Publicado 16 de Agosto de 2014 - 5h00

Por Bruno Bacchetti

Marcelinho Carioca, Paulinho Jamelli, Ademir da Guia, André Sanchez, boleiros, disputam, eleições, 2014

Cedoc/RAC

Marcelinho Carioca, Paulinho Jamelli, Ademir da Guia, André Sanchez, boleiros, disputam, eleições, 2014

Aproveitando o efeito do tetracampeão Romário (PSB-RJ), um dos deputados federais mais atuantes e candidato a senador pelo Rio de Janeiro, ex-jogadores de futebol buscam agora um lugar ao sol na política. Ídolos das décadas de 1970 e 1980 como Roberto Dinamite (PMDB-RJ), Ademir da Guia (PRP-SP) e Tarciso Flecha Negra (PSD-RS) disputam o voto com ex-atletas que penduraram as chuteiras recentemente, entre eles Bebeto (SDD-RJ), Marcelinho Carioca (PT-SP) e Jardel (PSD-RS).

 

Ex-dirigentes de grandes clubes também querem aproveitar a grandiosidade das torcidas para atrair o apoio das arquibancadas. Um exemplo é o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, candidato a deputado federal pelo PT. A reportagem fez um levantamento entre os mais de 25 mil candidatos do País e encontrou pelo menos 30 ex-jogadores, técnicos, dirigentes e até árbitros concorrendo a um cargo público na eleição do dia 5 de outubro.

 

Inspiração

 

Inspiração para a maioria dos postulantes, o ex-atacante Romário lidera as pesquisas para o cargo de senador pelo Rio de Janeiro. Sem papas na língua, o ex-jogador driblou as desconfianças da mesma forma que fazia nos gramados e firmou seu nome na política. Quando eleito, pairou dúvidas se o ex-jogador daria as caras na Câmara, mas é um dos deputados mais assíduos do Congresso Nacional.

 

Ainda no Rio de Janeiro, o ex-atacante Bebeto (SDD), parceiro de ataque do “Baixinho” no tetracampeonato da Seleção em 1994, busca uma vaga como deputado estadual. Ele briga diretamente com Roberto Dinamite (PMDB), ídolo do Vasco nos anos 1970 e 1980 e atual presidente do clube.

 

Entram em campo

 

Em São Paulo, são cinco opções de boleiros na eleição de outubro. Um dos maiores jogadores da história do Palmeiras, Ademir da Guia (PRP) é candidato a deputado estadual. O ex-atleta é experiente na política e foi vereador na Capital paulista entre 2004 e 2008. Mais jovens e recém-aposentados dos gramados, Marcelinho Carioca (PT), ídolo do Corinthians, e Paulinho Jamelli (PCdoB), ex-São Paulo e Santos, também disputam uma cadeira na Assembleia Legislativa. Já para deputado federal, estão na disputa duas figuras ligadas ao Corinthians: o ex-presidente Andrés Sanches (PT), um dos principais responsáveis pela construção do estádio do Timão, e o folclórico Dinei.

 

Pelo País afora, ex-jogadores que defenderam a Seleção Brasileira e até disputaram a Copa do Mundo são candidatos a cargos públicos. Em Minas Gerais, Reinaldo (PTdoB), maior artilheiro da história do Atlético-MG, e Elzo (PMN), titular da Seleção na Copa de 1986, concorrem a deputado federal e estadual, respectivamente.

 

Outros Estados

 

Outro que disputou o Mundial de 86 e concorre à eleição é o ex-lateral Josimar (PPS), postulante a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Roraima. Na lista de ex-dirigentes estão Fernando Bezerra Coelho (PSB), ex-presidente do Santa Cruz e atual ministro da Integração Nacional, candidato a senador por Pernambuco. Alexandre Kalil (PSB), presidente do Atlético-MG até o final do ano, disputa uma vaga como deputado federal.

 

Para Valeriano Costa, cientista político e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Romário deixou um exemplo positivo e provavelmente estimulou outros personagens do futebol a entrar na disputa. No entanto, ele ressalta que o universo de boleiros concorrendo na eleição ainda é pequeno levando em conta o total de candidatos. “O bom exemplo dele pode ter estimulado alguns bons candidatos, mas existem vários que já concorreram. Muitos em fim de carreira são famosos, conhecidos e querem se aproveitar disso. Isso ocorre também com artistas e cantores”, avaliou.

 

Segundo o especialista, alguns personagens da bola são vistos como “puxadores de voto” e podem eleger outros candidatos caso tenham votação expressiva. “O Andrés Sanchez deve se eleger porque o PT tem uma bancada grande. Ele deve ser um dos mais votados e se tiver 500 mil votos, por exemplo, vira um puxador”, afirmou.

Escrito por:

Bruno Bacchetti