Publicado 16 de Setembro de 2014 - 9h26

Por Maria Teresa Costa

A construção dos reservatórios em Amparo e Pedreira, que formarão um mini-Cantareira na região de Campinas, será discutida em audiência pública na quinta-feira, para que o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) possa colher contribuições para a licitação das obras. Previstas para armazenar 75 bilhões de litros de água, equivalente a 7,7% da capacidade do Cantareira, as represas só serão concluídas em 2018, e criarão uma reserva hídrica estratégica na bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que hoje vive sua pior crise e já tem cinco cidades sob racionamento. Os estudos ambientais foram contratados no início de abril e têm prazo de conclusão em 18 meses. Até o momento, o Estado liberou R$ 53 milhões para as desapropriações das áreas das futuras represas, cujo empreendimento está estimado em R$ 500 milhões. Além de ser uma reserva de água, as barragens também serão pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). 

 

As PCHs têm peso importante no Plano Paulista de Energia, que prevê ampliar, até 2020, de 56% para 69% a participação de fontes renováveis na matriz energética do Estado. O plano identificou que São Paulo tem um potencial de 3,7 mil megawatts (MW) de energia hidráulica remanescente a ser explorado. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), hoje existem 27 empreendimentos no Estado desativados, com um potencial instalado de 30,7MW. Há 48 PCHs em funcionamento produzindo 205 mil kilowatts (kW), quatro em construção e seis em fase de outorga. Para efeito de comparação, o consumo de um ferro de passar roupa é de 1,5kW.

Na região de Campinas existem quatro PCHs: a Jaguari, em Pedreira, com capacidade instalada de 11,8MW; a Salto Grande, em Campinas, com 4,6MW; a Americana, com 30MW, e a Macaco Branco, entre Pedreira e Campinas, com 2,3MW. A energia produzida por elas entram na no sistema nacional, que é interligado.

Os reservatórios garantirão uma oferta de água quase três vezes maior do que os 5m3/s que as Bacias PCJ estão autorizadas a receber do Sistema Cantareira.

Os custos dos projetos serão financiados pela Refinaria de Paulínia (Replan) e são uma das exigências dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) que, em 2010, deu aval às obras de modernização das unidades industriais da refinaria, autorizando a retirada de mais 503 m3/h de água do Rio Jaguari. A autorização de aumento de captação ficou vinculada à contrapartidas que a refinaria foi obrigada a fazer, e que somam cerca de R$ 6 milhões, nas bacias PCJ. A refinaria tem outorga do Daee para captação horária de 1,87 mil m3 e pediu ampliação para 2,4 mil m3.

Após a conclusão dos projetos executivos e dos estudos ambientais, novas etapas terão que ser cumpridas, como as audiências públicas para aprovação dos EIA/Rima, as negociações com os proprietários das terras que serão inundadas e, por fim, a construção das barragens e o consequente enchimento.

O reservatório de Pedreira ocupará uma área de 2,1 quilômetros quadrados no Rio Jaguari e vai permitir uma vazão regularizada de 9,6 mil litros de água por segundo. O reservatório Duas Pontes, no Rio Camanducaia, deverá ocupar uma área de 4,6 quilômetros quadrados e vai permitir uma vazão regularizada de 9,8 mil litros de água por segundo, de acordo com o Daee.

 

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Maria Teresa Costa