Publicado 13 de Dezembro de 2013 - 7h00

Por Maria Teresa Costa

Trecho do Rio Camanducaia na região de Campinas: Consórcio PCJ quer garantir construção de reservatório

Cedoc/RAC

Trecho do Rio Camanducaia na região de Campinas: Consórcio PCJ quer garantir construção de reservatório

Os Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) aceitam conversar sobre uma vazão de 7 m3/s de água do Sistema Cantareira para a região de Campinas a partir de 2014, desde que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se comprometa a construir as barragens previstas em Pedreira e Amparo e também o sistema adutor, um investimento estimado em R$ 1 bilhão. O governador disse nesta quinta-feira (12), em Campinas, que vai construir as duas barragens, mas que será preciso, ainda, analisar como o sistema adutor (de cerca de R$ 500 milhões) poderá ser feito. Esse sistema irá distribuir a água das represas.

Para o vice-presidente dos Comitês, Marco Antônio dos Santos, a região precisa de uma liberação, no mínimo, de 8m3/s - 3 m3/s a mais do que está estabelecido na outorga atual do Cantareira e que será renovada em 2014. Mas a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) estabeleceram, em minuta do contrato de renovação da outorga, que a região terá 7 m3/s para que o Sistema Cantareira possa operar com segurança.

Conversar

"Se houver o comprometimento do Estado em construir as barragens e o sistema adutor, então podemos começar a conversar", afirmou. "Meu compromisso em construir as barragens será cumprido", disse o governador antes de embarcar em Viracopos no voo inaugural da Azul para Araraquara. Alckmin assinou ainda a liberação de R$ 38,2 milhões destinados a construção da Estação de Tratamento de Esgoto Boa Vista que elevará para 100% o total de esgoto tratado na cidade. Além da estação, o governo liberou recursos para o programa de uso racional de água em 100 escolas públicas.

O sistema adutor, no entanto, disse o secretário estadual de Saneamento, Edson Geriboni, terá que ficar para uma segunda etapa da discussão. "Hoje nossa preocupação é garantir a disponibilidade hídrica para São Paulo e as bacias PCJ", afirmou. Ele disse que nos próximos dias será publicado o edital para a contratação do projeto executivo das barragens e do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima)

Barragens

A barragem de Amparo, por onde passa o Rio Camanducaia, chamada de Duas Pontes, terá capacidade de armazenamento estimada em mais de 43 bilhões de litros de água. A outra, que fica em Pedreira, no Rio Jaguari, armazenará mais de 32 bilhões de litros. Os dois reservatórios deverão regularizar um incremento na vazão das bacias PCJ de até 7 m3/s. Essa vazão, somadas às vazões de 7 m3/s que a Agência Nacional de Águas está definindo na renovação da outorga do Sistema Cantareira são essenciais para garantir a sustentabilidade hídrica para o desenvolvimento da região.

Os Comitês PCJ aprovaram uma verba de R$ 1,5 milhão para contratar o estudo necessário à construção do sistema adutor. Com o estudo, começará a batalha para buscar recursos para a obra, que segundo o secretário estadual de Saneamento, terá que ser equacionado provavelmente com parcerias dos municípios. Mas o presidente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), Arly de Lara Romeo, disse que, no caso de Campinas, há dificuldades financeiras para bancar uma obra tão cara como essa.

"As empresas municipais de saneamento não têm caixa para essa obra e será preciso encontrar um modelo de financiamento para que a água que for represada possa chegar as torneiras das residências da região. Não adiantará fazer as represas se não houver como distribuição", disse o prefeito Jonas Donizette (PSB). União

O prefeito Jonas Donizette (PSB) acredita que a união dos prefeitos poderá conseguir garantir 8 m3/s para a região, contra os 7 m3/s que está sendo estabelecido pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) na renovação da outorga do Sistema Cantareira que ocorrerá em 2014. Jonas disse que vai agir politicamente para aumentar a oferta de água para as bacias PCJ.

Para isso, informou, vai convidar os prefeitos para uma reunião em Campinas no início do ano e pedir o apoio, inclusive, do presidente da ANA, Vicente Andreu Guillo, que é de Campinas. Guillo disse à Agência Anhanguera de Notícias (AAN)  que os 7 m3/s estão sendo definidos para garantir a segurança do sistema. Dar mais água para as bacias PCJ implicaria em reduzir a vazão para a Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo ele, os 8 m3/s significariam aumentar o risco de operação do sistema que poderiam levar a região a um colapso no abastecimento. "Não queremos riscos. Temos que dividir a água que temos hoje e 7 m3/s irão permitir essa operação com segurança. Não temos condições de aumentar a vazão para as bacias PCJ sem reduzir a água que vai para São Paulo" , afirmou.

Os municípios das bacias PCJ estão fazendo abaixo-assinados pedindo que a demanda dos Comitês PCJ seja atendida pela ANA e Daee.

Escrito por:

Maria Teresa Costa