Publicado 24 de Novembro de 2014 - 13h44

Por Maria Teresa Costa

Represa Atibainha, sob a Rodovia D. Pedro I, uma das que compõe o Cantareira em Nazaré Paulista

Cedoc/ RAC

Represa Atibainha, sob a Rodovia D. Pedro I, uma das que compõe o Cantareira em Nazaré Paulista

O Sistema Produtor Regional do PCJ — projeto para a construção de barragens em Amparo e Pedreira, e que aumentará a oferta de água para a região de Campinas em 13,8 metros cúbicos por segundo m³/s) —, será discutido amanhã em audiência pública no auditório da Radio Cultura de Amparo. O Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) quer colher sugestões e contribuições para a melhoria do projeto das barragens Duas Pontes, no Rio Camanducaia, e no Rio Jaguari, entre Pedreira e Campinas. A construção dos reservatórios implicará na desapropriação de 35 imóveis em Pedreira e 31 em Amparo, e só serão concluídos em 2018.

Os moradores dessas áreas têm protestado nas audiências realizadas até agora para discutir o projeto. Eles querem que o governo do Estado estude a possibilidade de ampliar a represa Jaguari, em Pedreira, uma pequena central hidrelétrica, mas o Daee informou que não há possibilidade de ampliar essa usina, que opera a fio de água e não tem comportas para reservar grandes volumes.

Segundo o órgão, a capacidade de armazenamento dessa usina hidrelétrica é de um quinto do volume útil da represa que está sendo projetada para Pedreira. O custo estimado das novas represas é de R$ 500 milhões.

O governo do Estado já declarou de utilidade pública uma área de 11,9 quilômetros quadrados em Pedreira, Campinas e Amparo para a implantação de duas barragens. O reservatório de Pedreira será construído no Rio Jaguari e ocupará uma área de 4,3 quilômetros quadrados entre Pedreira e Campinas e, segundo o projeto básico do empreendimento, terá capacidade para armazenar 26,3 milhões de metros cúbicos — com uma vazão média de 7,3m³/s. A outra represa, a Duas Pontes, será construída no Rio Camanducaia, em Amparo, com capacidade para 41 milhões de metros cúbicos. Ela ocupará uma área de 7,6 quilômetros quadrados e vazão regularizada de 6,5 m/s.

Elas serão construídas abaixo do complexo Cantareira e têm por objetivo criar uma reserva hídrica estratégica na bacia do PCJ, com uma vazão regularizada de 13,8 m/s, muito superior aos 5 m/s que são disponibilizados atualmente pelo Sistema Cantareira. Os estudos ambientais foram contratados no início de abril. Até o momento, o Estado liberou R$ 53 milhões para as desapropriações das áreas das futuras represas. Além de ser uma reserva de água, as barragens também serão pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

Os projetos desses reservatórios são financiados pela Refinaria de Paulínia (Replan), como contrapartida à autorização para captar mais água do Jaguari e assim poder atender as necessidades. futuras. Para elevar a capacidade de processamento de petróleo nacional e seus derivados, reduzindo o teor de enxofre nos produtos, a empresa está investindo US$ 1,29 bilhão. A Replan vai precisar retirar mais 503 metros cúbicos de água por hora do Rio Jaguari. Atualmente, a refinaria tem outorga do Daee para captação horária de 1,87 mil m³ e quer ampliar para 2,4 mil m³.

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