Publicado 03 de Outubro de 2014 - 20h38

Por Delma Medeiros

A ata de criação da Sociedade Symphonica Campineira

Leandro Ferreira/ AAN

A ata de criação da Sociedade Symphonica Campineira

Documentos descobertos quase que por acaso corroboram a informação de que a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC) foi, de fato, a primeira a ser criada no Brasil, tendo sido fundada em 1929, um ano antes da Orquestra Sinfônica do Recife, corporação com mais tempo em atividade ininterrupta do País. Vários documentos da época, inclusive a ata de criação da Sociedade Symphonica Campineira, em 6 de outubro de 1929, e os primeiros programas da orquestra, que fez sua estreia em 15 de novembro do mesmo ano, chegaram às mãos da primeira-dama de Campinas, Sandra Ciocci.

“Recebi esses documentos do jornalista Clóvis Cordeiro, meu amigo de escola, há uns três meses. Quando vi do que se tratava nem consegui dormir. Chamei a Lenita (Mendes Nogueira, musicóloga) para analisar comigo os documentos e constatamos que era mesmo a ata de criação da Orquestra Sinfônica de Campinas”, conta Sandra.

 

O material, que inclui folhas de pagamento dos integrantes da orquestra, cerca de 60 programas de concertos, registro de subsídios recebidos da Prefeitura de Campinas e até o recibo de pagamento ao jornal Correio Popular pela veiculação de anúncio (de 1936), será doado ao Centro de Memória da Unicamp (CMU), entidade mais aparelhada para guardar, analisar e preservar os registros. “Os documentos estavam sujos, manchados, como se tivessem sido jogados fora. Agora poderão ser preservados. Faremos cópias virtuais para a Prefeitura, arquivo da Sinfônica e Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), deixando os originais com a Unicamp”, explica Sandra.

A primeira sessão para a criação da Sociedade Symphonica foi realizada em 6 de outubro de 1929, no Salão Nobre do Clube Italiano, que também cedia espaço para os ensaios. Salvador Bove foi o primeiro maestro do recém-criado grupo musical. A primeira diretoria tinha Jorge Witerman como presidente, Reynaldo Prestes como secretário e Franklin Caetano de tesoureiro. Na comissão de honra estavam o prefeito Orosimbo Maia, Joaquim Alvaro, Raphael Duarte, Annibal de Freitas, Euclydes Vieira, Geraldo Alves Corrêa, José de Campos Novaes, Pedro A. Anderson, Antonio Benedito de Castro Mendes e Elias Lobo Netto. A primeira formação contava com 51 músicos, ou professores de orquestra.

 

Apesar do caráter extraoficial, documentos comprovam que a Orquestra recebia subsídios municipais. Não se sabe exatamente quando começou, mas há um ofício de 1938 formalizando o apoio financeiro. De 1935, há folhas de pagamento dos integrantes assinadas a lápis. Entre os papéis encontrados há até uma carta de uma irmã de Carlos Gomes agradecendo à corporação por concertos com obras dele. Os documentos mostram um grupo bem estruturado. Há, inclusive, indicação de maestros convidados para os 64º, 65º e 66º concertos. “Esse material precisa ser melhor estudado, claro. Mas mostra que a Sinfônica de Campinas é mesmo a mais antiga do Brasil”, diz a musicóloga Lenita Nogueira.

Clóvis Cordeiro conta que há cerca de dez anos um conhecido entregou a ele uma caixa com os documentos, que havia encontrado jogados numa obra. “Ao longo desses anos, ofereci o material a três secretários de Cultura, mas nenhum demonstrou interesse. Uma noite, num evento no MIS (Museu da Imagem e do Som) sobre Carlos Gomes, falei com a Sandra que se dispôs a dar aos documentos a devida destinação e cuidado”, diz Cordeiro.

 

Os documentos serão entregues ao Centro de Memória da Unicamp neste sábado (4), durante o intervalo do concerto da Sinfônica com a peça 'Colombo', que encerra as comemorações pelo Mês de Carlos Gomes. O concerto ocorre, às 20h, no Teatro Municipal José de Castro Mendes.

 

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Delma Medeiros