Publicado 15 de Junho de 2014 - 15h11

Por Maria Teresa Costa

Há mais imagens de crânio de outras cinco pessoas e três hominídeos que foram enviadas da Itália para ele fazer a reconstrução

Divulgação

Há mais imagens de crânio de outras cinco pessoas e três hominídeos que foram enviadas da Itália para ele fazer a reconstrução

Santo Antônio era bochechudo, tinha o rosto arredondado e o nariz um tanto achatado. Nada que se pareça com a imagem que os devotos têm do santo casamenteiro. No lugar dos traços delicados difundidos por séculos, o português Antônio tinha traços mais rústicos, fortes, de um homem normal.

 

 É assim que o santo surgiu na reconstrução feita pelo especialista em reconstrução facial 3D Cícero Moraes, a partir de imagens do crânio do santo, e com uso da tecnologia do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), de Campinas.

 

Com a imagem foi feito um busto, que foi entregue na última sexta-feira (13), dia do santo, ao Museu de Estudos da Universidade de Pádua, na Itália.

Além de Moraes, o projeto também tem participação do chefe da divisão de Tecnologias Tridimensionais do CTI, Jorge Vicente Lopes da Silva.

Moraes recebeu da empresa italiana Arc-Team, que atua na área de patrimônio cultural e foi contratada pelo museu para o trabalho, as fotografias do crânio do santo, e a partir delas fez o escaneamento 3D das imagens.

 

Ele usou um programa livre de computador chamado Blender para a modelagem 3D e precisou também de estudos aprofundados sobre reconstrução de faces, odontologia, história, antropologia e outras ciências.

Com elas reconstruiu o crânio e trabalhou na colocação dos músculos faciais, pele e cabelos. Cícero acredita que o rosto chegou a cerca de 70% do que seria o rosto verdadeiro.

 

Como não há fotografias de Antônio quando vivo para comparação, o trabalho foi feito a partir do crânio e teve auxílio da técnica de prototipagem rápida (impressão 3D).

 

É um conjunto de tecnologias usadas para fabricar objetos físicos diretamente a partir de fontes de dados gerados por sistemas de projeto auxiliado por computador.

 

Esses métodos são bastante peculiares, porque agregam e ligam materiais, camada a camada, de forma a constituir o objeto desejado. Eles oferecem diversas vantagens em muitas aplicações quando comparados aos processos de fabricação clássicos baseados em remoção de material, tais como fresamento ou torneamento.

Ossada

O santo, que nasceu em Portugal, viveu como frei e morreu em 1231, em Pádua, na Itália, e está sepultado na Basílica daquela cidade. A última exposição dos ossos ocorreu em 2010, a quarta vez em oito séculos. O bom estado de conservação chama a atenção.

 

Todos os ossos, a língua e as cordas vocais estão presentes e evitam o surgimento de falsificações no mercado, além de atestar a existência de um homem com cerca de 1,72m de altura.

 

Cícero recebeu as fotografias desse esqueleto, sem saber que era do santo — condição básica da pesquisa, para evitar que possa haver algum tipo de influência na reconstrução.

Há mais imagens de crânio de outras cinco pessoas e três hominídeos que foram enviadas da Itália para ele fazer a reconstrução, nas quais ainda não começou a trabalhar.

 

Em dois desses crânios vieram imagens tomográficas, e com elas será usado um software que foi desenvolvido pelo CTI para auxiliar o diagnóstico e o planejamento cirúrgico, que vem sendo usado na reconstrução de múmias.

 

Usando tecnologia de prototipagem rápida (impressão 3D), o software InVesalius já ajudou o CTI a reconstituir o rosto de hominídeos que viveram há mais de 2 milhões de anos e reconstruiu a ossada de um crocodilo pré-histórico que viveu durante o fim do período cretáceo no Brasil (145 milhões de anos).

 

Escrito por:

Maria Teresa Costa