CORREIO POPULAR

Marco Padilha, com todas as honras

A música e o trabalho do compositor Marco Padilha
28/09/2014 - 16h11 - Atualizado em 29/29/2014 - 16h28 | Rogério Verzignasse
rogerio@rac.com.br

BAU DE HISTORIAS 28/9
Marco Padilha, de 58 anos, campineiro da gema, apaixonou-se pela música clássica quando tinha 15. Foi à banca de jornais, no comecinho dos anos 70, e, curioso, comprou um fascículo de uma coleção da Editora Abril que tratava da obra do gênio alemão Ludwig van Beethoven. A 5a Sinfonia lhe fez “cair das pernas”. Ele nunca tinha ouvido nada parecido. Matriculou-se num conservatório e, anos depois, integrou a primeira turma de bacharelados em composição na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele, que aprendeu com mestres do naipe de Orlando Gagnani, Almeida Prado e Isabel Mourão, especializou-se em piano e tornou-se professor de história da música. Perdeu a conta de quantos alunos formou, aqui e na Capital. E seu catálogo de obras ganhou elogios da crítica internacional.
Mas o cidadão – reconhecido como um dos grandes compositores brasileiros de sua geração – precisou arrumar um emprego público para pagar as contas. Graduado em relações públicas, passou em um concurso para trabalhar na Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural da Unicamp e, de lá, cedido pela Pró-Reitoria de Extensão Universitária, tornou-se responsável pelo cerimonial da Câmara Municipal de Campinas. É a vida, ele sabe: poucos brasileiros vivem de música, apesar de talentosos. Padilha trabalha organizando solenidades, eventos e procedimentos protocolares.

E ele se atreveu. Deu um jeito de associar o próprio trabalho de cerimonialista à atividade que sempre lhe deu prazer. Foi ele quem, ao lado da historiadora Lenita Nogueira, tomou a iniciativa de resgatar as partituras originais de O Progresso, de Carlos Gomes, que legalmente passou a ser considerado o hino oficial de Campinas. Padilha organizou a gravação da versão orquestral e produziu cópias simplificadas para CDs distribuídos em escolas da cidade. “A gente precisa despertar o orgulho do campineiro. Eu quero que o hino composto por Carlos Gomes seja conhecido e cultuado por todo o público. E a gente chega lá”, fala.

O músico diz que é tolice acreditar que o público não gosta de música erudita. Prova disso, diz, foram os 24 anos à frente de programas de rádio. Ele produziu e apresentou o programa Intermezzo, na Morena FM, de 1988 a 2001, e foi campeão de audiência em seu horário. De lá, convidado pelo governo municipal, levou a música clássica à Rádio Educativa, onde também comandou o Momento Musical. Detalhe: sempre deu ênfase às composições brasileiras. Ah, sim, o Intermezzo saiu do ar em 2013, mas Padilha não se afeta. Como diz a frase que ilustra a página inicial do seu site: “Ser artista significa não calcular, nem contar; amadurecer como a árvore que não apressa a sua seiva.” A frase é de Rainer Maria Rilke, porém, cai-lhe como uma luva e justifica seu otimismo. “O povo vai se encantar pela música clássica quando tiver a oportunidade de conhecê-la”, afirma.

Resgatando talentos
 
Padilha faz sua parte para divulgar os grandes (e desconhecidos) artistas brasileiros. No dia 14 de setembro, ele palestrou aos associados de um instituto cultural campineiro, no Rotary, e deixou os convidados tocados com a história de Maura Moreira, a primeira a cantora lírica brasileira, mineira de nascimento, contralto de raro talento, que estudou e fez carreira na Alemanha. Ignorada pelos brasileiros, Maura só deixou o palco depois de ficar com os cabelos branquinhos e a saúde comprometida pelo mal de Alzheimer. “Ela é um exemplo de como os artistas brasileiros são reconhecidos lá fora”, diz.

Honra
 
A sabedoria acumulada nessas quase seis décadas de vida faz com que Padilha não espere ser reconhecido nas ruas. E ele também sabe que não vai enriquecer com sua obra. Mas a grande consagração – e o mais valioso dos prêmios – é a quantidade de correspondências elogiosas que ele recebeu quando teve suas composições interpretadas em palcos consagrados da Europa, como Zurique e Toulouse. Uma das correspondências sagradas, guardadas até hoje, foi assinada pelo mestre Almeida Prado que, sem firulas, o considerou o melhor aluno da Unicamp. O elogio veio de um grande mestre. Não pode haver honra maior.

SAIBA MAIS  
O site www.marcopadilha.com traz um apanhado histórico da carreira do compositor campineiro.
 
 
FOTOS: CAMILA MOREIRA/AAN






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