonistas da nova evangelização e de um mundo mais inclusivo, que promova a justiça e viva mais a fraternidade com os pobres”, enfatizou.
 
O período da tarde foi marcado pela reflexão das esperanças para a ação evangelizadora da Igreja na sociedade atual. A conferência foi conduzida pelo professor e antropólogo Luiz Marins. Ele apresentou uma visão otimista sobre a realidade do mundo atual em relação à Igreja, com oportunidades de crescimento em todas as situações. "Nós temos o que o mundo quer e precisa”, afirmou.
 
Ao concordar com o antropólogo, o bispo de Nova Friburgo (RJ), dom Edney Gouvêa Mattoso, apontou a necessidade do testemunho para a sociedade. “Nós, como cristãos católicos, somos fermento de transformação do mundo”. O cristão, como fermento na massa, vai aos poucos, mostrando a sua presença, a sua capacidade transformadora. Por isso é tão importante o nosso testemunho nos locais e meios em que vivemos, onde nosso Senhor nos colocou: o testemunho de amor à Deus, à Igreja e ao próximo”, disse.
 
Após uma celebração eucarística presidida pelo arcebispo de Niterói, dom José Francisco Rezende Dias, as atividades do dia foram encerradas com a plenária dos grupos de trabalho. No dia seguinte foram apresentadas as conclusões da assembleia, com exposição e votação das propostas, além dos encaminhamentos para o próximo ano.
 
Ainda no primeiro dia do encontro, os bispos do regional Leste 1 da CNBB elaboraram uma carta aberta aos padres, pais de estudantes e agentes de pastoral. O texto alerta para a obrigatoriedade da oferta da disciplina de Ensino Religioso nas escolas, conforme previsto na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), na Lei Estadual nº 3459 de 14/09/2000 e no Decreto nº 31.086 de 27/03/2002. O episcopado do regional sublinhou que a oferta da disciplina "é dever de quem se propõe a formar cidadãos livres e conscientes".
 
Diante dos desafios da realidade atual, onde as pessoas e até povos inteiros ainda não conhecem Jesus ou mesmo onde muitas pessoas abandonaram sua vivência religiosa ou até a própria fé, somos chamados a um grande e permanente processo de evangelização: essa é a grande missão da Igreja na atualidade.
 
Hoje a missão tem desafios próprios de nosso tempo, diante de uma realidade de mudanças rápidas e radicais, que interferem no modo de ser e agir das pessoas, de um modo especial numa realidade de acelerada e desordenada urbanização, como é a região metropolitana em que nossa arquidiocese está situada.
 
"Formar os jovens, enquanto ser social, comprometido com a construção do mundo, é educá-los, também para os valores que transcendem a sua existência material. A escola tem que ajudá-los a construir sua vida interior, o seu caráter e personalidade, a comprometer-se com a coletividade, a buscar o melhor para si e para os outros", afirma o texto.
 
Apesar de ser uma disciplina de caráter opcional, aos pais dos alunos é recomendado que seja solicitada a matrícula. "Exija o direito ao Ensino Religioso para seus filhos menores e anime os seus filhos adultos a solicitar essa disciplina, independente se lhe for perguntado ou não!", pedem no texto.