Publicado 30 de Maio de 2014 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

Um dos projetos prevê o represamento do Ribeirão das Cabras, em Joaquim Egídio

Élcio Alves/AAN

Um dos projetos prevê o represamento do Ribeirão das Cabras, em Joaquim Egídio

O prefeito Jonas Donizette (PSB) vai chamar empresas para identificarem áreas para a construção de represas em Campinas. O objetivo é que a cidade possa ter sua própria reserva de água e não seja tão dependente, como ocorre hoje, da vazão do Rio Atibaia.

 

Jonas espera receber, além de possíveis locais, projetos de implantação de reservatórios, incluindo estudos técnicos, econômico-financeiros e jurídicos.

 

A decisão, que será anunciada hoje, é parte de um pacote de medidas de enfrentamento da crise hídrica que atinge as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e que coloca em risco o abastecimento da cidade. 

A maior parte das medidas, já antecipadas pelo Correio Popular no início do mês, não terá efeito imediato, mas formam um conjunto de 12 ações que irão preparar a cidade para o uso sustentável da água, incluindo preservação de nascentes, recomposição de matas ciliares, incentivo à redução de consumo e ao reúso da água.

 

Sem licitação

O chamamento de empresas para a implementação de reservatórios será o primeiro da Manifestação Pública de Interesse Privado (MPIP), que passa a ser adotada pela Administração para ter um banco de projetos propostos pela iniciativa privada.

 

O mecanismo permite que a Prefeitura receba projetos de infraestrutura sem necessidade de licitação, economizando tempo e dinheiro.

 

Se o projeto for considerado viável, então é feita a licitação para a implantação do empreendimento. Quem propôs o projeto pode participar da licitação. Se vencer, ficará encarregado de fazer a obra ou o investimento. Se outro ganhar, o valor do projeto ficará embutido no preço da obra.

 

A remuneração ocorrerá com a concessão do serviço para exploração por quem vencer a concorrência.

 

Ribeirão das Cabras

 

A proposta é que a cidade possa ter, possivelmente com o represamento do Ribeirão das Cabras, um reservatório capaz de garantir água por seis meses na eventualidade de seca prolongada.

 

Com um consumo diário de 317,1 milhões de metros cúbicos, Campinas precisaria de um reservatório com 57m³, o dobro da capacidade da barragem que está sendo projetada pelo governo do Estado em Pedreira.

 

Um impeditivo da implantação de uma barragem como essa — cuja função seria a de armazenar água para situações extremas — é o preço das terras. Duas possibilidades estão sendo pensadas.

 

Uma, represar o Rio Atibaia, próximo à área de captação, na Rodovia D. Pedro I. Outra é implantar o reservatório junto das estações de tratamento de água 3 e 4, na Rodovia Heitor Penteado, estrada de acesso ao distrito de Sousas.

 

Outro projeto

A implantação do reservatório não exclui outra alternativa que vem sendo estudada pela Sanasa, que é construir um sistema adutor para trazer para Campinas a água da barragem do Rio Jaguari, que está sendo projetada pelo governo do Estado, com previsão de operação em 2018.

 

Essa barragem, que será construída na divisa de Pedreira e Campinas, terá capacidade de armazenamento de 26 milhões de metros cúbicos e vazão de 7,3m³/s — hoje a Sanasa retira, em média, 4m³/s do Rio Atibaia, para abastecer 95% de Campinas.

 

Com a futura barragem, Campinas poderá deixar de retirar água, ou retirar menos, do Rio Atibaia, aumentando, assim, a vazão para as cidades que estão rio abaixo.

 

Essa solução também é cara — estimativas do governo indicam um custo de cerca de R$ 500 milhões, mesmo preço das duas barragens que serão construídas em Pedreira e Amparo, nos rios Jaguari e Camanducaia, respectivamente.

 

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Maria Teresa Costa