Publicado 04 de Janeiro de 2014 - 12h00

Por Delma Medeiros

Cena do espetáculo de dança

Edu Fortes/AAN

Cena do espetáculo de dança "Somos água", que reúne bailarinos com e sem deficiência

A Cia. de Dança Humaniza, projeto de inclusão social por meio da dança, foi indicada ao Prêmio Ações Inclusivas para Pessoas com Deficiência 2013, promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. No total, foram indicados 15 projetos de ações governamentais e 17 de grupos não governamentais. A Cia de Dança Humaniza, formada por pessoas com e sem deficiência e mães bailarinas, é a única representante de Campinas na premiação.

“No ano passado, a companhia foi contemplada com o prêmio Pela Arte se Inclui, da Secretaria de Estado da Cultura. Foi também a pioneira no município a receber este reconhecimento. Mas esta indicação é ainda mais importante porque reconhece as ações inclusivas, governamentais e da iniciativa privada. Estamos muito felizes”, afirma a bailarina e pedagoga Keyla Ferrari, coordenadora do projeto junto com o educador e poeta Vicente Pironti, diretor da Empresa de Desenvolvimento Social Humaniza.

O projeto começou com a organização não governamental Centro de Arte Integrada (Cedai), criada por Keyla há 11 anos. “Depois, eu e Vicente (Pironti) tivemos a ideia de ampliar a ação e criar uma companhia profissional de dança. No Cedai havia boas bailarinas, que dançavam há anos comigo, e que convidei para integrar a Cia de Dança Humaniza. Os bailarinos não recebem pelo período de ensaio, mas pelas apresentações. O objetivo é que eles consigam viver de arte, o que é difícil por se tratar de arte e de inclusão”, diz Keyla.

“Já desenvolvi vários projetos de inclusão social de pessoas com deficiência. Alguns são bem interessantes, mas poucos se propõem a dar autonomia aos alunos na área de artes. A Cia de Dança atua com essa proposta”, reforça Pironti. “O objetivo é que eles tenham autossustentabilidade como artistas.”

Atualmente, a companhia se apresenta com um corpo de baile de oito e dez integrantes, entre atores, mães, pessoas com deficiência e síndrome de down. “A ideia de criar a companhia surgiu da necessidade de dar maior dignidade, visibilidade e reconhecimento profissional aos artistas com deficiência. O diferencial da Humaniza é que as mães, que também são bailarinas, participam do espetáculo de forma espontânea e harmoniosa”, diz Keyla.

A companhia está atualmente com o espetáculo 'Vanessa - Asas da Transcendência', que mistura dança com poesias e cenas. O grupo já se apresentou em diversos locais, entre eles no Memorial da América Latina, em São Paulo; na casa de dança de Carlinhos de Jesus, no Rio de Janeiro; e, recentemente, fez uma apresentação especial para o humorista Dedé Santana, padrinho da Humaniza.

A Cia de Dança recebeu ainda o reconhecimento do Conselho Internacional de Dança da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e conta com apoio do Cis Guanabara, da Unicamp, que cede espaço para os ensaios. “Assim, podemos dar cursos para educadores sobre como atuar com pessoas com deficiência com o selo e reconhecimento da Unesco”, informa Pironti.

Ele cita ainda o que considera o ponto alto da trajetória da companhia: a participação no programa Teleton 2013, desenvolvido pela Associação de Assistência à Criança com Deficiência (AACD) em parceria com a rede de televisão SBT. A data de entrega do prêmio Ações Inclusivas para Pessoas com Deficiência ainda não foi definida.

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