Publicado 08 de Outubro de 2014 - 21h17

Por Maria Teresa Costa

Propostas apresentadas visam evitar o colapso do Sistema Canteira

Dominique Torquato/AAN

Propostas apresentadas visam evitar o colapso do Sistema Canteira

A região de Campinas está disposta a reduzir a captação de água nos rios das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) para evitar o colapso do Sistema Cantareira, que nesta quarta-feira (8) operou com 5,5% da capacidade, usando exclusivamente o volume morto.

 

Mas os usuários não aceitarão os termos propostos pelos gestores do sistema, a Agência Nacional de Águas (ANA) e Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) que, além de reduzir os volumes outorgados, querem que as captações nos rios sejam suspensas diariamente por pelo menos cinco horas.

 

Na proposta que será entregue até a próxima segunda-feira, o Consórcio das Bacias PCJ vai dizer aos gestores que ou reduzem as outorgas ou suspendem as captações, porque a região não terá como garantir o abastecimento com a adoção simultânea das duas medidas.

 

As novas regras serão adotadas quando o volume de água disponível nas represas do Sistema Equivalente do Cantareira for menor que 49 bilhões de litros, o que corresponde a 5% do seu volume útil e quando as vazões medidas nos postos de monitoramento dos rios estiverem abaixo de 4m3/s no alto Atibaia, 2m3/s no baixo Atibaia e 3m3/s no Rio Jaguari. Nessas condições, ANA e Daee querem que as empresas de abastecimento reduzam em 20% as captações em relação aos volumes outorgados e suspendam as captações das 7h às 12h. Enquanto isso, a indústria e a agricultura reduziriam a captação em 30% e suspenderiam a retirada entre 12h e 18h. O Sistema Equivalente é composto pelos reservatórios Jaguari/Jacareí, Cachoeira e Atibainha, formados por barragens nos rios das Bacias PCJ.

 

A proposta do consórcio será de ou redução da captação outorgada ou suspensão de captação por um período do dia. Os consorciados estão ainda discutindo quais percentuais serão aceitos e os estudos caminham para concordar com redução em 20% da captação para abastecimento público, mas baixar dos 30% para 25% a redução para a indústria e agricultura.

 

Segundo a Agência Nacional de Água, a proposta feita aos usuários das Bacias PCJ tenta preservar os volumes acumulados nas represas do Cantareira, pois quanto maiores as retiradas do Sistema Equivalente, maior o risco do seu esgotamento e de não recuperação. Além disso, é necessário compatibilizar as demandas hídricas dos usuários com as baixas disponibilidades da bacia, com a definição de restrição de usos, visando a preservar os volumes nos reservatórios. A redução em 20% na captação de água pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) não levaria Campinas ao racionamento se fosse adotada hoje. A empresa tem autorização para captar 4,1m3/s no Atibaia — uma redução de 20% nesse valor levaria a uma captação de 3,2m3/s. Nesta quarta, a Sanasa estava captando 3m3/s. 

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Maria Teresa Costa