Publicado 10 de Outubro de 2014 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

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Dominique Torquato/ AAN

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A primeira cota do volume morto da Represa Atibainha, em Nazaré Paulista (SP), vai acabar nesta sexta-feira (10). Dos 78,2 bilhões de litros da reserva que começaram a ser bombeados do segundo principal reservatório do Sistema Cantareira em 15 de agosto, restavam nesta quinta-feira (9) 840 mil litros, suficientes para menos de um dia.

 

Com o esgotamento da Atibainha, o sistema terá ainda 49,76 bilhões de litros para abastecer a região de Campinas e a Grande São Paulo - 17,9 bilhões de litros na represa Cachoeira e 30,95 bilhões de volume morto nas represas Jaguari/Jacareí. Se não chover, esse volume de água irá zerar em meados de novembro.

 

Manobras

 

A Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) informou que, embora o volume operacional esteja chegando a zero, a água dessa represa não deve acabar antes de uma semana. O Sistema Cantareira, informou, deve ser visto como um todo. Em nota a empresa afirmou que é possível, a qualquer momento, transferir água de uma represa mais alta para outra mais abaixo, de acordo com a operação do sistema.

 

Há mais de 50 bilhões de litros da reserva técnica inicial ainda a serem utilizados e as obras prontas para utilizar, se houver necessidade, mais 106 bilhões de litros de uma segunda cota, informou, em nota.

 

Armazenamento

 

De acordo com a Sabesp, a água ainda vai durar algum tempo, porque a reserva técnica corresponde a uma parte do volume das represas e existe mais água abaixo do limite de bombeamento da atual reserva técnica. "No total, são mais de 450 bilhões de litros de reserva técnica. A primeira cota corresponde a 182,5 bilhões de litros. A segunda cota, a 106 bilhões de litros. A diferença permanece armazenada nas represas" , informou.

 

O Cantareira operou nesta quinta com mais um recorde negativo, em 5,3% de sua capacidade, usando exclusivamente a água da reserva mais profunda dos reservatórios. Desde 15 de maio, quando teve início o bombeamento de 182,47 bilhões de litros do volume morto, 150,68 bilhões já foram consumidos. Ou seja, 82,5% do volume morto foram bombeados para garantir o abastecimento de 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo e região de Campinas.

 

Obras no fim

As obras para a retirada de uma segunda cota do volume morto do Cantareira estão sendo finalizadas, mas a operação de bombeamento de mais 106 bilhões de litros depende ainda de autorização da Agência Nacional de Águas (ANA). A segunda cota do volume morto do Cantareira vai elevar em 10,7 pontos percentuais a capacidade das cinco represas, de acordo com a companhia de abastecimento. Se o bombeamento tivesse início hoje, o sistema passaria a operar com 16% da capacidade.

A Sabesp quer essa segunda cota para tentar garantir o abastecimento de São Paulo até março. A agência aguarda que a Sabesp entregue a projeção de demanda da segunda cota, para poder analisar o pedido, que chegou incompleto na segunda-feira (6). A Sabesp informou ontem que está preparando a atualização.

 

Plano

O plano de operação dos reservatórios do Sistema Cantareira, incluindo regras de funcionamento das estruturas de bombeamento instaladas e a construir, é imprescindível para que os órgãos reguladores, ANA e DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), possam analisar e autorizar, se for o caso, a utilização de volumes adicionais da Reserva Técnica II do Sistema.

A seca na Represa Atibainha vem trazendo surpresas, além do ritmo acelerado de esvaziamento. Esta semana, o Correio Popular encontrou cerca de 20 carcaças de veículos na parte seca do reservatório, sendo cinco sob a ponte da Rodovia D. Pedro I e o restante espalhados ao longo da represa.

 

Segundo o delegado Luiz Carlos Ziliotti, os carros podem ser produtos de furto e roubo e também golpe em seguro. Em 2006 a polícia havia encontrado um cemitério de veículos submersos a cerca de sete metros de profundidade em um trecho da represa.

 

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Maria Teresa Costa