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JOSÉ DE NADAI

Finados - fé e esperança!

04/11/2014 - 05h00 - Atualizado em 17/17/2015 - 17h06 |

A realidade da morte é uma experiência cotidiana de todos nós. Experiência que temos com maior ou menor proximidade, maior ou menor intensidade. Ora somos expectadores, ora atores coadjuvantes, por fim, sujeitos da morte. Seja como for, a morte é companheira inseparável da vida.
 
As culturas dos povos, ao longo da história humana, têm representações muito diferentes da morte. Lembremo-nos da tradição dos povos indígenas; da milenar cultura chinesa e da Índia; das culturas tribais da África; da clássica cultura greco-romana, da qual somos herdeiros. Apesar de visões diferentes, há um “quê” de respeito, silêncio e mistério em todas elas.
 
As grandes religiões, como o Judaísmo, o Islamismo, o Budismo e o Cristianismo, têm em suas tradições, seus próprios ensinamentos sobre a morte e seus respectivos rituais.
 
“Diante da morte, o enigma da condição humana atinge seu ponto alto” (G.S.18). Contudo, a fé cristã ensina que nosso Deus é o Deus da Vida e não da Morte e que sua glória é a vida do homem. Em Jesus Cristo Ressuscitado repousa nossa feliz esperança da vida eterna. “Eu sou a Ressurreição e a Vida” (Jo 11,25).
 
Na liturgia da Igreja, no ritual das exéquias, essa fé é expressa de forma privilegiada. “Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E desfeito nosso corpo mortal, nos é dado nos céus um corpo imperecível.” Ou como nos ensina Paulo Apóstolo: “Uma coisa é o brilho do Sol, outra o brilho da Lua e outra o brilho das estrelas. O mesmo acontece com a ressurreição dos mortos: o corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível” (1Cor 41-42).
 
Agrada-me a imagem de um Cristo Ressuscitado que, como um cometa luminoso, arrasta consigo todos os seus. Afinal, foi Jesus mesmo, Divino Salvador, que nos deixou este legado: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10).
 
Pois bem, comemoramos o Dia de Finados. Os cemitérios de nossas cidades foram visitados por uma multidão de pessoas. Cada qual foi levado, a seu modo, por uma saudade, por uma dor, por sua crença ou esperança. Nas mãos uma flor, no coração um afeto, nas faces uma lágrima, nos lábios uma prece, nos olhos uma luz. Em todos, um sentimento profundo de solidariedade humana na vida e na morte. É a comunhão universal de todos os homens e mulheres na mesma condição humano-divina.
 
Os cristãos diante dos túmulos professam sua fé e esperança: cremos na comunhão dos santos e na vida eterna. Esperamos a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir.