Publicado 27 de Novembro de 2013 - 11h03

Por Ana Cristina Andrade

Virgínia Ferreira Balestero, Lucy Machado e Kelly Levindo: avó, mãe e tia de Bianca

Ana Cristina Andrade

Virgínia Ferreira Balestero, Lucy Machado e Kelly Levindo: avó, mãe e tia de Bianca

“É chegada a hora da verdade". A frase foi repetida várias vezes ontem pelo promotor de Justiça Aluisio Antonio Maciel Neto, durante o julgamento de Dennis Alexsander Lopes Vitti, 29, condenado a 12 anos de prisão em regime fechado pela morte de Bianca Cristina Machado, ocorrida em 1º de agosto de 2010, num acidente de trânsito ocorrido no cruzamento das ruas XV de Novembro com Alferes José Caetano.

O magistrado referia-se às imagens de câmeras de monitoramento de um prédio próximo ao local do acidente, que mostram o réu ultrapassando o sinal vermelho. Ele afirmou várias vezes, diante do júri e dos magistrados, que passou no sinal verde.

"É um crime hediondo, por isso o homicídio qualificado consumado. Porém, vou recorrer da sentença para que a pena seja aumentada. Ele passou no sinal vermelho, tinha o hálito etílico, estava numa velocidade muito acima do permitido e não possuía Carteira Nacional de Habilitação. Ele assumiu o risco de causar este resultado", disse o doutor Maciel, ao explicar que a pena para crimes hediondos é de 12 a 30 anos de reclusão.

O promotor disse que a condenação serve de alerta a outros motoristas, para que nunca se envolvam neste tipo de ocorrência pensando que ficarão impunes. "Também é uma resposta à sociedade que, na maioria das vezes, fica sabendo do crime, mas não do desfecho", salientou.

O réu

Dennis Vedete falou durante seu depoimento que não deixa de pensar uma noite sequer no que aconteceu.

Ele estava em liberdade até ontem, mas saiu da sala de julgamento direto para uma unidade prisional depois de despedir-se da mãe e familiares. Ele também foi condenado a três meses por lesão corporal contra Jonatas Watzel, 26, que dirigia o carro em que Bianca estava.

Foi dispensada a condenação pelos ferimentos em Guilherme Clemente Licerre, 21, e Caroline da Costa Maciel, 22, que estavam no carro com Bianca e Watzel no dia do acidente fatal. No caso de Guilherme foi porque ele não se submeteu a exame de corpo delito, após o acidente, portanto não havia materialidade dos fatos.

Já Caroline fez o exame, porém não representou contra Vitti no prazo legal de seis meses. A mãe de Bianca - Lucy Cristina Balestero Machado, 42, desmaiou duas vezes seguidas, por volta das 13h quando o juiz-presidente encerrou a primeira parte do julgamento para o almoço. Ela disse que se sentiu mal porque foi a primeira vez que viu Dennis Vitti pessoalmente desde o acidente - ocorrido há três anos e três meses.

"Foi muito difícil ter de olhar para ele. Na hora senti vontade de falar algo, mas depois vi que não ia adiantar. Ele me passou a sensação de ser frio e de não sentir remorso", disse ela após o anúncio da sentença. "Sinto-me aliviada, embora saiba que jamais esta dor da perda vai passar", destacou.

Lucy disse que já perdoou Dennis Vitti. "Se Deus nos perdoa dos nossos pecados, eu não teria porque não perdoá-lo. Apesar disso quero que pague por cada segundo o fato de ter matado minha filha e pelo sofrimento que nos causou", acrescentou a mãe, que disse ter passado por várias crises de depressão.

A tia de Bianca, Kelly Levindo - que encabeçou protestos e passeatas pedindo Justiça para caso-, também disse estar aliviada.

"É a sensação de Justiça. Não tenho nem palavras para descrever o que estou sentindo", ressaltou. Familiares de Dennis Vitti foram os primeiros a deixar o Fórum, após liberação pelo juiz-presidente, e quando a imprensa saiu já não havia mais ninguém do lado de fora.

O advogado de defesa do réu, Arnaldo Sorrentino, também não esperou, porém antes de deixar a sala do júri disse que irá recorrer da sentença. Ele disse, durante o julgamento, que uma das testemunhas mentiu e deveria ser condenada por comunicação falsa de crime.

Após analisar as imagens do prédio, o promotor observou que a testemunha havia falado a verdade. Era sobre um Honda Fit prata que aparece no local de acidente. Sorrentino também disse que a principal testemunha de Dennis Vitti não foi arrolada no processo.

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Ana Cristina Andrade